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Angola

Isabel dos Santos continua a fazer compras em Portugal

Depois de vários meses de negociações, a empresária angolana e filha do presidente passa a ter uma participação de 65 por cento na Efacec Power Solutions, adquirida por uma injeção de capital de 200 milhões de euros.

A filha do Presidente de Angola ganha uma posição maioritária na multinacional portuguesa, aumentando deste modo o seu património em Portugal. Analistas sublinham que, por esta via, a empresa portuguesa, com experiência na área industrial, aumenta a sua capacidade de presença em grandes projetos em África.

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A Efacec portuguesa ganha novo fôlego com a entrada de Isabel dos Santos no capital da empresa. A empresária angolana, que acaba de comprar 65 por cento da sociedade Efacec Power Solutions, passa a ser acionista maioritária daquela que é considerada uma das maiores multinacionais portuguesas, vocacionada para as áreas da energia, engenharia, ambiente, serviços e transportes, com operações nas Américas, na Europa, Ásia e África.

Lisboa: destino de muitos investimentos angolanos.

Lisboa: destino de muitos investimentos angolanos

A injeção de 200 milhões de euros no capital da empresa é vista como uma lufada de ar fresco, sobretudo para a manutenção e desenvolvimento de projetos no continente africano. Angola está entre os principais mercados, refere o jornalista de economia Celso Filipe: "A Efacec Power Solutions é uma empresa com um leque diversificado de atividades que permitem quase de chave na mão prestar uma série de serviços em Angola."

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O setor energético é dos que beneficiará significativamente da larga experiência industrial da Efacec. Para o autor do livro “O Poder Angolano em Portugal a Efacec é também uma empresa que permite a Isabel dos Santos "criar rede, uma malha internacional."

Capa do livro Isabel dos Santos: Segredos e poder do dinheiro do jornalista português Filipe Fernandes

Capa do livro "Isabel dos Santos: Segredos e poder do dinheiro" do jornalista português Filipe Fernandes

João Bento, o gestor que liderou a empresa nos últimos quatro anos, disse ao semanário português Expresso que a vantagem do novo acionista face a outros candidatos foi a valorização atribuída à Efacec. Acrescentou que «esta constitui uma oportunidade para aumentar expressivamente a capacidade de estar presente nos grandes projetos de infraestruturação e de desenvolvimento em África e Angola em particular». De acordo com Celso Filipe, a situação financeira da empresa portuguesa não é a melhor e esta entrada do capital angolano vai permitir à multinacional relançar a sua atividade e ter acesso a crédito bancário.

Por sua vez, Filipe Alves, um dos autores do livro “Os Novos Donos Disto Tudo – Quem manda de facto em Portugal”, sublinha a forte presença angolana no capital de várias empresas portuguesas, na última década, o que tenderá a crescer:

Ouvir o áudio 03:31

Isabel dos Santos continua a fazer compras em Portugal

"De facto há um reforço do poder angolano em setores estratégicos. Isso é inegável. É sabido que as empresas portuguesas, tanto as públicas como as privadas, estão muito endividadas e o capital estrangeiro, de facto, é necessário. O importante, no meio disto tudo, não é se o investidor é angolano ou chinês ou dos Estados Unidos. O importante é que as regras sejam cumpridas e que haja um escrutínio desses poderes".

Transparência nos negócios e boa governação das empresas exigem-se

Para o jornalista, o império de Isabel dos Santos em Portugal, avaliado em cerca de três mil milhões de euros, é agora reforçado com a compra da Efacec. De cordo com o analista, há, entretanto, alguma pressão de alguns círculos na opinião pública sobre a origem do dinheiro investido na antiga metrópole.

"Há de facto alguma pressão na opinião pública em relação à origem desses dinheiros investidos em Portugal e em relação à situação dos direitos humanos em Angola. Muitos portugueses estão conscientes quanto à importância de ajudar
Angola a desenvolver-se em todos os domínios. Mas o importante é que as regras sejam cumpridas e que haja boa governação das empresas e que o interesse público português seja salvaguardado".

Filipe Alves aponta outro aspeto pouco referido: que a maior parte dos investimentos feitos em Portugal foi financiada por bancos portugueses, nomeadamente pela Caixa Geral dos Depósitos e pelo BPI (Banco Português de Investimentos). E, por outro lado – adianta a propósito da nova estrutura do poder empresarial de Isabel dos Santos em Portugal – há uma componente muito forte de investimentos com base em dívida.

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