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Internacional

Grande afluência às urnas para eleger Presidente do Chade

Milhares de chadianos foram chamados a escolher, este domingo (10.04), o próximo Presidente do país. Os eleitores afluíram em massa às urnas da capital, num sufrágio que decorreu de forma tranquila.

O Presidente Idriss Deby, no poder desde 1990, concorre ao quinto mandato na Presidência do Chade e é apontado como favorito entre mais de uma dezena de candidatos às eleições. Durante a campanha, afirmou-se como garante da segurança e estabilidade, face à ameaça do grupo radical islâmico nigeriano Boko Haram.

Segundo Mahamat Hissein, porta-voz do Presidente cessante, foi precisamente a segurança que contribuiu para a elevada participação nas eleições: “Em cada assembleia de voto havia um soldado. As pessoas sentiam-se seguras”.

“Registámos uma forte afluência às urnas de manhã, depois baixou um pouco devido ao calor, mas as pessoas foram na mesma votar e as urnas estavam cheias. Isto demonstra uma grande vontade de participação dos nossos apoiantes”, considera Hissein, acrescentando que “a oposição não conseguiu alcançar o seu objectivo, porque as pessoas querem paz”.

A oposição tem outra opinião: diz que a afluência às urnas é sinal de vontade de mudança. Ainda assim, já antevê que esta vontade do povo não será satisfeita. Jean-Bosco Manga, da organização da sociedade civil “Chega é chega”, não tem dúvidas: “Os resultados não serão credíveis”.

Wahlen Tschad Saleh Kebzaboh

Saleh Kebzaboh, um dos candidatos da oposição, vota nas presidenciais

A contagem dos votos arrancou logo após o encerramento das urnas, ao final da tarde de domingo, mas os resultados só deverão ser conhecidos dentro de duas semanas, de acordo com o calendário fixado pela Comissão Eleitoral.

Contestação e repressão

“O Governo já tinha estabelecido um plano para falsificar os resultados. Os boletins foram falsificados”, garante Jean-Bosco Manga, da “Chega é chega”. “Para garantir que tudo corre como quer, o Governo assumiu o controlo da internet. Todas as acções que temíamos foram implementadas”, diz o ativista.

A internet esteve cortada durante todo o dia. Ao início da noite de domingo, era forte a presença de boinas vermelhas da guarda presidencial na capital, N’djamena, depois de

uma campanha marcada por manifestações.



Tschad Präsident Idriss Deby Itno - Anhänger im Stadion

Último encontro de Idriss Deby e o seu partido, o MPS, antes das eleições

Apesar de apontado como favorito à vitória, o Presidente Idriss Deby é alvo de contestação social. A eleição tem lugar numa altura em que várias administrações, escolas e universidades estão em greve há várias semanas, devido a salários e bolsas em atraso. Apesar dos abundantes recursos petrolíferos explorados desde 2003, a maioria da população do Chade vive abaixo do limiar de pobreza e 70% é analfabeta.

No entanto, o chefe de Estado não tolera manifestações nas ruas. Por terem contrariado essa proibição, cinco líderes da sociedade civil foram recentemente detidos. A votação deste domingo - a primeira a utilizar o sistema biométrico – decorreu, contudo, de forma pacífica.

Eleições pacíficas

"Visitei três assembleias de voto e vi que muitos eleitores não tinham os seus nomes registados. Mas, fora isso, tudo decorreu pacificamente”, diz o professor Ramadan Masra, de Sarh, a 600 km da capital chadiana.

Ouvir o áudio 04:13

Grande afluência às urnas para eleger Presidente do Chade

“Penso que as pessoas afluíram em massa às urnas porque querem mudança. Muitos jovens apoiaram a saída do partido no poder”, acrescenta Ramadan Masra.

"Eu votei cedo, às 7 horas da manhã, e visitei várias assembleias de voto. A votação correu bem. Infelizmente, alguns eleitores não conseguiram encontrar o seu nome nos registos. Vi também várias carrinhas com a fotografia do Presidente Idriss Deby, o que não está correcto, uma vez que a campanha eleitoral terminou na sexta-feira (08.04), considera Decladore Maoundoé Djikoldingam, coordenador da Associação de Jovens para a Salvaguarda da Paz.

Perante os recentes protestos, o Presidente Idriss Deby, há 26 anos no poder, prometeu reintroduzir o limite de mandatos presidenciais, depois de os ter abolido através de uma revisão constitucional, em 2004.

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