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Internacional

General burundês anuncia destituição de Pierre Nkurunziza

Analistas comentam que a cimeira de Dar es Salaam em que o Presidente do Burundi participava pode ter sido um pretexto para afastar o chefe de Estado.

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Militares e população festejam, em Bujumbura, a destituição de Nkurunziza

O presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, deixou Dar es Salaam (Tanzânia), onde participava numa cimeira sobre a crise pré-eleitoral no seu país, após um general ter anunciado esta quarta-feira (13.05) a sua destituição.

"O Presidente Pierre Nkurunziza foi destituído das suas funções, o Governo foi dissolvido". Esta foi a declaração do ex-chefe dos serviços burundeses de segurança, o general Godefroid Nyombare, ao anunciar esta quarta-feira (13.05) a destituição do Presidente Pierre Nkurunziza.

O general Nyombare foi afastado do exército no passado mês de fevereiro pelo chefe de Estado, depois de ter aconselhado Nkurunziza a não se candidatar a um terceiro mandato, considerado inconstitucional pelos seus adversários políticos.

Entretanto a situação permanece tensa e confusa no Burundi, onde, segundo várias fontes noticiosas, concordantes afirmam que se torna difícil saber quem na verdade detém as rédeas do poder

"Foi uma autêntica explosão de alegria"

Militärputsch in Burundi

Os protestos do Burundi já duravam há semanas e causaram a morte a pelo menos 20 pessoas.

O analista político burundês, Paul Mahwera, disse à DW África que quando a população teve conhecimento da notícia, foi uma autêntica explosão de alegria, e acrescentou: "esperamos que a partir de agora a política que foi feita até hoje seja completamente diferente. Ela foi muito má e principalmente dominada pela criminalidade a todos os níveis: crimes de sangue, crimes económicos e crimes financeiros. Esperamos virar a página e iniciar uma era plena de esperança para a população burundesa, com base na boa governação e principalmente na grande responsabilidade daqueles que terão a tarefa de dirigir este país enquanto se aguarda a realização das eleições."

Para Jean-Jacques Wondo, especialista em geopolítica e questões militares na região dos Grandes Lagos, "o derrube de Nkurunziza poderá confirmar que estamos a assistir a uma segunda fase de alternância democrática em África, na qual o exército começa na verdade a ter uma função republicana, algo que todos esperam dele. Mesmo que seja um golpe de Estado, a ação dos militares enquadra-se na ideia de travar os dirigentes que querem violar a Constituição do seu próprio país"

Cimeira de Dar es Salaam terá sido um pretexto para afastar o Presidente?

Questionado sobre a ausência do país de Pierre Nkurunziza num momento em que o Burundi enfrentava uma onda de manifestações contra um terceiro mandato presidencial, Jean-Jacques Wondo disse que " não é de excluir a hipótese de que a cimeira de Dar es Salaam tenha sido realizada como um pretexto para afastar Nkurunziza de Bunjumbura e assim deixar o caminho livre. Sabe-se geralmente que essas cimeiras dos chefes de Estado africanos não chegam a conclusões palpáveis, e na maioria das vezes, esses encontros produzem somente declarações de intenção. O facto de Nkurunziza ter ido à Tanzânia e tendo em vista o papel geopolítico de Dar es Salaam que desde 2013 se transformou numa espécie de centro de gravidade regional, a hipótese do afastamento de Nkurunziza do poder com o consentimento de alguns dirigentes da região é um cenário que não se exclui".

Ouvir o áudio 03:40

General burundês anuncia destituição de Pierre Nkurunziza

O especialista em geopolítica e em questões militares na região dos Grandes Lagos disse ainda que nas últimas semanas a pressão internacional foi muito forte sobre Bujumbura, por forma conter o perigo da escalada da situação. "Isso preocupou a comunidade internacional porque para alguém que esteja numa dinâmica de permanecer no poder não vê todos os efeitos colaterais que a sua intransigência provoca. Centenas de pessoas podem morrer mas para ele, Nkurunziza, é poder pelo poder e não lhe interessa uma dinâmica pacífica."

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