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Internacional

Gabão: Primeiro o futebol, depois a democracia?

O Gabão acolhe a partir de sábado o CAN 2017. Governo garante que a instabilidade política e a crise económica no país não ensombrarão o campeonato deste ano. Mas nem todos pensam assim.

Quando se trata de futebol, por vezes a democracia fica na bancada. As eleições legislativas no Gabão estavam previstas para dezembro de 2016, mas foram adiadas para julho deste ano, por falta de verbas no Orçamento do Estado. Alguns observadores supõem que a decisão também esteja relacionada com a realização do Campeonato Africano das Nações (CAN), que arranca este sábado (14.01) no país. 16 seleções defrontam-se no torneio – a final está marcada para 5 de fevereiro.

"Temos de assegurar que os jogos correm bem", disse o ministro gabonês dos Negócios Estrangeiros, Pacôme Moubelet Boubeya, à DW África. É preciso garantir que jogadores e adeptos possam "celebrar o futebol", acrescentou.

Divisões políticas enraizadas

O Governo do Gabão também precisa que o campeonato corra bem para melhorar a sua imagem no exterior, manchada pelas presidenciais controversas de agosto último e pela posterior onda de violência no país.

Gabun Vereidigung von Ali Bongo Ondimba

Tomada de posse de Ali Bongo, a 27 de setembro de 2016

O Presidente Ali Bongo renovou, na eleição, o seu mandato com pouco mais de 50% dos votos. Mas o líder da oposição Jean Ping, ex-presidente da comissão da União Africana, não reconheceu a sua derrota, acusando o Governo de fraude eleitoral. A missão de observadores da União Europeia denunciou uma "anomalia evidente" nos resultados eleitorais. Por exemplo, no bastião do Presidente Bongo, Haut-Ogooue, a abstenção foi de apenas 1%, enquanto no resto do país rondou os 46%. Em Haut-Ogooue, 95% dos votos foram para Ali Bongo.

Várias pessoas morreram em confrontos após as eleições. A oposição falou em 26 mortos; o Governo confirmou a morte de três pessoas. Ambas as partes apelaram ao Tribunal Penal Internacional para investigar a onda de violência. Ainda assim, Bongo tomou posse para um segundo mandato, depois de uma decisão controversa do Tribunal Constitucional gabonês.

A oposição não acredita que este seja um momento adequado para receber o Campeonato Africano das Nações.

"A Taça das Nações Africanas deve ter lugar num país pacífico", disse o opositor Jean Ping à DW. "Os jogos vão refletir a situação do país anfitrião. O que aconteceu no Gabão foi como um golpe de Estado eleitoral, que ainda não foi investigado."

Estádios vazios?

Grupos da oposição têm ameaçado realizar protestos durante o campeonato, reforçando o medo de novos confrontos. Já o Governo insiste que os jogos decorrerão num ambiente seguro. "As medidas de segurança foram reforçadas", garantiu o chefe da diplomacia gabonês Pacôme Moubelet Boubeya.

Ouvir o áudio 02:50

Gabão: Primeiro o futebol, depois a democracia?

Por outro lado, a crise económica que o país atravessa, sobretudo devido à queda do preço do petróleo, poderá também fazer sentir-se nos estádios. Muitos bilhetes para os jogos não foram vendidos, apesar de estarem a ser vendidos entre o equivalente a 80 cêntimos de euro e 50 euros.

Em teoria, a Gâmbia é a terceiro país mais rico em África. O Produto Interno Bruto (PIB) do Gabão é o terceiro maior do continente. Mas há profundas desigualdades na distribuição da riqueza e quase um terço da população é pobre. A economia estagnou e a taxa de desemprego jovem é superior a 35%.

O ministro gabonês dos Negócios Estrangeiros acredita, no entanto, que os problemas económicos acabarão por ficar fora das quatro linhas: "A França organizou o Campeonato Europeu de Futebol não há muito tempo, e, numa comparação global, o país não estava numa melhor situação económica", disse Boubeya. "Em todos os países, há situações económicas difíceis. A decisão de organizar o CAN não foi tomada ontem, mas há anos atrás."

A seleção do Gabão estreia-se este sábado frente à Guiné-Bissau, o único país lusófono representado na competição.

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