João Lourenço exonera administração do Fundo Soberano de Angola | Angola | DW | 10.01.2018
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Angola

João Lourenço exonera administração do Fundo Soberano de Angola

Era uma notícia aguardada há muito: o Presidente angolano, João Lourenço, exonerou a administração do Fundo Soberano, presidida por Filomeno dos Santos. Lopo do Nascimento e Marcolino Moco foram nomeados para a Sonangol.

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José Filomeno dos Santos é substituído no cargo por Carlos Alberto Lopes

A informação sobre a exoneração, "por conveniência de serviço", foi transmitida esta quarta-feira (10.01) pela Casa Civil do Presidente da República, em nota citada pela agência Lusa, em Luanda. O Fundo Soberano de Angola (FSDEA), que gere ativos do Estado angolano de 5.000 milhões de dólares, passa a ser presidido por Carlos Alberto Lopes, até agora secretário para os Assuntos Sociais do chefe de Estado.

Depois de Isabel dos Santos, que exonerou do cargo de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol, e de ter ordenado a rescisão do contrato entre a Televisão Pública de Angola (TPA) e a empresa Semba Comunicações, detida por Welwítschia "Tchizé" e José Paulino dos Santos "Coreon Dú" para a gestão do segundo canal, José Filomeno dos Santos é o quarto filho do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos a ser afastado do poder por João Lourenço, empossado em setembro último.

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O "homem do milagre económico" do MPLA

Além de José Filomeno de Sousa dos Santos, foram exonerados os administradores executivos Hugo Miguel Évora Gonçalves e Miguel Damião Gago. O Presidente da República nomeou ainda, para integrarem o conselho de administração do FSDEA como administradores executivos, Laura Alcântara Monteiro, Miguel Damião Gago, Pedro Sebastião Teta e Valentina de Sousa Matias Filipe.

Este desfecho já tinha sido antecipado na segunda-feira (08.01) pelo próprio Presidente angolano, quando admitiu aplicar, nos próximos dias, medidas propostas pelo Ministério das Finanças sobre a gestão do FSDEA e não descartando exonerar a administração. "Não diria que vou exonerar, mas pode vir a acontecer", disse João Lourenço nos jardins do Palácio Presidencial, em Luanda, na sua primeira conferência de imprensa com mais de uma centena de jornalistas de órgãos nacionais e estrangeiros.

Lopo do Nascimento e Marcolino Moco na Sonangol

João Lourenço também nomeou esta quarta-feira (10.01) como administradores não executivos da petrolífera Sonangol dois antigos primeiros-ministros, Lopo do Nascimento e Marcolino Moco, este último forte contestatário do chefe de Estado anterior. 

Segundo a Casa Civil do Presidente da República, as nomeações foram feitas "por conveniência de serviço público", passando Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento e Marcolino José Carlos Moco a integrar o conselho de administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), liderada desde novembro por Carlos Saturnino.

Portugal Marcolino Moco in Lissabon

Marcolino Moco: "João Lourenço surpreende-me pela coragem e rapidez"

Em novembro último, Marcolino Moco assumiu-se surpreendido" com a "coragem" do novo Presidente da República, afirmando que as decisões conhecidas visam "criar um mínimo de governabilidade" num poder "atrelado aos pilares de uma casa de família".

A posição do advogado e histórico militante do MPLA, forte crítico da governação de 38 anos de José Eduardo dos Santos, surgiu num artigo divulgado pelo próprio. "É verdade que João Lourenço me surpreende pela coragem e rapidez; mas surpreso andei eu todos estes anos a ver um país a ser montado a volta de uma família única, quando só se ouviam louvores de tribunas e painéis de entidades notáveis", criticou ainda o advogado que de 1992 a 1996 foi primeiro-ministro, na Presidência de José Eduardo dos Santos. 

Já Lopo do Nascimento, que foi primeiro-ministro entre 11 de novembro de 1975 (proclamação da independência angolana) e dezembro de 1978, além de secretário-geral do MPLA, criticou em 2017, antes das eleições gerais de agosto, a continuidade de José Eduardo dos Santos na presidência do partido. "Acho que não será uma boa coisa se ele se mantém como presidente do MPLA, porque gera um poder bicéfalo", disse numa entrevista em março.

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