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Moçambique

FRELIMO suspeita de manipular media moçambicana antes das eleições

Em Moçambique, com a aproximação das eleições autárquicas (20.11.), exonerações nos media e imposição de uma suposta lista de comentadores da FRELIMO agitam a opinião pública. E boa parte da imprensa critica as medidas.

Supõe-se que a substituição de jornalistas e de líderes de alguns meios de comunicação estão a acontecer para que os seus substitutos falem a favor da FRELIMO, o partido no poder. A DW África entrevistou Tomás Vieira Mário, jornalista e analista político moçambicano sobre este novo quadro que se vive no seu país.

DW África: Como vê as exonerações que ocorrem ao nível da comunicação social em Moçambique?

Tomás Vieira (TV): Há um mês houve uma remodelação no Jornal Notícias, o maior diário de Moçambique. A substituição de Rogério Sitói, diretor de informação, criou muito celeuma nos jornais e sobre as razões que estiveram por trás da exoneração. Ele é um veterano nos media moçambicanos. E a isso seguiu-se, algumas semanas depois, a exoneração do diretor de informação do grupo privado SOICO, algo que provocou muita inquietação. Enquanto o primeiro caso é um órgão de capitais do Estado, era comprensível que o Estado tivesse mão forte neste órgão, mas este último já levantou muitas dúvidas.

DW África: E o que a oposição tem dito sobre esse tema?

Tomás Vieira: Curiosamente não temos ouvido reações da oposição. Quando aparece comenta como um cidadão comum. Infelizemnte não temos qualquer reação pública formal da oposição em relação a estes eventos. Tem havido comentários nos jornais, houve comentários no semanário Savana, no Canal de Moçambique, e outros no sentido de que há uma tendência de maior controlo político-ideológico e da liberdade de imprensa mesmo no setor privado da comunicação social. Agora, estes órgãos privados no fim do dia dependem da relação que as pessoas ou grupos têm ou poderão ter com o partido no poder.

DW África: A circulação de uma suposta lista de comentadores favoráveis à FRELIMO teria gerado alguma inquietude no país?

TV: Esse facto para mim não é espantoso. O que se pode notar é eventualmente uma tendência de haver em muitos órgãos de comunicação um certo monolitismo, uma vez que são as mesmas vozes a falarem sobre todos os assuntos e em todos os órgãos de informação. E isso, obviamente, empobrece a qualidade de informação e o debate democrático.

DW África: E sobre a nova lei de difusão que está a ser preparada em Moçambique, qual é a possibildade dessa legislação vir a proibir a retransmissão de programas internacionais, como aconteceu na Nigéria?

TV: Eu faço parte da comissão de harmonização das diferentes propostas que foram apresentadas no país. E o rascunho desta lei, que conheço muito bem, não contem nenhum elemento indiciando que as coisas possam caminhar nesse sentido.

Ouvir o áudio 03:57

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