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Moçambique

Governo diz que não há mortos no exército moçambicano

As vítimas mortais dos confrontos em Moçambique parecem um assunto tabu, principalmente do lado do exército. Este diz que não sabe da sua existência, enquanto a RENAMO desmente e assume mortes do seu lado.

A imprensa privada moçambicana, através de testemunhos nos locais dos confrontos, relata que quase diariamente há confrontos, que resultam em mortos e feridos, principalmente do lado do exército governamental. No entanto, nenhuma das partes beligerantes tem por hábito falar publicamente sobre as baixas.

Quando questionados sobre o tema, uma das partes nega, como aconteceu com o responsável pela imprensa do gabinete do ministro da Defesa. “Neste momento não tenho a informação de militares que estão a tombar”, declarou à DW África Benjamim Chabuala. Lembrou, no entanto, que o diretor da Política de Defesa, em conferência de imprensa, “sem referir que houve mortos”, disse que os feridos, tanto “civis como militares”, eram “tratados nos hospitais que estão mais próximos das zonas onde têm ocorrido os confrontos”, ou seja, na zona centro do país.

O facto, porém, é contestado pela outra parte dos confrontos, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição. António Muxanga, porta-voz do presidente do partido Afonso Dhlakama, cita casos que contrariam o Ministério da Defesa. “Temos visto carros a carregarem corpos e há funerais de elementos das Forças Armadas”, conta.

RENAMO admite mortes

Contrariamente ao Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a RENAMO assume a existência de mortos entre os seus guerrilheiros. António Muxanga cita números aproximados “avançados por algumas fontes dentro das próprias Forças Armadas” para avançar que, até este momento, contam-se “menos de duas dezenas” de baixas. Refere, por outro lado, “um número de cerca de 4.000 [mortos] pela parte das Forças Armadas e cerca de duas dezenas e meia de civis”.

Ouvir o áudio 04:24

Governo diz que não há mortos no exército moçambicano

A ser verdade que existem soldados mortos no exército moçambicano, os seus familiares merecem uma satisfação e têm o direito de enterrar os seus entes-queridos conforme as suas tradições e religião. O facto de o Ministério da Defesa não o assumir deixa a entender que as famílias dos soldados não estão a ser tratadas com a devida consideração.

“Por uma questão de segurança interna, não é do interesse do Governo estar a manifestar publicamente que está a registar baixas nos confrontos”, afirma o jornalista Luís Nhanchote, que defende que este é um assunto que deve ser resolvido pelo Executivo.

Por outro lado, argumenta que “os familiares desses jovens também andam apreensivos por causa de alguns relatos em alguns jornais” locais, que dão conta de casos de pais que não recebem respostas dos filhos. “E um ou outro também têm aparecido sobretudo nos canais privados de televisão a manifestar desagrado em relação a isso e a reclamar do facto de terem familiares que sabem que foram mortos por via de outros colegas que conseguiram escapulir-se."

Enterros condignos

Já a RENAMO garante que anda atrás dos corpos para que os familiares possam fazer um enterro condigno. Cita exemplos de alguns funerais e denuncia outras irregularidades no contexto da guerra.

Mosambik Militär

Base da RENAMO em Satundjira, na província de Sofala

“Mas há outras pessoas que desapareceram e que ainda não conseguimos localizar”, conta António Muxanga, que refere ainda casos de pessoas detidas em várias cadeias do país. Quantos às “mortes confirmadas que a RENAMO sofreu”, o porta-voz de Afonso Dhlakama diz que “o Governo não aceitou entregar os corpos aos familiares” e acusa-o de proceder do mesmo modo no caso dos corpos dos próprios militares.

Segundo Muxanga, “há muitas famílias no país que continuam a dizer que têm filhos vivos, quando os filhos já morreram há muitos meses. E o Governo ainda se dá ao luxo de continuar a pagar subsídios às suas famílias como se as pessoas ainda estivessem vivas”.

Em Moçambique também há relatos de deserções, pois os soldados recém-formados têm medo de enfrentar os experientes guerrilheiros da RENAMO, que desde o início dos confrontos mostraram estar em posição de vantagem. Estes rumores são também desmentidos pelo responsável pela imprensa do gabinete do ministro da Defesa. “Não tenho informação dessas deserções. Antes pelo contrário, tenho informação de muitos voluntários, de voluntários em massa”, remata Benjamim Chabuala.

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