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Angola

"Governo de Angola não tem uma cultura de inclusão"

Quem o diz é o coordenador provincial de Benguela da Rede das Associações de Pessoas com Deficiência Física e Visual, Stefan Paulino, denunciando políticas discriminatórias do Executivo angolano.

Descrita como a franja da sociedade mais vulnerável social e economicamente, a maioria das pessoas com deficiência física e visual em Angola tem sido discriminada e encontra bastantes dificuldades, sobretudo no acesso ao emprego e na formação académica.

De acordo com o coordenador provincial de Benguela da Rede das Associações de Pessoas com Deficiência Física e Visual, Stefan Paulino, os motivos prendem-se, em grande parte, com as políticas discriminatórias sectárias levadas a cabo pelo Governo angolano.

“Até as nossas instituições discriminam as pessoas com deficiência, dando formações de sapataria e carpintaria, impedindo-as automaticamente de fazerem outras formações superiores”, explica Stefan Paulino. O coordenador da Rede das Associações de Pessoas com Deficiência afirma que o sector do emprego tem sido uma luta, “um direito que às vezes se transforma em pedir um favor”.


Behinderte Menschen in Angola

Uma mãe deficiente motora transporta um bebé às costas nas favelas de Roque Santeiro em Luanda, capital angolana

Carros em vez de cidadania

Stefan Paulino lamenta ainda o facto de as autoridades prestarem maior atenção à compra de carros de luxo em vez do bem-estar dos cidadãos.

“Algumas pessoas alegam que o país está em paz, mas assistimos ao gasto de dinheiro em carros caros para as instituições, ignorando as questões que têm a ver com as pessoas”, explica o coordenador, acrescentando que “o direito de cidadania não é respeitado”. Stefan Paulino considera que o Governo angolano não tem uma cultura de inclusão e continua a tratar as pessoas com deficiência como pedintes e incapazes de assumir cargos governativos.

O coordenador provincial de Benguela afirma que “muitos dos governantes não têm parentes com deficiências”, o que, na sua opinião, dificulta a mudança de mentalidades.

Ouvir o áudio 02:35

"Governo de Angola não tem uma cultura de inclusão"

“As pessoas com deficiência também podem exercer cargos de deputados e ministros”, diz Steffan Paulino, exemplificando com o Lesoto, “um país pequeno, onde o ministro da Justiça é alguém com uma deficiência visual” e se atingiu “uma maturidade de inclusão muito forte, sem medo de errar”. “Em Angola, não sei quando é que isso acontecerá”, afirma.

Sobre a questão, a DW África contactou a diretora provincial da Reinserção Social em Benguela. Maria do Céu alegou que esta é uma situação que “ultrapassa as suas competências”.

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