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Angola

Governos de Angola e RDC reunidos para estudar regresso de refugiados

Ministro das Relações Exteriores de Angola preocupado com situação dos refugiados que se encontram nas províncias de Lunda Norte e Lunda Sul. Estima-se que, desde abril, 30.000 congoleses se tenham refugiado em Angola.

Kongo Flüchtlinge (picture-alliance/dpa)

Refugiados da República Democrática do Congo (Foto ilustrativa)

Os Governos de Angola e da República Democrática do Congo (RDC) estão a estudar soluções para o regresso às suas zonas de origem de cerca de 30.000 refugiados congoleses que procuraram segurança em território angolano nas últimas semanas. 

A informação foi avançada, esta sexta-feira (19.05), por Leonare Oshintudu, chefe da diplomacia da RDC, no final da audiência concedida pelo vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente. No encontro entre responsáveis dos dois países,  foi abordada a situação política e de segurança na RDC, que tem causado um grande número de refugiados, e a cooperação bilateral entre os dois países.

Segundo explicou Leonare Oshintudu, Angola e RDC estão a estudar "soluções para que a população que fugiu das suas zonas de origem, possa retomar às suas habitações na RDCongo”.

Em causa estão conflitos étnico-políticos no Kasai e Kasai Central, na RDC, que desde meados de 2016, já provocaram, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), um milhão de deslocados, 30.000 dos quais fugiram para Angola, através da província da Lunda Norte, desde abril.

Situação "preocupante”, "triste e terrível”

George Chikoti (dapd)

Georges Chikoti, ministro das Relações Exteriores de Angola

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, confirmou a preocupação do Governo angolano com a situação dos refugiados que se encontram nas províncias angolanas da Lunda Norte e Lunda Sul.

Segundo Georges Chikoti, o Governo angolano já mobilizou a comissão interministerial, que passou a semana passada na Lunda Norte, para se oferecer aos refugiados "as melhores condições de receção, alimentação e de tratamento", já que há pessoas a chegarem feridas e "alguns ferimentos bastante graves".

Georges Chikoti lembrou que Angola emitiu há uma semana um comunicado sobre a situação na República Democrática do Congo, "porque é necessário que haja um maior envolvimento da comunidade internacional, mas também um maior acompanhamento e engajamento das autoridades da RDCongo em termos da reposição da paz, da estabilidade, naquela região".

O governante angolano sublinhou ainda que os refugiados estão a ser "bem acolhidos pela parte angolana", realçando que, esta semana, as autoridades estão a proceder à sua transferência da zona fronteiriça para regiões mais no interior de Angola. Conforme explica, "a norma internacional prevê que eles estejam pelo menos 50 quilómetros no território angolano, mas isso implica [outros esforços]. Angola mobilizou meios de transporte, alimentação, tendas para essas pessoas serem acomodadas, como também tivemos que mobilizar medicamentos para assistir às pessoas que vêm feridas", referiu.

O ministro da Assistência e Reinserção Social de Angola, Gonçalves Muanduma, que visitou, esta semana, os centros de acolhimento dos refugiados nas duas províncias angolanas, classificou como "bastante preocupante, triste e terrível" a situação. "Estamos muito preocupados com o que acabamos de ver, estamos aqui a visitar com o governador da província, o representante do ACNUR e, coincidentemente, acabam de chegar cerca de 200 cidadãos e a situação é difícil, uns com feridas, bebés, crianças, todas assustadas, é uma situação bastante preocupante", lamentou.

Eleições na RDC este ano "se não houver qualquer percalço"

O também vice-primeiro-ministro da RDC avançou, à margem deste encontro com o governo angolano, que as eleições naquele país deverão ocorrer no final deste ano, "se não houver qualquer percalço".

"Estamos a trabalhar no espírito do acordo que foi assinado no dia 31 de dezembro do ano passado, e já temos uma entidade advinda da oposição, que já está à cabeça da composição da Comissão Nacional de Acompanhamento, este está a trabalhar conjuntamente com as outras organizações e a Comissão Nacional Eleitoral, para se programar ou se seguir o que estava programado para as eleições no final deste ano se possível", disse.

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