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Moçambique

“Governo de Moçambique e RENAMO comprometidos com o diálogo”, destaca mediador

Em Moçambique, esforços estão em curso para o diálogo entre o maior partido da oposição, a RENAMO e o Governo da FRELIMO. Os mediadores nacionais mostram-se esperançosos com o desfecho do processo.

Os mediadores nacionais nas negociações entre o Governo de Moçambique e a RENAMO, Dom Dinis Sengulane, Bispo emérito da Igreja Anglicana de Moçambique e o Padre Filipe Couto, já se reuniram com as partes.

Depois de um encontro na véspera com o novo Presidente Filipe Nyusi e o ex-Presidente Armando Guebuza, na quinta-feira (22.01) foi a vez dos mediadores se encontrarem com o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, que se encontra na cidade de Quelimane, província da Zambézia.

A RENAMO quer dialogar sobre um Governo de gestão, do qual faria parte, mas o Governo recusa-se. Afonso Dhlakama insiste, há algum tempo, na criação desse Governo de gestão, envolvendo os partidos de oposição, como forma de ultrapassar o que considera ter sido uma fraude nas eleições gerais de 15 de outubro. Recorde-se que tanto o Governo como o elenco de governadores provinciais não contemplam qualquer figura da oposição.

A DW África entrevistou Dom Dinis Sengulane que destaca o comprometimento de ambos os lados com o diálogo:

DW África: Existe realmente interesse num diálogo?

Dom Dinis Sengulane (DS): Notamos que há, de facto, um espírito de diálogo. Não vimos nenhuma culpa seja de quem for. Ambos os lados estão comprometidos com o diálogo.

DW África: E notou algum empecilho neste processo para o diálogo?

DS: Fomos lá (Quelimane) para apresentar as nossas preocupações concernentes por exemplo à lentidão do diálogo, algo que nos preocupa muito e tentamos ver qual seria a melhor maneira para desbloquearmos esse diálogo que conduza a um entendimento final. Essa foi a agenda comum para com as partes com quem falamos.

DW África: E já colocaram na mesa uma eventual data para o início deste diálogo?

DS: Não, nada foi decidido ainda.

Ouvir o áudio 03:02

“Governo de Moçambique e RENAMO comprometidos com o diálogo”, destaca mediador

DW África: Comparativamente à tensão que se viveu antes das eleições gerais de outubro do ano transato, como carateriza o atual momento?

DS: Pensamos que este é o momento propício para o diálogo. E há um compromisso de ambos os lados para que esse diálogo prossiga. Portanto não há que olhar para trás e se o fizermos é apenas para aprendermos algumas lições, mas não no sentido de recuar.

DW África: O Governo da FRELIMO diz que as negociações sobre um governo de gestão são logo à partida descartadas, uma vez que tal iniciativa seria inconstitucional e anti-democrático. Na sua opinião esses temas devem ser discutidos uma vez que constituem preocupações para a RENAMO?

DS: Qualquer inquietação deve ser colocada na mesa do diálogo porque existem condições para as pessoas apresentarem as suas preocupações. E é na mesa do diálogo onde poderão ser encaradas essas preocupações. Portanto há espaço para tudo.

DW África: E quanto a um possível retorno ao conflito armado, sentiu nas duas partes que esta situação nunca mais irá repetir-se?

DS: Está fora de hipótese o regresso à guerra. Ambos os lados declararam tanto em público como em privado que o retorno à guerra está fora de questão. O acordo assinado no dia cinco de setembro é levado muito a sério e é para ser honrado.

Plataforma de diálogo existe há dois anos

Unterzeichnung Friedensabkommen in Mosambik Armando Guebuza und Afonso Dlakhama

Assinatura do Acordo de Cessação de Hostilidades entre Armando Guebuza e Afonso Dhlakama (05.09.2014)

Governo e RENAMO mantêm há dois anos uma plataforma de diálogo, que culminou num acordo de paz, assinado a 05 de setembro de 2014, por Guebuza e Dhlakama e prosseguem as negociações desde então, mas as partes não alcançaram ainda o entendimento sobre o desarmamento do maior partido de oposição.

Há duas semanas, Dhlakama ameaçou criar uma república autónoma no centro e norte de Moçambique, presidida por ele próprio, caso a FRELIMO persista em não acatar a sua exigência de um governo de gestão.

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