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Guiné-Bissau

Hélder Vaz: uma voz crítica na corrida às presidenciais guineenses

O ex-diretor-geral da CPLP, Hélder Vaz, é candidato à Presidência da Guiné-Bissau. O político de 55 anos é considerado um dos fundadores da democracia guineense e vai disputar novamente uma eleição no país.

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Hélder Vaz, político guineense

Depois de viver em Portugal durante nove anos, Hélder Vaz, uma velha raposa da política guineense, voltou à terra natal para ser um Presidente diferente de todos os chefes de Estado que a Guiné-Bissau teve ao longo da sua história. "Desde 7 de junho não houve um Presidente da República com poder, com autoridade neste país", dispara.

O candidato garante que vai voltar a "por poder na Presidência da República." Para isto, a sua estratégia e se "relacionar com os militares, efetivamente como comandante em chefe das Forças Armadas."

Hélder Vaz sabe que, no seu país, o Presidente pode ser morto pelos militares, mas mostra-se destemido quanto a esse aspecto. "Estou ciente de que já vivi 55 anos e tenho que servir ao país. Não posso deixar de ser Presidente da República, de exercer as minhas funções, porque tenho medo de morrer. Quando tiver de morrer, eu morro."

Eleito no início do ano presidente do Resistência da Guiné-Bissau, conhecido também por movimento Bafatá, Hélder Vaz promete, caso seja eleito, ser o presidente de todos os guineenses e promover "a refundação do Estado": "Somos um país de cerca de 1,8 milhão de cidadãos, dominado por 250 pessoas. É essa a nossa grande realidade. A nossa primeira grande reforma é a das mentalidades. Essa se faz no quadro da refundação do Estado."

Plakat von Helder Vaz in Wahlkampagne

Panfletos de campanha eleitoral do candidato Hélder Vaz

Refundação do Estado: o plano maior de Vaz

Hélder Vaz explicou a DW África em que consiste a sua ideia. "Refundação do Estado é exatamente conseguir o consenso de todos os guinenses sobre os objetivos nacionais, os interesses comuns que nos unem hoje. O interesse do desenvolvimento económico, da estabilidade política, da unidade nacional contra o tribalismo, meritocracia e valorização das capcidades."

Ele quer executar o que chama de "programa maior de Amílcar Cabral". Ou seja, o desenvolvimento do país, apostando na competência e na permanente articulação com o Governo. "O nosso sonho é completar a obra da independência, que ficou estagnada em 1974. Passamos 40 anos de desgoverno, mas há potencial enorme neste país que são os recursos humanos fabulosos e recursos naturais imensos. [O país] pode se tornar naquilo que Cabral traduzia no seu sonho como a Suiça de África."

O ponto alto da sua carreira política acontece em 2000, quando assumiu o cargo de ministro de Estado e da Economia e Desenvolvimento Regional num Governo de coligação entre o Partido da Renovação Social (PRS, de Kumba Ialá) e a Resistência da Guiné-Bissau (RGB). Hélder Vaz disputou todas as eleições realizadas antes de abandonar o país em 2004.

Portugal Lissabon CPLP Vicente Guterres Helder Vaz

À direita Hélder Vaz quando era diretor-geral da CPLP, ao lado de Vicente Guterres, presidente do Parlamento de Timor-Leste

Críticas a todos os níveis

Depois de viver nove anos em Portugal, Vaz viu um país diferente. "Este Estado [Guiné-Bissau] faliu, caiu na desgraça, desmoronou. Sobretudo nos últimos 10 anos - com a ausência de uma força política democrática no Parlamento, que saiba o que é democraia, e com a ausência de quem defende valores."

O candidato prossegue crítico e desvaloriza a atuação política da sua pátria. "A política transformou-se em campo fértil para comerciantes, vendedores ambulantes e de gente que troca voto por um saco de arroz. É uma democracia de feira da ladra. E a disputa política passou a ser o campo dos menos preparados."

O mau uso do dinheiro público é também um dos alvos de suas críticas. "Dos menos dignos passou a ser o campo onde se exibem gloriosamente aqueles que roubaram o erário público."

O antigo diretor-geral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e candidato à presidência da República da Guiné-Bissau está convencido de que a sua imagem pode trazer mais valias ao país. "Quando falo com qualquer político de qualquer parte do mundo, as pessoas passam a respeitar a Guiné-Bissau porque sabem que estão a falar com um político - com uma pessoa que fala a mesma linguagem, que os códigos são os mesmos. Penso que isto é algo que tenho a dar à Guiné-Bissau como mais valia."

Se for eleito, Vaz promete apostar muito na cooperação com a Europa, principalmente com a Alemanha.

Putschversuch António Indjai Guinea-Bissau

Chefe das Forças Armadas da Guíne-Bissau, António Indjai, junto do seu exército

Forças Armadas, o calcanhar de Aquiles

Quanto à reforma nos sectores da defesa segurança, ele promete uma total refundação das forças armadas. "A questão do conceito estratégico de defesa militar é específico, e isto é que nos vai permitir estabelecer o dispositivo de forças e definir contingentes. Depois é que vamos saber quantos furrieis precisamos, quantos coroneis, capitães, etc. A partir dai é que se vai redesenhar as Forças Armadas."

Aqui, Vaz volta à ideia da Refundação. "Por isso que falo em refundação, mas essa refundação tem a componente da desmobilização. Estes atuais cidadãos fardados que estão nas Forças Armadas devem conseguir ir para a casa contentes. Se forem descontentes, voltarão para dar golpes e este país nunca mais terá estabilidade."

Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa e mestre em Administração e Gestão Pública na Universidade de Albany, nos Estados Unidos, Hélder Vaz foi deputado da Assembleia Nacional Popular, líder da bancada parlamentar da RGB e mais tarde presidente do mesmo partido.

Ouvir o áudio 04:28

Hélder Vaz, um candidato às presidenciais guineenses muito crítico

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