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Angola

Jornalista Nelson Sul D'Angola "retido" em cadeia de Luanda

Nelson Sul D'Angola, correspondente da DW em Angola, ficou esta quarta-feira (22.07.) "retido" na cadeia de Calomboloca, província do Bengo, durante uma visita aos ativistas que se encontram presos há mais de um mês.

O jornalista angolano deslocou-se esta manhãà unidade prisional com uma comitiva do Grupo de Apoio aos Presos Políticos Angolanos (GAPPA) que foi visitar sete dos jovens em prisão preventiva por alegadamente estarem a preparar um golpe de Estado contra o Governo de Luanda. A cadeia de Calomboloca, na província do Bengo, é um dos quatro estabelecimentos prisionais onde estão detidos há mais de um mês 15 ativistas dos direitos humanos.

De acordo com as autoridades do estabelecimento prisionalde Calomboloca, ouvidas pelo editor da Rádio Despertar, Manuel Luamba, Nelson Sul d’Angola e pelo menos mais dois membros do grupo que visitava os jovens activistas "não estão detidos", uma vez que, citamos, "as autoridades não têm o direito de deter ninguém, apenas de reter".

Segundo testemunhas ouvidas pela DW África, Nelson Sul d’Angola terá ficado retido por alegadamente ter tentado fotografar os detidos. Rafael Morais, da organização de acção solidária SOS Habitat, e Jesse Lufendo, do Movimento dos Jovens Revolucionários de Angola, estarão também "retidos" juntamente com o jornalista no estabelecimento prisional, ainda segundo relatos de testemunhas no local.

Testemunha no local

Cláudio Silva, do blogue de informação independente Central Angola, esteve esta manhã no estabelecimento prisional, onde entregou alimentos a um dos jovens detidos. No final da visita, testemunhou o ocorrido.

Ouvir o áudio 03:08

Jornalista Nelson Sul D'Angola "retido" em cadeia de Luanda

"Ao sair, notamos que o Nelson foi conduzido até ao edifício principal da prisão, onde estão os serviços administrativos. Vimos o Nelson entrar, juntamente com um jovem que eu não conheço. Disse-me que caíram numa armadilha", contou à DW África.

Cláudio Silva diz também ter visto Rafael Morais da SOS Habitat e JesseLufendo, "todos escoltados por um dos guardas prisionais", acrescenta. "Estavam sentados a dois metros de nós. Fomos embora e eles ficaram na sala de segurança penal e pareceu-me que estavam a ser interrogados. Vimos um dos homens da prisão, que não estava fardado, a ‘passear’ com a máquina do Nelson. Não vi ninguém algemado, não posso confirmar que se tratava de uma detenção. Mas algo ali não estava bem.", explica.

Manifestação antecipada?

A retenção do jornalista Nelson Sul d’Angola, do ativista Rafael Morais e do jovem revolucionário Jesse Lufendo no estabelecimento prisional de Calomboloca acontece sete dias antes de uma manifestação organizada pelo Movimento Revolucionário para exigir a libertação dos 15 jovens presos desde 20 de junho.

Raul Mandela, membro do movimento, promete antecipar o protesto, caso se venham a confirmar mais três detenções, após as "retenções" da manhã desta quarta-feira.

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Protesto agenadado para 29 de julho poderá ser antecipado

"Nós vamos ao terreno ver se isto é verdade ou não. Amanhã estaremos no Calomboloca, vamos visitar os nossos irmãos que estão detidos. Se esta informação que recebemos agora se concretizar, a manifestação pode começar amanhã", diz.

"Nós aqui temos medo de Deus, mas do homem não. O cidadão José Eduardo dos Santos [Presidente de Angola] tem que passar a respeitar os direitos humanos e a Constituição. Estamos fartos desta arbitrariedade e vamos exigir ao Governo que solte toda a gente que prendeu", assegura Raul Mandela.

O jornalista Nelson Sul d’Angola está incontactável há várias horas. A DW África tentou também contactar Rafael Morais, da SOS Habitat, sem sucesso.

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