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Moçambique

Instabilidade em Moçambique prejudica turismo na Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa deixou de receber pelo menos 6 mil visitantes por ano devido ao conflito armado entre RENAMO e forças do Governo, segundo a administração local.

A instabilidade política e militar em Moçambique afetou diretamente o turismo no Parque Nacional da Gorongosa (PNG), no centro do país. Em entrevista à agência de notícias Lusa, o administrador do parque, Mateus Mutemba, aponta perdas consideráveis de turistas nos últimos quatro anos, de picos de 7.500 para médias entre mil e 2 mil, "em função das circunstâncias".

Em 2016, os dados indicam que, mais uma vez, a cifra de 2 mil visitantes não seria ultrapassada, coincidindo com o agravamento da guerra entre o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e as forças do Governo.

Segundo Mateus Mutemba, embora a guerra não atinja o interior do PNG, tornou a região em que se insere, na província de Sofala, num dos principais focos do conflito. Os números de visitantes, diz o administrador, são "um reflexo do receio das pessoas".

Contudo, apesar da crise, o projeto de recuperação do parque não foi interrompido, o que tem contribuído para o repovoamento de outras áreas protegidas. O projeto ocorre por meio de um acordo de gestão conjunta entre o executivo moçambicano e a fundação do filantropo Greg Carr.

Recuperação ainda não atrai turista

"O Parque está bonito, está verde, a fauna bravia é abundante, começa-se a notar que está a recuperar, é um lugar aprazível e temos condições boas e confortáveis", refere o administrador do PNG.

Mesmo com este esforço, Mateus Mutemba lamenta que os visitantes não estejam a responder e que um novo operador turístico, com interesse firme em investir na Gorongosa, tenha desistido "quando sentiu que a situação era delicada".

O PNG está, entretanto, em conversações com outro operador estrangeiro, iniciadas antes da trégua declarada no final de 2016 pelo líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, que se encontra há mais de um ano presumivelmente refugiado na serra da Gorongosa.

"Há dois, três anos que não estamos a fazer turismo na serra por causa das condições de segurança", observa Mateus Mutemba, acrescentando que também as atividades de reflorestação tiveram "uma redução substancial", devido à dificuldade de acesso a 43 viveiros e também às áreas de produção de café, que o PNG estava a introduzir como nova cultura de rendimento para as comunidades.

Desenvolvimento rural e humano

Ultrapassada a fase em que estabeleceu a marca da Gorongosa e o conceito de restauro, o administrador julga que todos os atores relevantes já entenderam o papel que um parque nacional pode desempenhar para o desenvolvimento rural e humano na região em que se insere.

De acordo com Mateus Mutemba, este é já um fator que diferencia a Gorongosa de outros parques icónicos da África Austral, colocando o conhecimento científico não só ao serviço da conservação, mas também das comunidades vizinhas, em programas de agricultura, educação e saúde, e ainda na formação das pessoas que um dia serão gestores do PNG e talvez de outras áreas protegidas moçambicanas.

"Introduzimos uma série de cursos especializados de curta duração, que beneficiam estudantes e instituições de pesquisa", de acordo com o administrador do PNG, o último dos quais em Bioinformática, para um núcleo de 14 alunos e investigadores moçambicanos, um número restrito face a um interesse muito superior e também "um bom sinal" quando o programa tem apenas dois anos.

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