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Internacional

Fusão de Bayer e Monsanto vista como ameaça aos mais pobres em África

A farmacêutica alemã Bayer comprou o fabricante de sementes e pesticidas Monsanto por 59 mil milhões de euros, depois de vários meses de negociações. Transação é vista com pessimismo por analistas.

A fusão da norte-americana Monsanto com a alemã Bayer é vista como a maior do ano no mundo dos negócios financeiros. Mas para África esta não é uma boa mensagem, defende Mariam Mayet, diretora do Centro Africano para a Biodiversidade, em Joanesburgo, África do Sul.

"A pressão sobre a África subirá para usar mais pesticidas e para cultivar produtos agrícolas geneticamente modificados, principalmente milho, soja e algodão," avalia Mayet.

A África do Sul é um dos poucos países no continente africano, onde o cultivo de vegetais geneticamente modificados não está autorizado, pese embora a Monsanto já controle o negócio do milho transgénico no sul de África e também em algumas partes da África Ocidental. Juntamente com a Bayer, uma das empresas alemãs com maior presença em África, o mercado pode expandir-se mais facilmente.

USA Sojabohnen

Muitos países africanos são particularmente dependentes de sementes. Na foto, grãos de soja

Ameaça para os mais pobres
Muitos países africanos são particularmente dependentes de sementes, pesticidas e fertilizantes na sua luta contra a fome e contra as pragas agrícolas. A entrada deste gigante em África pode representar uma ameaça, sobretudo para Estados mais empobrecidos, ao colocar as empresas agrícolas locais em xeque. Quem o diz é Wolfgang Jamann, secretário-geral da organização humanitária internacional Care International em Genebra.

"Olhamos para a fusão da Bayer e Monsanto com algum cuidado. Cerca de 60% do mercado de sementes é dominado pelas seis maiores agroindústrias. Esta concentração diminui a oferta de soluções para problemas locais," considera.


Jamann explica que "os pequenos agricultores, os produtores de alimentos essenciais, são na verdade quem necessita desta diversidade de soluções. No entanto, a Monsanto e a Bayer - como outras grandes empresas agrícolas - oferecem soluções altamente padronizadas, aos olhos do mercado europeu e norte-americano, e alinhados com os produtores do norte, não tendo essa flexibilidade necessária para a produção local".

Hauptsitz der Bayer AG in Leverkusen

Sede da Bayer em Leverkussen, na Alemanha

Possível subida nos preços
Há ainda um outro perigo: uma concorrência mais fechada no mercado de sementes pode conduzir a preços mais altos. Os agricultores locais já ganham pouco dinheiro com a produção agrícola. Sementes mais caras incrementariam as dificuldades em rentabilizar o negócio, diz Judith Helfmann, responsável da Associação da Indústria Alemã para o mercado africano.

"Sim, esta fusão representa riscos para os países africanos, mas também contra os próprios," afirma.

"Se tomarmos em conta o exemplo da Etiópia, algumas variedades de sementes não podem ser facilmente introduzidas sem os produtores locais. Por isso, a multiplicação das sementes deve continuar nas mãos de agricultores locais," defende Judith Helfmann.

Juntas, as duas empresas representam um volume de negócios anual de 23 mil milhões de euros e reúnem cerca de 140 mil trabalhadores.

Ouvir o áudio 03:20

Fusão de Bayer e Monsanto ameaça mais pobres em África

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