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Moçambique

FRELIMO repudia "ações criminosas" que hipotecam a paz em Moçambique

A FRELIMO, repudiou "ações criminosas" que hipotecam a paz e minam esforços para desenvolver o país. Mas Afonso Dhlakama, líder da RENAMO já disse que "não é fácil" garantir que não haverá ataques durante o Natal.

Mosambik Bevölkerung empfängt Filipe Nyusi (DW/B. Jequete)

Foto ilustrativa: Comício da FRELIMO em Manica (2016)

"Enquanto temos um Governo legitimamente eleito que tem estado a envidar esforços para desenvolver ações que concorrem para a melhoria das condições de vida do nosso povo, temos assistido a algumas forças com interesse em desestabilizar o nosso país, pilhando hospitais, destruindo estradas e assassinando pessoas", afirmou o porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) numa declaração lida esta sexta-feira (23.12) na sede nacional do partido no poder, em Maputo.

Segundo António Niquice, trata-se de "ações criminais que devem merecer o devido repúdio", mas também ação das instituições que garantem a justiça e o Estado de direito democrático.

Sem nunca se referir diretamente à Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), maior partido de oposição, o porta-voz da FRELIMO observou que a paz é um bem coletivo e uma conquista de todos os moçambicanos, "não pode ser hipotecada por qualquer interesse" e está "acima de qualquer organização ou pessoas".

António Niquice destacou o papel do chefe de Estado, Filipe Nyusi, elogiando a sua "abordagem dialogante com todas as forças vivas da sociedade" e igualmente "as cedências que foi fazendo às exigências daqueles que condicionam a paz".

"Depois da tempestade vem a bonança”

Numa curta análise ao ano que passou, o dirigente político disse que "prevaleceu a resiliência e a austeridade" e exortou a população a partilhar a confiança de que, "depois da tempestade, vem a bonança". Niquice seguiu ainda o discurso dominante do Presidente moçambicano, apontando a necessidade de aumentar a produção interna para combater a insegurança alimentar, reduzir o desequilíbrio da balança de pagamentos por via de mais exportações e cativar divisas.

O ano de 2016 em Moçambique foi marcado pelo agravamento do conflito entre Governo e RENAMO, pelo forte aumento do custo de vida e pelo escândalo das dívidas escondidas, garantidas pelo executivo entre 2013 e 2014, à revelia do Parlamento e dos parceiros internacionais.

O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados pela violência militar, na sequência da recusa da RENAMO em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, considerando que a FRELIMO viciou o escrutínio para se manter no poder.

Os trabalhos da comissão mista das delegações do Governo e da RENAMO pararam na semana passada sem acordo sobre o pacote de descentralização exigido pela RENAMO para cessar a crise política e militar e os mediadores abandonaram Maputo, referindo que só regressarão se forem convocados pelas partes.

No discurso do Estado da Nação, na segunda-feira (19.12), o Presidente moçambicano disse que propôs à RENAMO a criação de um grupo técnico para debater a descentralização e reiterou a disponibilidade para se avistar com o líder da oposição, Afonso Dhlakama, em qualquer capital provincial do país.

Dhlakama diz que "não é fácil" garantir que não haverá ataques durante o Natal

O líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Afonso Dhlakama, disse na quinta-feira (22.12) que "não é fácil" garantir que não haverá ataques do braço armado do principal partido de oposição na quadra natalícia,  responsabilizando o Governo pela falta de uma "trégua".

"Não é fácil afirmar que não haverá ataques [durante a quadra natalícia]. Eu gostaria que isso não acontecesse, mas isso não depende só de uma das partes", afirmou Dhlakama, em entrevista ao diário O País.

 A RENAMO, prosseguiu o líder do principal partido de oposição, não pode garantir que não será alvo de ataques das Forças de Defesa e Segurança (FDS), o que torna inviável um compromisso de tréguas unilateral.

O líder da RENAMO assumiu a recente série de ataques atribuídos pelas autoridades moçambicanas ao abraço armado do movimento, incluindo a uma cadeia de onde se evadiram 48 reclusos, justificando a ação com a legítima defesa.

"Faz parte da defesa. Sabe que todos os dias somos atacados aqui [serra da Gorongosa, centro do país]. No dia 06, uma das bases [da RENAMO] foi atacada, e houve incursões para fazer uma ofensiva de grande envergadura contra a serra da Gorongosa", acrescentou Afonso Dhlakama.

Inviabilizada a possibilidade de uma trégua?

O líder da RENAMO disse que a proposta do Governo moçambicano de excluir os mediadores internacionais de uma comissão especializada criada para discutir questões sobre a descentralização da paz emperrou as negociações de paz entre o Governo e RENAMO e inviabilizou a possibilidade de uma trégua.

"Nós olhamos isso com desconfiança, porque isso aparece depois de os mediadores terem ajudado e trabalhado com a FRELIMO e a RENAMO, sendo que as coisas estão maduras e há esta proposta de afastá-los?", questionou o líder da RENAMO.

Noutra entrevista, publicada quarta-feira (21.12) pelo semanário Canal de Moçambique, o presidente da RENAMO acusou a FRELIMO, de pretender levar a força de oposição a perder a cabeça e a agir no desespero, ao promover assassínios políticos.

"A FRELIMO quer levar a RENAMO a perder a cabeça e agir no desespero. Que a RENAMO diga que isto é brincadeira e que nós já não queremos mais", afirmou Dhlakama.

Mosambik, Oppositionspartei Renamo (DW/L. Matias)

Jeremias Pondeca, (esq).

O líder do principal partido de oposição declarou que a FRELIMO não quer as negociações de paz, acusando o partido no poder de ser responsável pelo homicídio em outubro de Jeremias Pondeca, negociador da RENAMO no atual processo de paz. "Por isso mesmo, quando assassinaram Jeremias Pondeca, todo o mundo ficou com medo de que [Afonso] Dhlakama poderia romper as negociações, mas fiz declarações à imprensa a dizer que não, embora tenha acontecido isso", afirmou o dirigente da RENAMO.

Reiterando a acusação de que a FRELIMO não está a ser séria no processo negocial, Afonso Dhlakama assinalou que a alternativa é continuar o diálogo político e que essa é a via para vingar Jeremias Pondeca.
 

  

 

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