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Moçambique

Infeções com HIV no Corredor da Beira preocupam

Em Moçambique, diminuiu o número de novas infeções com o vírus da SIDA. Mas a organização Médicos sem Fronteiras alerta para a proliferação do HIV no Corredor da Beira, no centro do país.

Todos os dias circulam na estrada do Corredor da Beira centenas de camiões de mercadorias e autocarros. Esta é uma rota importante: são mais de 280 quilómetros a ligar a cidade portuária da Beira ao vizinho Zimbabué. Muitos camionistas têm de pernoitar ao longo do caminho, sobretudo nas zonas de Nhamatanda e Inchope, e há aqui muita prostituição.

O número de infeções com HIV nestas zonas preocupa os Médicos sem Fronteiras (MSF), que pedem, por isso, preservativos gratuitos para os profissionais do sexo.

Uma cidadã moçambicana de 25 anos, que solicita o anonimato, conta que, pouco depois de começar a trabalhar no Corredor da Beira, há três anos, passou a dispensar o preservativo, porque o tinha de comprar: "No início, usámos, mas depois chegou um tempo em que deixámos, pois estava-me a dar despesas."

Entretanto, engravidou de um cliente. "Eu fiquei a cuidar do bebé até ele crescer. Agora, tem dois anos, por isso voltei aqui para sustentar a criança."

Ouvir o áudio 03:24

Infeções com HIV no Corredor da Beira preocupam

Clientes pagam mais por sexo desprotegido

30% das mulheres na Beira inquiridas pelos MSF que, inicialmente, tinham testes de HIV negativos acabaram por contrair a doença no ano posterior.

Membros da organização não-governamental têm estado no terreno, a sensibilizar as trabalhadoras do sexo e os condutores para a necessidade de praticar sexo seguro.

Alguns clientes continuam a pedir para não usar preservativo, e, segundo algumas entrevistadas, há mulheres que aceitam praticar sexo desprotegido a troco de um pagamento mais elevado.

Mas isso parece estar a mudar a pouco e pouco: "Não costumo aceitar sem camisinha, porque costumam vir com as doenças deles, com vírus. Não aceito. Prefiro morrer à fome do que levar dinheiro em vão, para amanhã sofrer", diz outra mulher. "A minha prima fazia esse negócio em Chimoio. Esteve quatro anos a fazer isso, mas apanhou uma doença e perdeu a vida."

Apostar na prevenção

Para Ruggero Giuliani, coordenador dos MSF em Moçambique, além de promover o uso do preservativo ao nível comunitário é também preciso fazer com que os grupos vulneráveis tenham maior acesso a medicamentos antirretrovirais. Só com o uso combinado destes métodos será possível reduzir drasticamente a transmissão do HIV.

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MSF pedem maior acesso a medicamentos antirretrovirais

Por outro lado, diz Giuliani, é necessário propor novas ferramentas de prevenção, "em que se destaca a profilaxia pré-exposição: dar medicamentos a pessoas que são negativas mas com alto risco de apanhar HIV para que não se infetem com esse vírus."

Em Moçambique, o número de novas infeções com o vírus da SIDA desceu 25% nos últimos cinco anos, segundo as estatísticas oficiais.

O Governo promete aumentar o financiamento a programas de prevenção. Ao todo, há 1,6 milhões de pessoas infetadas com HIV em Moçambique, mas menos de metade procura tratamento e mais de um terço abandona-o no primeiro ano.

"O mais importante é a vida", adverte uma prostituta no Corredor da Beira. "Não quer preservativo? Nem vale a pena, que vá embora com o seu dinheiro. […] A vida não se compra."

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