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Internacional

Governo Português decreta três dias de luto nacional e funeral de Mário Soares com honras de Estado

Primeiro-ministro português, António Costa, anunciou que o Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira (09.01), pela morte do antigo Presidente da República Mário Soares.

O antigo Presidente da República Mário Soares morreu hoje aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde se encontrava internado desde o dia 13 de dezembro. Entretanto, as reações ao falecimento de Mário Soares começam a ser conhecidas:

PAICV envia "sentidas condolências" a Portugal e ao povo português

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) endereçou "condolências a Portugal e ao povo português" pela morte de Mário Soares, considerando o antigo chefe de Estado uma das "mais complexas personalidades políticas europeias".

Numa breve mensagem colocada na sua página pessoal, na rede social Facebook, Janira Hopffer Almada recordou que o antigo Presidente da República de Portugal, "dedicou a sua vida, de forma intensa, à política e à democracia", endereçando também condolências à família.

 "A Portugal, ao seu Povo e à família enlutada, as nossas mais sentidas condolências. Que a terra lhe seja leve. Será lembrado", escreveu Janira Hopffer Almada.

Janira Hopffer Almada (DW/J. M. Borges)

Janira Hopfer Almada, presidente do PAICV

Na mensagem, a líder do PAICV, partido da família política do PS atualmente na oposição em Cabo Verde, recordou o percurso de Mário Soares como fundador do Partido Socialista, considerando que foi um "dos mais notáveis protagonistas da política portuguesa da segunda metade do século XX e uma das mais complexas personalidades políticas europeias".

"O líder histórico" do PS que "ajudou a moldar a democracia"

O Partido Socialista Europeu (PES) lamentou a morte do "líder histórico" do PS Mário Soares, sublinhando que o antigo Presidente da República ajudou a "moldar a democracia" em Portugal e liderou o processo de integração europeia.

"Hoje dizemos adeus a Mário Soares, o líder histórico e fundador do Partido Socialista. Ele levou uma vida corajosa, opondo-se fortemente à ditadura de Salazar em Portugal, e, após a revolução, o seu trabalho ajudou a moldar a democracia, tendo ainda conduzido o país rumo à adesão à União Europeia", lê-se numa mensagem publicada no sítio de Internet do PES.

"Os nossos pensamentos estão com a sua família e próximos e estamos a seu lado e do Partido Socialista neste momento difícil", conclui a mensagem de condolências, ilustrada com uma foto antiga de Mário Soares partilhada pelo PS.

Impensa francesa noticia morte de "pai da democracia portuguesa"

Logo Le Monde

Pouco depois do anúncio da morte de Mário Soares, os principais jornais franceses noticiavam nas suas páginas online a morte do "pai da democracia portuguesa".

Sob o título "Mário Soares, o pai da democracia portuguesa, morreu", o Le Monde relembra que Soares foi uma "figura socialista de luta contra a ditadura salazarista" e que "é considerado como o pai da democracia portuguesa que ajudou a fundar após a 'Revolução dos Cravos' de 25 de abril de 1974".

O Le Monde recorda também que o antigo Presidente português esteve quatro anos exilado em França e que fez um "regresso triunfal a Lisboa depois da operação militar destinada a acabar com a ditadura herdada de Salazar", tendo "dirigido o primeiro Governo constitucional de Portugal após a ditadura" e "encaminhado Portugal para a via da adesão à Comunidade europeia".

O Le Figaro também noticia a morte de Mário Soares, indicando que ele era "frequentemente descrito como o pai da democracia portuguesa" e que "contribuiu de forma decisiva para a construção e integração europeia do seu país". 

O Le Parisien escreve que Mário Soares "contribuiu para o surgimento da democracia em 1974 e para a integração europeia de Portugal", explicando que Soares teve um papel de destaque na "cena política portuguesa durante cerca de 40 anos".

Frankreich Presse Logo Liberation

O Libération, num artigo assinado pelo diretor do jornal Laurent Joffrin, titula "Morte de Mário Soares, um dos pais da democracia portuguesa". "Até ao fim, ele defendeu uma Europa unida e cimentada pela sua fidelidade aos direitos do homem, onde Portugal tivesse o lugar do bom aluno da democracia", escreve Laurent Joffrin, depois de fazer a síntese da carreira de Mário Soares.

Casa de Moçambique exprime "momento de extrema dor" e lembra "amigo" do país

A Direção da Casa de Moçambique considerou que a morte de Mário Soares representa um "momento de extrema dor" e lembrou o herói e amigo do Presidente Machel, do povo e da revolução moçambicana.

Hoje, os moçambicanos na diáspora e em Moçambique estão mais pobres pelo desaparecimento físico do Herói e amigo do Presidente Samora Moisés Machel, Povo e da Revolução Moçambicana", lê-se num comunicado difundido.

"A Casa de Moçambique não poderá deixar passar este momento de extrema dor pelo seu desaparecimento a uma personalidade de causas humanas", acrescenta o comunicado, sublinhando: "Estamos de LUTO".

Deixando as condolências à família, a direção da Casa de Moçambique conclui com um desejo: "Que o legado deixado pelo Dr. Mário Soares seja exemplo de todos sem exceção".

Pedro Pires recorda "interlocutor" pela independência do país

O ex-Presidente cabo-verdiano Pedro Pires considerou Mário Soares, uma "grande personalidade" da vida política de Portugal da segunda metade do século XX e um "interlocutor" pela independência de Cabo Verde. 

Mosambik - Wahlbeobachter Pedro Pires (DW/A. Cascais)

Pedro Pires, ex-Presidente da República de Cabo Verde

"Teve um papel importante na mudança que teve lugar em Portugal e na edificação do novo regime e do Estado de direito democrático. Foi um lutador pela democracia e pela liberdade, um homem de Estado bastante presente e com grande estatura", prosseguiu.Referindo que participou nos momentos importantes da democracia portuguesa, Pedro Pires salientou que, tanto no plano externo como no interno, Mário Soares foi um "digno representante" da República e do Governo de Portugal, conquistando respeito e simpatia junto da comunidade internacional.

"É uma grande figura que acaba de desaparecer, uma grande pessoa, um homem ilustre a quem rendemos uma homenagem de respeito, admiração e amizade", destacou Pedro Pires.

Pedro Pires recordou que manteve amizade e vários encontros com Mário Soares, lembrando que o antigo estadista português acompanhou as negociações e foi um interlocutor que deu um contributo para a independência de Cabo Verde. 

Pedro Pires, salientou, porém, que Cabo Verde deve recordar Mário Soares como um amigo e uma pessoa que sempre quis que o arquipélago resolvesse os seus problemas e dificuldades.

"Enquanto Presidente da República e primeiro-ministro de Portugal, Mário Soares contribuiu para que Cabo Verde superasse os primeiros momentos como Estado soberano", recordou, reforçando o seu "respeito, amizade e admiração" pelo antigo chefe de Estado português.

Chissano diz que será recordado nas colónias como "um amigo"

Mosambik Ex-Präsident Joaquim Chissano (imago/GlobalImagens/V. Rios)

Joaquim Chissano, ex-Presidente de Moçambique

O antigo Presidente da República de Moçambique Joaquim Chissano considerou que Mário Soares, "esteve do mesmo lado [que Moçambique] no combate à ditadura" e que será recordado nas antigas colónias como "um amigo".

"Participou na luta contra a ditadura fascista portuguesa e por esse facto estivemos no mesmo lado no combate contra a ditadura", lembrou Chissano em declarações à RTP3, a partir de Moçambique.

Questionado sobre se os africanos lusófonos guardarão do Presidente da República português uma boa imagem, tendo em conta principalmente o seu papel nas independências, Chissano respondeu: "Boa imagem, sim, porque ele primeiro tentou satisfazer também a política portuguesa quando chefiou a delegação a Moçambique, mas uma vez convencido de que esse era o caminho [a independência de Moçambique], fez parte dos que queriam a libertação de forma imediata, portanto voltou a ser amigo".

Chissano disse depois que, durante as negociações, "estávamos a negociar com pessoas que outrora foram inimigas, mas ele nunca foi inimigo" e acrescentou: "Ele foi atacado em Portugal mas não por nós. Nós, nas colónias, temos muito respeito por ele".

Enaltecendo o "bem conhecido estadista", Chissano lembrou ainda o estabelecimento de relações com as antigas colónias portuguesas, "que levou mesmo aos inícios de criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa". 

Martin Schulz diz que desaparece um "visionário"

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, considerou hoje que, "com a morte de Mário Soares, Portugal e a Europa perdem grande estadista" e "um "visionário", cujo "legado vai perdurar", pois o antigo Presidente da República é "uma inspiração".

Em mensagens publicadas na sua conta na rede social twitter, o presidente da assembleia europeia aponta que Portugal e a Europa perdem "um visionário, um pragmatista, um reformista, um lutador e um democrata". 

"Como progressista, Soares é mais que uma figura histórica: é uma inspiração. Promoveu a liberdade, a igualdade e a dignidade. O seu legado vai perdurar", escreve Schulz.

O presidente do Parlamento Europeu, também ele socialista, acrescenta ainda que Mário Soares "trouxe Portugal para o coração da família europeia" -- referindo-se ao seu papel no processo de adesão à União Europeia -, proporcionando desse modo "aos cidadãos portugueses mais prosperidade, proteção social e liberdades". 
 

 

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