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Internacional

Há risco de aumento da contestação social na África do Sul

Depois da morte de Mandela, muito se questiona sobre o futuro da África do Sul. O país tem um dos maiores fossos entre ricos e pobres de todo o mundo e as previsões indicam que a contestação social não cessa de aumentar.

Südafrika Mine Marikana Streik Ende

Mineiros celebrando o acordo que colocou fim à greve em Marikana pelo aumento salarial

Ao acordar sem Mandela, o país e o mundo ficaram entregues à questão: o que será da África do Sul sem o ícone da reconciliação e do entendimento político?

Muitos sul-africanos temem que o futuro do país passe pelo rompimento dos ideais de Mandela e do seu partido, o Congresso Nacional Africano também conhecido pela sigla ANC.

Na terça-feira (10.10.), enquanto o mundo se despedia de Madiba no Estádio Soccer City, em Joanesburgo, ao lado de 91 figuras de Estado de todo o mundo, ouviam-se apupos e vaias a Jacob Zuma, atual Presidente da África do Sul.

André Thomashausen, Professor de Direito Internacional e especialista político, explica a atitude dos sul-africanos: "A multidão de repente se lembrou que Zuma representa extamente o oposto de tudo o que Nelson Mandela simboliza. O Zuma tem uma paixão pela grandeza, gosta de se fazer transportar em colunas enormes de carros e motas, tudo o que Mandela rejeitava e considerava ostensivo. Dai essa reação de assobiar ao Jacob Zuma, que obviamente não ficou nada feliz."

Mandela Trauerfeier Johannesburg 10.12.2013

Jacob Zuma, Presidente da África do Sul

Consequências das vaias para Zuma

E as vaias podem trazer consequências negativas ao Presidente sul-africano, como argumenta o Professor: "Porque esta manifestação vai fazer lembrar aos colegas do partido que o Presidente Zuma talvez não seja o melhor candidato para as próximas eleições."

Nesta ótica, André Thomashausen acredita que o ANC perca votos nas próximas eleições para a esquerda, principalmente para o partido de Julius Malema Economic Freedom Fighters (EFF), embora seja improvável que perca o sufrágio de 2014.

Nesse sentido, salienta que é necessária uma renovação política: "É absolutamente necessário que a política sul-africana entre numa fase de retomada dos ideiais de 1994, os ideiais de Mandela, da justiça social, da educação para todos. Aliás, havia a famosa carta do ANC, que está muito esquecida, que prometia coisas essenciais como o livre acesso à educação, à saúde..."

No ano da morte de Mandela e quase 20 anos depois da queda do apartheid, a África do Sul reúne alguns dos piores recordes do mundo: a mais alta taxa de homicídios per capita, a mais elevada taxa de doentes infetados com o HIV/Sida, o mais elevado número de processos de corrupção.

Flash-Galerie Kinder schwarz und weiß Südafrika

Crianças negras apreciando um menino branco a comer sorvete

Escalada de tensões

O abismo galopante entre ricos e pobres é também uma realidade na África do Sul.

André Thomashausen fala no risco de mais contestação social: "É quase ineviitável, porque existem situações dramáticas em que centenas de milhares de pessoas estão carentes, não têm abastecimento de água potável, não têm esgoto, nem acesso à eletricidade, à educação. Existem escolas, mas essas escolas estão sem livros, sem professores..."

Com o aumento da tensão social e da contestação pública corre-se igualmente o risco de haver mais casos como o dos 34 mineiros de Marikana, fuzilados pela polícia durante um prostesto em que pediam um aumento salarial.

O especialista não acredita que haja risco para os investimentos estrangeiros no país, embora algumas leis, nomeadamente a do Black Economic Empowerment que exige a presença de investidores africanos de origem negra, possam desencorajar algumas empresas devido à burocracia do processo.

Quanto à vaga de criminalidade, o especialista considera que não existe um risco acrescido, embora a vaga de crime atinja cada vez mais a classe mais rica, sendo que a população branca de África do Sul seja tendencialmente mais abastada que a negra.

12.2013 DW Liveübertragung Trauerfeier Nelson Mandela Portrait

Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro da África do Sul

A democracia resistirá

Porém, André Thomashausen afasta a hipótese do cenário de um falhanço democrático no país: "As instituições democráticas são fortes, a sociedade sul-africana é bastante jovem e aprecia o valor da liberdade, da democracia e também da liberdade económica e do mercado livre."

Por isso o Professor acredita que, apesar de tudo, a população ainda valoriza as condições do seu país: "Estas demonstrações de luto, mas também de celebração nestes dois dias de falecimento de Nelson Mandela demontram a convicção dos sul-africanos de que vale mais a pena viver nas condições atuais na África do Sul, de um país já desenvolvido, com a sua própria indústria, do que por exemplo, nas condições do Zimbabué onde as luzes se apagaram há uns anos... e continuam apagadas."

Ouvir o áudio 04:27

Há risco de aumento da contestação social na África do Sul

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