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Angola

Governador do MPLA incita violência contra a oposição

O governador da província angolana do Bié, Álvaro Boavida Neto (MPLA), é criticado por ter, num comício do seu partido, apoiado e encorajado a violência contra os militantes da UNITA, maior partido na oposição em Angola.

Numa gravação recentemente difundida pela Rádio Despertar e reproduzida pelo portal CLUB-K, o dirigente provincial do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido do Presidente José Eduardo dos Santos, assumiu publicamente que o seu partido recorreu e poderá recorrer sempre que necessário à violência contra os militantes do maior partido da oposição em Angola, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), em nome de uma suposta manutenção da paz.

O discurso do governador do Bié, Álvaro Boavida Neto, fazia referência aos recentes tumultos ocorridos entre partidários da UNITA e do MPLA que tiveram lugar naquela localidade.

"O MPLA no Cuemba bateu nos homens da UNITA. Nós estamos informados. Temos documentos, temos fotografias, temos gravações de tudo o que se passou no Cuemba, na Chindunba e numa localidade, o Sombe," revelou.

"Deram-lhes uma dose bem dada, mas deram-lhes mesmo uma dose bem dada," avaliou perante o público do comício.

José Eduardo dos Santos Angola Präsident

Analista angolano Reginaldo Silva diz não acreditar numa reação do Presidente José Eduardo dos Santos (foto), uma vez que o incidente se passou no interior do país

Ameaças

"E fizeram uma carta aberta, a queixar ao camarada Presidente, porque no MPLA não há democracia, que a administradora do Cuemba não quer nem a democracia nem a reconciliação nacional," pormenorizou o governador do Bié.

Boavida Neto fez ainda ameaças aos membros da UNITA ao declarar que "a UNITA tem abusado muito aqui em nosso território. Vão levar mais umas bofetadas."

Com essas declarações, fica registado o primeiro caso, desde que foi alcançada a paz em 2002, em que um dirigente de proa do partido no poder em Angola, Álvaro Boavida Neto, assume publicamente, ainda que de forma indireta, que o MPLA é um protagonista da intolerância política.

O jornalista e analista político, Reginaldo Silva, descreveu as declarações do governador do Bié como "particularmente agressivas à UNITA".

O analista político lembra ainda que "há um conjunto de acontecimentos particularmente graves" e avalia: "diria que estamos diante de uma postura política que é difícil de aceitar à luz, efetivamente, de todo o processo que Angola conhece".

Reginaldo Silva

Analista político e jornalista Reginaldo Silva (foto), avalia as palavras do governador do Bié como "difíceis de aceitar"

Reações em Luanda?

Questionado sobre se o MPLA e o Presidente da República deveriam pronunciar-se sobre o assunto, Reginaldo Silva disse considerar difícil, uma vez que "sabemos que o poder central normalmente não valoriza muito esses incidentes que têm lugar no interior."

Exceções seriam incidentes que "ultrapassem os limites". "Se é possível falar de limites quando há pessoas a serem vítimas de violência política, porque a própria violência política já é uma quebra dos limites aceitáveis em democracia," considerou.

A DW África, contatou o secretário do escritório político do MPLA para informação e propaganda, Mario António, mas não tivemos qualquer reação.

Enquanto isto, a UNITA publicou na sua página da internet uma lista bastante acusatória, na qual dá conta dos danos humanos e materiais causados em consequência da intolerância política contra os seus militantes na província do Bié.

O maior partido na oposição angolana dá ainda conta do falecimento de um bebé de dois meses, que teria sido morto à catananuma disputa política que teria envolvido elementos da JMPLA, braço juvenil do MPLA, e efetivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional (PN).

Ouvir o áudio 03:24

Governador do MPLA incita violência contra a oposição

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