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Moçambique

Fundação alemã vai abrir escola de hotelaria em Maputo

Escola profissional pensada pela Fundação Cecília David Chemane vai combinar formação teórica e estágios em hotéis da capital moçambicana, para garantir um futuro estável a jovens com dificuldades financeiras.

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Alunos vão aprender a atender clientes, a servir à mesa e a fazer limpezas

A partir de 2015, a Fundação Cecília David Chemane promete abrir uma porta a jovens moçambicanos com dificuldades financeiras para prosseguirem os seus estudos. A organização sem fins lucrativos, baseada na Alemanha, vai criar uma escola profissional em Maputo, inspirando-se “sistema dual” alemão: a instituição vai formar jovens nas áreas da hotelaria e gastronomia, proporcionando, ao mesmo tempo, estágios em hóteis da capital moçambicana.

Em 2009, Raul e Inês Munguambe criaram a Fundação "Cecília David Chemane" com um objectivo claro: ajudar os moçambicanos a "ajudarem-se a si próprios". A aposta na formação como o caminho para um futuro estável traduz-se num projeto para construir uma escola profissional na área do turismo.

Estudar matemática e atendimento ao cliente

Mosambik Tourismus Strand von Bilene

Praia do Bilene, em Gaza, a 2 horas de Maputo, é um dos pontos turísticos do país.

A fundação espera que a escola esteja concluída e a funcionar em 2015, altura em que 60 jovens, com o 7º ano de escolaridade, poderão formar-se em hotelaria e gastronomia, de forma gratuita, estagiando, em simultâneo, em dois hotéis parceiros da organização. Desta forma, os jovens terão formação teórica e prática durante dois anos e meio de curso.

"A formação da escola será no mesmo sistema que temos aqui na Alemanha: o sistema dual", explica o moçambicano radicado na Alemanha Raul Munguambe. "Os alunos vão aprender contabilidade, matemática, a servir à mesa, etc. E como já temos dois hotéis que querem trabalhar connosco, os alunos vão estar lá e aprender a servir, a falar com o cliente, como trabalhar na recepção e como fazer limpezas".

Há 4 anos que Raul e Inês Munguambe procuram financiamento para realizar o sonho da Fundação Cecília David Chemane. Esta sexta-feira (20.09), em Berlim, tem lugar a gala anual de angariação de fundos da organização. O terreno para a escola, de 2 hectares, foi cedido pelo governo moçambicano e a construção deve começar já em dezembro. O projeto, de acordo com a fundação, será implementado por etapas, começando com um edifício escolar com 2 salas, um laboratório de informática, um salão de festas e uma padaria.

Ouvir o áudio 03:36

Fundação alemã vai abrir escola de hotelaria em Maputo

Garantir a auto-suficiência

No futuro, a organização espera conseguir expandir as instalações e tornar a escola auto-suficiente, com a ajuda da produção de pão e bolos pelos alunos, para além do alargamento das parcerias com unidades hoteleiras e restaurantes, nos quais os estudantes poderão praticar, oferecendo os seus serviços a estes estabelecimentos.

"Queremos ajudar estes jovens que não têm possibilidades de prosseguirem os seus estudos por causa da família ou por falta de dinheiro", afirma Raul Munguambe, acrescentando: "Queremos ajudá-los a terem uma profissão, para que consigam trabalhar e sustentar a sua família. Talvez, depois de fazerem este curso, já possam ir para a universidade”.

Inicialmente, a escola terá duas turmas de 30 alunos escolhidos consoante a sua situação financeira, escolar e familiar. De acordo com Raul Munguambe, a selecção será feita com a ajuda do Ministério da Juventude moçambicano e de uma organização social parceira da Fundação Cecília David Chemane em Moçambique.

Schule Schulklasse Maputo Mozambique

Munguambe critica estagnação do sistema escolar moçambicano. Na foto, uma sala de aulas de uma escola de Maputo.

"Falámos com os jovens e eles vão fazer testes na nossa escola. Vamos analisar a situação familiar e o seu currículo e é assim que vamos fazer a escolha, decidir se podem estar na nossa escola", explica o responsável.

"Há desenvolvimento mas o sistema escolar não mudou"

Em 1987, Raul Munguambe saiu de Moçambique com destino à Alemanha, onde vive, desde então. E viveu de perto a realidade dos jovens seus conterrâneos que pretende agora ajudar. “Eu também tive a ocupação destes jovens que só têm o 7º ano. E quando voltei a Moçambique, com a minha mulher, vi que o país ainda não mudou. Há desenvolvimento, sim, mas o sistema escolar ainda não mudou. Muitos desanimam depois do 7º ano porque não têm dinheiro. Vimos muitos jovens a trabalhar na machamba, a cultivar, a vender, mas não aprenderam um ofício. São ajudantes e, por isso, não têm um salário suficiente para sustentar a família".

"Horizontes abertos" é o lema da gala de angariação de fundos deste ano da fundação. E é de mente aberta que a organização parte para a construção desta escola profissional. A hotelaria foi a escolha óbvia para começar, consideram os responsáveis, já que o turismo é uma área em crescimento em Moçambique. Mas não querem ficar por aqui. No futuro, esperam conseguir formar cerca de 600 jovens por ano e oferecer cursos também na área da carpintaria, construção civil, comercial e seguros.

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