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Angola

Julgamento de Rafael Marques continua a 21 de maio em Luanda

"Será uma grande batalha", disse o jornalista e ativista angolano Rafael Marques na quinta-feira, dia em que recomeçou o seu julgamento. Testemunhas das províncias diamantíferas das Lundas também viajaram até Luanda.

Rafael Marques é acusado por sete generais de difamação e denúncia caluniosa. Na sessão realizada esta quinta-feira (14.05), no Tribunal Provincial de Luanda, no Palácio Dona Ana Joaquina, que decorreu à porta fechada, o jornalista foi ouvido a respeito da sua motivação em incluir os nomes dos generais no seu livro "Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola".

Antes do início da sessão, Rafael Marques prometeu enfrentar os generais em tribunal até que se conheça o veredicto final do caso. "Será uma grande batalha. Não podia estar mais tranquilo, é uma batalha que eu vou adorar lutar até ao fim”, disse o ativista.

Para testemunhar sobre as alegadas violações dos direitos humanos cometidos na exploração de diamantes, viajaram até à capital angolana populares das províncias diamantíferas das Lundas, no interior norte de Angola.

Diamantes de Sangue

"Diamantes de Sangue" expõe abusos dos direitos humanos nas Lundas

No entanto, os declarantes dos dois lados não foram ouvidos na sessão de quinta-feira sobre a acusação de violação de direitos humanos que opõe os generais do regime ao também administrador do portal Makangola.

Situação que deixa Rafael Marques inquieto pelo facto de as suas testemunhas terem percorrido cerca de mil quilómetros da província da Lunda Norte até Luanda. "A minha expectativa é que finalmente as pessoas, as testemunhas das Lundas, tenham a oportunidade de explicar no tribunal o que realmente se passa naquela zona. É a quarta ou quinta vez que vêm a Luanda", afirmou.

"Estão a matar as pessoas"

Rafael Marques é acusado do crime de "denúncia caluniosa" por ter escrito o livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola", obra que denuncia violações dos direitos humanos nas zonas de exploração de diamantes.

A lista dos sete queixosos é liderada pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior "Kopelipa", que nunca apareceu nas sessões do julgamento.

Segundo David Mendes, advogado de Rafael Marques, na sessão de quinta-feira o ativista explicou as razões pelas quais mencionou o nome dos sete generais no livro. "E, de uma maneira geral, sustentou os princípios que sempre defendeu", esclareceu.

Ouvir o áudio 02:25

Julgamento de Rafael Marques continua a 21 de maio em Luanda

As testemunhas arroladas pela defesa serão ouvidas nos próximos dias 21 e 22 de maio, "para que se torne claro que a intenção de Rafael Marq1ues foi tão somente informar sobre crimes que até então eram desconhecidos", adiantou ainda o advogado.

O processo envolve oito testemunhas arroladas, das quais quatro das Lundas, indicadas pela defesa do jornalista, entre os quais Miji Fidel Muleleno, o "rei" de Capenda-Camulemba. "Queremos falar no tribunal das mortes e das torturas das empresas de segurança mineira. Estão ali para explorar [diamantes], mas eles estão a matar as pessoas", explicou à agência de notícias Lusa o líder tradicional de uma área com perto de 30 mil habitantes.

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