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Moçambique

Inhambane ainda luta com efeitos do ciclone Dineo

Em abril, o Governo já não dará apoio alimentar às vítimas do ciclone. Vítimas lamentam a situação. ONGs prometem ajuda em troca de trabalho comunitário.

Mosambik Brücke in Maxixe (DW/L. da Conceicao)

Para fazerem o percurso Inhambane-Maxixe, os passageiros são transportados ao colo até ao barco

As consequências da passagem do ciclone Dineo, a 15 de fevereiro, em Inhambane, ainda são bem visíveis, no entanto, o governo provincial decidiu pôr um fim, em abril, ao apoio alimentar aos residentes afetados, dando conta que a solidariedade só deve permanecer nas sementes para a agricultura. Algumas das vítimas lamentam a situação, enquanto várias organizações não governamentais prometem ajudar as pessoas em troca de trabalhos comunitários.

Governo suspende apoio alimentar

Daniel Chapo, Governador da Província de Inhambane, afirmou, esta semana, que nenhuma organização deve apoiar a população com bens alimentares. Segundo o Governador, esta ajuda está a provocar alguns constrangimentos nas comunidades pelo facto da população estar a "criar o vício de ficar de braços cruzados à espera dos donativos, em vez de ir para as machambas trabalhar na produção agrícola para o seu sustento". Posto isto, anunciou Daniel Chapo, os apoios passam a ser apenas em sementes melhoradas para combater a fome que assola a região.

"A minha questão é: até quando é que definimos que temos que dar assistência alimentar? Se há realmente um parceiro que nos quer apoiar e que traga sementes, as populações devem aprender a produzir comida. Se não, a população vai ter a comida de mão "beijada", vão-se sentar  e não vão à machamba. Não existe ninguém que vá conseguir dar comida a mais de um milhão e quinhentas pessoas que a Província tem”, alerta.

Mosambik Brücke in Maxixe (DW/L. da Conceicao)

A ponte da Maxixe foi destruída pela ciclone Dineo

Feliciano Mário, residente no distrito de Maxixe, perdeu, como outras tantas pessoas, todas as suas culturas e não teve nenhum apoio alimentar. Em entrevista à DW África, Feliciano Mário lamenta, por outro lado, a decisão do governo provincial. "Não tive nenhum apoio, perdi uma parte da machamba com produtos como o milho, mandioca, inclusive amendoim. A Província em si de Inhambane está mal, não teve o apoio que devia ter tido. Apesar de sempre ter havido, a fome tem crescido depois do ciclone”.

Os efeitos do Dineo também atingiram trabalhadores e estudantes que trabalham na ponte-cais que ficou destruída pela tempestade. Atualmente, para fazerem o percurso Inhambane-Maxixe, os passageiros são transportados ao colo até ao barco.

Ernestina Zacarias, funcionária pública, diz que gasta mensalmente cerca de 3000 meticais (40 euros) para chegar ao seu posto de trabalho, valor que antes era de apenas 300 meticais. Para esta residente em Inhambane, o Governo deve providenciar a aquisição de um autocarro para o transporte dos funcionários, a baixo custo. "Não me sinto segura ir de barco. Desde que a ponte caiu nunca entrei no barco. O Governo poderia alocar um chapa para diminuir custos, por exemplo, nós estamos a pagar 50 (meticais), se fosse no carro do Estado, (pagaríamos) menos 20 ou 30 meticais. Diminuía os custos para as pessoas”, afirmou. 

Mosambik Brücke in Maxixe (DW/L. da Conceicao)

Nova ponte, que está a ser construída

Estragos não foram ainda reparados

Mais de um mês depois da passagem do ciclone, muitos edifícios públicos ainda continuam sem teto. A DW África visitou a Escola Primária de Nanoua, no distrito de Morrumbene. Inês Ermelinda, diretora da escola, explica que esta precisa de apoio, nomeadamente, de material de construção.

"Precisamos muito. Temos aqui uma sala que não está coberta, precisa de muito material  que não temos. Se viessem apoios ao nível de chapas, cimento e barrotes, sairíamos da pobreza”, afirmou.

ONGs oferecem ajuda

Ouvir o áudio 04:04

Inhambane ainda luta com efeitos do ciclone Dineo

Algumas organizações não-governamentais prometeram apoiar a população, mas as ajudas serão em troca de trabalho nas comunidades. Como explica Imaine Aly, coordenador da Associação para o Desenvolvimento Rural (ADRA) em Inhambane, estamos a oferecer comida, mas (em troca de ) trabalho, incentivando a produção agrícola nas zonas baixas onde, devido a este ciclone, ficaram as valas subterradas e as pessoas não podem praticar a agricultura. Também estamos a fazer algumas vias que dão acesso a essas baixas para quando houver lá produção se possa fazer o escoamento de uma maneira mais fácil”. Este é um trabalho que vai durar três meses. Depois deste tempo, acrescenta a responsável, "as pessoas já terão alguma alimentação”.

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