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Angola

FMI vê como “preocupante” reduzido crescimento económico de Angola e alta inflação

Os atrasos nos pagamentos do Estado angolano, a situação da banca nacional ou a dívida pública do país são assuntos que uma delegação do FMI começou a abordar com o Governo, em Luanda, a partir desta quinta-feira.

Os atrasos nos pagamentos do Estado angolano, a situação da banca nacional ou a dívida pública do país são assuntos que uma delegação do FMI começou a abordar com o Governo, em Luanda, a partir desta quinta-feira.

O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Angola vê como "preocupante" o reduzido crescimento da economia angolana e o nível da inflação no país, que está nos 40 por cento ao ano.

A posição foi transmitida aos jornalistas por Ricardo Velloso, cuja missão do Fundo que lidera iniciou esta quinta-feira (03.11.), em Luanda, reuniões com o Governo angolano e administração de várias empresas públicas, a decorrerem até 17 de novembro, ao abrigo dos contactos bilaterais anuais .

O economista brasileiro classificou como preocupantes os atuais níveis de crescimento económico do país - previsão do Governo de 1,1% em 2016 e 2,1% em 2017 -, assegurando que esta missão do FMI vai trabalhar com as autoridades angolanas para que "volte a acelerar-se".

 "O crescimento económico está ainda em níveis muito baixos, muito aquém do desejado", disse.

Crise profunda desde 2014

Angola é o maior produtor de petróleo em África, mas vive desde o final de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo.

 A "inflação elevada", decorrente do atual cenário de crise no país, é outra das "preocupações" que o FMI traz para esta visita a Angola.

"Tem alguma explicação do ponto de vista da desvalorização cambial e também dos ajustes que foram feitos, necessários, aos preços dos combustíveis", apontou Ricardo Velloso, que falava após reunir-se na sede do Ministério das Finanças, em Luanda, com a equipa económica do Governo angolano.

Missão do FMI depois de Luanda ter recusado um programa de assistência

A agenda desta missão do FMI - que surge quatro meses após o Governo ter recusado um programa de assistência que antes pediu à instituição, aquando do agravamento da quebra da cotação do petróleo, no primeiro semestre do ano - prevê a discussão com as autoridades angolanas da evolução do quadro fiscal e da dívida pública, bem como "os últimos desenvolvimentos do setor bancário" ou os pressupostos para Orçamento Geral de Estado (OGE) de 2017.

Segundo o Ministério das Finanças, nestas reuniões com a missão do FMI serão também analisadas as projeções dos indicadores económicos para 2017, bem como estimativas para o crescimento do setor petrolífero e não petrolífero.

A missão do FMI presente em Luanda vai ainda discutir com a equipa económica governamental "aspetos ligados" às operações do Governo no mercado de títulos e cambial, a gestão das reservas internacionais líquidas, a gestão da tesouraria, "incluindo a evolução das contas a pagar e pagamentos atrasados", entre outros assuntos.

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