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Moçambique

Futuro de Armando Guebuza em debate nas redes sociais

Alguns dos utilizadores discutem até que ponto o Presidente moçambicano cessante continuará a influenciar as decisões políticas no futuro. Questionam também se a política é o único interesse de Guebuza.

Esta semana, Armando Guebuza visita Itália e o Vaticano pela última vez como Presidente de Moçambique. O chefe de Estado cessante encontrou-se com o Papa, com governantes italianos e também com as chefias da petrolífera italiana ENI. No início do próximo ano, Guebuza cederá a cadeira presidencial depois de estar 10 anos no poder.

Em Roma, Guebuza também se encontrou com alguns moçambicanos na diáspora. O chefe de Estado cessante disse, em jeito de balanço, que vai "deixar a Presidência da República com um sentido de dever cumprido", segundo o canal público Televisão de Moçambique (TVM).

Mas o que acontecerá depois de Armando Guebuza deixar a Presidência moçambicana? Pretenderá exercer influência nas esferas de decisão em Moçambique? À DW África, Guebuza diz que é precisamente isso que pensa fazer. "Por que é que eu vou resistir? Por que é que todos os outros podem ter, menos eu?", disse o Presidente moçambicano numa breve entrevista a Rafael Belincanta, correspondente da DW em Roma, que também trabalha na Rádio Vaticano.

Pouco depois das eleições, a organização não-governamental OXFAM já falava num cenário futuro de "dois centros de poder". De um lado ficaria Armando Guebuza, na liderança da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Do outro lado estaria Filipe Nyusi, visto no país como o delfim de Guebuza e que foi declarado vencedor das presidenciais de outubro pelos órgãos eleitorais moçambicanos, apesar dos protestos da oposição que denunciou várias irregularidades no escrutínio.

Comentando esta questão, Ernesto Raiva escreve na página do Facebook da DW (Português para África) que o facto de Armando Guebuza deixar a Presidência não fará diferença nenhuma. "Dá na mesma. Ele continuará a ser Presidente de Moçambique. Ele será o controlo remoto de Nyusi". O utilizador Abdul Hassam também diz que "a FRELIMO está a fazer a passagem do bastão, correndo ainda mais uns metros (leia-se anos) ao lado de quem vai suceder e assegurando assim a continuidade. O receio é saber quanto tempo isto vai demorar, se acabará por ser feito com suavidade e como se vai portar o outro lado da democracia que cresce a olhos vistos."

O jornalista moçambicano Marcelo Mosse diz, porém, no Facebook que Nyusi poderá ser pressionado em múltiplas frentes: "Nos próximos meses, ainda vamos assistir a uma batalha campal, sempre em surdina, na Frelimo, onde os três dinossauros (Guebuza, Chipande e Chissano, este que tem mulher maconde, Marcelina, e é respeitado nessa etnia) vão tentar mandar em Nyusi", escreveu Mosse a 12 de novembro.

Negócios?

Mas será que a Armando Guebuza bastará a política? Num artigo assinado por Mosse no semanário moçambicano "Savana” de sexta-feira passada (28.11.2014) nota-se que o Presidente moçambicano "decidiu, diretamente, todos os aspetos cruciais do negócio do gás natural liquefeito (e do carvão) em Mocambique, incluindo a controversa adjudicação da Base Logística de Pemba" a um consórcio liderado pela nigeriana Orlean Investments, em que a filha Valentina tem uma participação.

No jornal pergunta-se ainda se "Guebuza também quer controlar o negócio do petróleo?"

O autor escreve que "nas derradeiras semanas antes de abandonar a Presidência de Moçambique, Armando Guebuza mostra que não quer deixar o poder sem ter uma palavra a dizer na escolha dos potenciais players no negócio provável de petróleo." Mosse contou à DW África que tem havido um debate "sobre até que ponto [Guebuza] deveria ou não deixar este tipo de decisões para o seu sucessor."

Na página da DW no Facebook, José Marques Simões recebeu mal a notícia, sobretudo tendo em conta que "o povo anónimo não tem dinheiro para pão e come um frango por mês!" O utilizador "Niz Abdul" é também bastante crítico, dizendo que, em Moçambique, "falta transparência e há desonestidade e irresponsabilidade na governação". Segundo ele, "ninguém pode se considerar dono do país".

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