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Angola

Governo de Angola continua a negar incursão militar no Congo

Apesar dos desmentidos do executivo angolano, autoridades do Congo e várias fontes em Angola confirmam a incursão de militares angolanos na República do Congo.

Contrariando a versão do Governo de Luanda, várias fontes confirmaram à DW África que militares angolanos entraram na semana passada na vizinha República do Congo. Também as autoridades de Brazzaville, citadas pela agência France Presse, confirmaram o ocorrido, enquanto Luanda exige que sejam apresentadas provas desta incursão.

Mário Augusto, porta-voz do ministério angolano das Relações Exteriores, em declarações à agência de notícias Lusa, desmentiu categoricamente que militares do seu país tenham efetuado qualquer tipo de incursão na República do Congo, corroborando desta forma o desmentido feito antes pelo embaixador de Angola em Brazaville, Pedro Mavunza, quando foi noticiado que no passado dia 14 de outubro um contingente de 500 militares angolanos teria entrado em território congolês na região de Kimongo, onde teria feito 55 reféns das forças armadas congolesas.

Nesta segunda-feira (21.10), a DW África tentou contatar os porta-vozes dos ministérios angolanos das Relações Exteriores e da Defesa, mas ninguém se mostrou disponível para falar sobre o assunto.

Vozes em Cabinda confirmam incidente

Ouvir o áudio 05:11

Governo de Angola continua a negar incursão militar no Congo

Entretanto, para Raul Danda, natural de Cabinda e presidente do grupo parlamentar da UNITA, as autoridades angolanas nunca iriam confirmar uma incursão no vizinho Congo. "Eu não estava à espera e creio que ninguém estaria à espera de que o Governo de José Eduardo dos Santos dissesse 'nós fomos lá e invadimos o território congolês'. Eu venho de Cabinda e lá também se comenta, à boca cheia, que as Forças Armadas angolanas fizeram, de facto, uma incursão em território congolês, mas parece-me que foram sem convite das autoridades congolesas", diz Raul Danda.

A DW África questionou o presidente do grupo parlamentar da UNITA sobre se esses militares estariam a perseguir elementos da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda-FLEC e o político reafirmou que "o Governo angolano não o dirá". "O Governo angolano tem estado a dizer que a FLEC já acabou, que o território está pacificado e que não há confronto nenhum", explica, acrescentando que "não existem militares da FLEC na ótica do Governo". Por isso, "irem para lá molestar refugiados que se encontram no Congo Brazzaville também devia ter um motivo. Os refugiados têm proteção internacional e não podia ser tratados assim", considera Raul Danda.

"Tudo indica que entraram lá, que terão mesmo capturado um coronel das Forças Armadas congolesas, bem como cerca de 46 elementos sob seu comando e a informação que eu tive a partir de Cabinda é que essas pessoas terão sido postas em liberdade e regressado às suas unidades no Congo", revela ainda o político angolano. "Mas é mau que as nossas Forças Armadas se envolvam em situações desta natureza. É mau para o país e afeta-nos a todos", conclui.

Raul Danda

Raul Danda, presidente do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA)

"Não perseguiam FLECs", diz comandante da Frente de Libertação

Contatámos também o Comandante António Xavier, chefe das operações militares da FLEC, que contraria a ideia de que tropas angolanas estariam a perseguir elementos do seu movimento que eventualmente estariam na República do Congo. "Entraram lá para procurar tropas da FLEC? Não", começa por dizer.

"Não encontraram lá ninguém da FLEC. Significa que eles fizeram aquilo de propósito. Temos de procurar saber porque é que os angolanos devem ir até ao Congo, se Cabinda não é Angola. Nós não temos bases do lado do Congo, só no interior de Cabinda, onde estamos em confronto com os angolanos. Onde eles entraram há militares do Congo e entraram só para capturar aqueles elementos, para poderem escamotear a verdade", explica.

O certo é que as Repúblicas do Congo, do Congo Democrático e Angola, assinaram um pacto de não-agressão e, em 1997, as tropas angolanas apoiaram o presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, a regressar ao poder na sequência de uma guerra civil. Mas, hoje, o cenário parece ser outro.

Uma repetição do passado?

FLEC

Bandeira da FLEC

Raul Danda recorda que "o regime de Angola já tinha enviado forças armadas para qualquer um dos dois Congos, para aquelas ações militares que todos conhecem. No início, dizia-se que não havia forças armadas angolanas nos Congos, era a informação oficial que circulava. Mas viu-se que não era verdade".

"Portanto", considera o político, "se, naquela altura, com tanta presença militar, se dizia que as Forças Armadas não estavam lá, agora o Governo angolano não vai dizer que 'sim, senhor, nós enviámos as nossas Forças Armadas'". "Nós não podemos estar a violar as fronteiras dos outros países e as leis internacionais, quaisquer que sejam os motivos", afirma Raul Danda.

O enclave angolano de Cabinda, que faz fronteira com o Congo a norte, é separado de Angola a sul por um pedaço do território pertencente à República Democrática do Congo, produz grande parte do petróleo do país, o segundo maior produtor da África subsaariana, depois da Nigéria.

Depois desta incursão dos militares angolanos no Congo, a tensão que sempre prevaleceu no enclave aumentou e a população está muito preocupada, de acordo com Raul Danda. "Mais uma vez é altura para reiterarmos o nosso apelo ao senhor Presidente da República para que a paz, a concertação, o diálogo que ele aconselha aos outros países, no quadro da resolução dos conflitos, seja também algo praticado por ele próprio", diz. E conclui: "Se o diálogo falasse mais alto, na tentativa de resolver o conflito de Cabinda, para se procurar uma solução pacífica, digna e dignificante, não havia necessidade de ir a Congo nenhum. Porque é que José Eduardo dos Santos não opta pelo diálogo com os cabindas? Resolveria a situação e seria um verdadeiro herói".

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