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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau totalmente paralisada por uma greve geral

Função Pública guineense observa uma greve de cinco dias em protesto por três meses de salários em atraso e falta de diálogo das autoridades com sindicatos. Dia fica também marcado pela demissão do ministro do Interior.

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Artéria de Bissau, normalmente muito movimentada, agora praticamente sem trânsito devido à greve

Nesta terça-feira (17.12), segundo dia da greve decretada pelas duas centrais sindicais guineenses, a adesão continua a ser generalizada. A paralisação atingiu todos os sectores públicos, inclusive o dos transportes públicos que continua a funcionar muito mal.

Os táxis e os “toca-tocas”, transportes que ligam Bissau ao interior do país pararam quase por completo provocando caos nas ruas da capital guineense, como disse aos microfones da DW África Filomeno Cabral, líder sindical.

Filomeno Cabral

Filomeno Cabral, líder sindical da Guiné-Bissau

“É uma situação de caos, com a ausência total dos transportes públicos, os mercados encerrados, restaurantes com as portas fechadas. Todos estão a participar neste movimento de greve", relatou.

A União Nacional dos trabalhadores da Guiné (UNTG) e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes (CGSI) alegam que a greve vai para a frente como resposta ao sofrimento dos trabalhadores.

“Seriamos agredidos nas ruas se não convocássemos esta greve agora. Os trabalhadores estão cansados de promessas incumpridas, a população perguntava sempre aos sindicatos então quando pensam fazer a greve e exigir ao governo para que cumpra com as suas obrigações”, dizem.

Governo diz envidar esforços

Aristites Ocante da Silva, ministro da Função Pública e do Trabalho, afirma em resposta à greve geral que o executivo a que pertence só pode pagar um dos três meses de salários em atraso. “O salário real em atraso é do mês de novembro. Estamos a fazer tudo para pagar este salário e talvez o Governo pague o mês de dezembro", disse.

Ouvir o áudio 03:01

Guiné-Bissau totalmente paralisada por uma greve geral

A greve paralisou também as escolas públicas, apesar do sindicato dos professores não ter aderido à paralisação como forma de salvar o ano lectivo, explica o presidente do sindicato dos docentes, Luiz Nancassa. “Fomos forçados a não irmos para as escolas. Tanto os alunos como os professores, não podem ir para as escolas se os transportes públicos não funcionam”.

Os sindicatos reclamam pela inoperância do Governo de transição que não consegue pagar salários e por falta de diálogo das autoridades com as organizações sindicais, diz ainda Filomeno Cabral.

“É a não convocação do Conselho Permanente de concertação social e a falta de diálogo por parte do executivo com os seus parceiros", afirma. Por outro lado, acrescenta, existe a questão do pagamento dos salários em atraso. "Temos ministérios com três e quatro meses de vencimentos em atraso e temos alguns acordos que o governo fez com os sindicatos nacionais que não foram cumpridos até agora”, observou ainda.

Serviços mínimos assegurados

Segundo os sindicatos, estão assegurados serviços mínimos nos hospitais, bombeiros, portos e no Aeroporto Internacional de Bissau. Jorge Gomes, que preside ao Movimento Nacional da Sociedade Civil, pede a rápida intervenção do Governo para minimizar o sofrimento das populações.

Lehrerstreik in Guinea-Bissau

Escolas vazias devido à greve geral

De recordar que depois do golpe de Estado de 2012, o Orçamento de Estado perdeu apoios diretos de outros países, o preço dos bens essenciais disparou e, ao mesmo tempo, as receitas das famílias caíram, refere um relatório da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM).

Com base num inquérito à população feito entre agosto e setembro de 2013, o documento conclui que um terço das famílias da Guiné-Bissau vive atualmente com falta de comida e é obrigada a cortar refeições.

Ministro do Interior demite-se

O segundo dia da greve geral na Guiné-Bissau fica também marcado pela demissão do ministro do Interior. Suka N'Tchama, que tutela a segurança interna, colocou o lugar à disposição, na sequência do incidente com o voo da TAP entre Bissau e Lisboa de 10 de dezembro.

Nesse dia, a tripulação da companhia aérea portuguesa TAP foi obrigada pelas autoridades guineenses a transportar 74 passageiros com passaportes falsos. Os voos diretos entre os dois países foram, entretanto, suspensos. Suka N'Tchama terá dado a ordem para o embarque forçado, segundo adiantou o jornal português “Público” no último sábado.

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