Governo de Luanda ″não é contra a greve″ mas vai marcar faltas a enfermeiros | NOTÍCIAS | DW | 13.06.2018
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Governo de Luanda "não é contra a greve" mas vai marcar faltas a enfermeiros

Governo provincial mostra-se surpreso com posicionamento dos enfermeiros em greve desde segunda-feira (11.06) e afirma que não há acordo devido a "alteração constante das reivindicações" e "intransigência do sindicato".

"É importante realçar que o Governo da província não é contra a greve. A greve é um direito que assiste a qualquer trabalhador ou a qualquer cidadão, desde que seja bem feita. O Governo da província sim é contra as coisas que estiverem malfeitas", disse Adriano Mendes de Carvalho, na reunião com os administradores e diretores municipais da saúde de Luanda, para abordar a greve dos enfermeiros da capital angolana.

Na sua intervenção, Adriano Mendes de Carvalho manifestou-se surpreso com o posicionamento desses profissionais.

O Sindicato dos Enfermeiros de Luanda decidiu desde segunda-feira paralisar, por tempo indeterminado, os trabalhos, reivindicando o pagamento de retroativos, subsídios, aumento de salarial e ainda promoção de categorias, garantindo apenas serviços mínimos nos bancos de urgência e salas de parto.

De acordo com Adriano Mendes de Carvalho, a classe de enfermeiros deve ser respeitada, mas a decisão de avançarem para greve, no seu entender, não tem qualquer tipo de consistência, porque os membros do sindicato fazem parte de uma comissão já criada pela ministra da Saúde.

Angola Streik Krankenhaus

Greve dos trabalhadores da Clínica Girassol, em Luanda, em 2014.

"Constitui-se então um grupo forte de caráter nacional, de onde os profissionais de saúde a nível de Luanda, os sindicatos fazem parte. Quer dizer, eles são parte integrante da comissão de revisão das carreiras especiais do setor, na sua globalidade, e não apenas da classe dos enfermeiros", afirmou.

Questão nacional?

Quanto ao ajuste salarial, um dos 12 pontos constantes do caderno reivindicativo entregue a entidade patronal há seis anos, o governador de Luanda referiu que a questão transcende o seu pelouro, pelo que a mesma tem de ser vista a nível nacional.

"Eu não posso apenas tocar no aumento salarial só para os profissionais da saúde em Luanda, então o país é nosso, o país é Angola toda e não é num momento como este que se fala que vamos mexer no problema de salários. Luanda é parte integrante de Angola e não Angola", disse.

O governador, que pede calma aos enfermeiros, decidiu criar um grupo de crise para fazer face à situação, recordando que a "entidade patronal vai continuar a marcar faltas aos profissionais em greve".

"Eu só pago se as pessoas estiverem de facto a trabalhar, eu sou a entidade patronal e logicamente que não posso pagar. E é preciso termos muito cuidado, podemos brincar com tudo, vidas humanas não", disse.

Em comunicado de imprensa, o Governo de Luanda refere que não foi possível chegar a acordo com os enfermeiros, devido a "alteração constante das reivindicações e intransigência do sindicato, em não aceitar as razões fundadas da entidade patronal".

No documento, o Governo garante que tudo fará para garantir os serviços mínimos em todas as unidades hospitalares da província, assegurando ainda que está a encetar contactos com os Ministérios da Defesa Nacional, do Interior e demais organizações, no sentido de "acudirem onde for necessário".

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