Falta de regulamentação no Japão pode comprometer proibição do comércio de marfim na China | Moçambique | DW | 04.01.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Falta de regulamentação no Japão pode comprometer proibição do comércio de marfim na China

A decisão pode ter impacto significativo em Angola e Moçambique, que nos últimos anos se tornaram destinos de referência na caça ao elefante.

A ausência de regulamentação no Japão contra o comércio do marfim poderá tornar menos efetiva a proibição da compra e venda do material na China, advertiu a Traffic, uma Organização Não Governamental (ONG) de conservação da vida selvagem.

"A ausência de regulamentação efetiva no Japão contra o comércio do marfim permite que produtos derivados do marfim sejam sistematicamente adquiridos por visitantes e intermediários chineses", indicou um relatório da Traffic, divulgado no final de dezembro.

Hongkong konfiziert 7 Tonnen Elfenbein (Reuters/B. Yip)

Foto ilustrativa: Apreensão de 7 toneladas de Marfim em Hong Kong (julho de 2017)

Entre 2011 e 2016, as alfândegas chinesas apreenderam 2,42 toneladas de marfim importado ilegalmente do Japão, segundo dados citados pela imprensa chinesa. "Se esta situação continuar, irá minar o cumprimento da nova interdição aprovada pela China", apontou a TRAFFIC.

Chineses principais clientes de produtos de marfim

O relatório, intitulado "Ivory Towers: An Assessment of Japan's Ivory Trade and Domestic Market", tem como base entrevistas com vendedores de marfim nas cidades japonesas de Tóquio, Osaca e Quioto, realizadas entre maio e setembro de 2017.

Vários entrevistados afirmaram que os chineses são os principais clientes e que muitos destes são intermediários, à procura de produtos de marfim para outros clientes na China.

Um dos vendedores citados no relatório afirmou que o marfim pode ser facilmente contrabandeado para a China continental através da fronteira em Hong Kong ou do porto de Xangai, onde o controlo aduaneiro é alegadamente menos restrito.

Uma pesquisa por produtos de marfim na página de compras da versão japonesa do portal Yahoo gera 58.300 resultados, a maioria selos de marfim ou símbolos budistas.

Containerhafen von Schanghai (picture-alliance/dpa/dpaweb/A. Tu)

Porto de Xangai (China)

Produtos de marfim são vistos na China como símbolos de estatuto, enquanto esculturas naquele material são parte importante da cultura e arte tradicionais da China Antiga.

A China, o maior consumidor mundial de marfim, baniu desde o início do ano todo o comércio e transformação de marfim.

A proibição, que havia já sido anunciada em 2016, abrange também o comércio eletrónico e as recordações adquiridas no estrangeiro.

Antes da entrada em vigor da nova lei, o Governo chinês lançou várias campanhas de sensibilização, e o preço de pressas de elefante caiu 80% no país.

A agência oficial chinesa Xinhua indicou que, ao longo de 2017, fecharam 67 lojas e oficinas envolvidas no comércio de marfim.

Impacto em Angola e Moçambique

Getöteter Elefant im Niassa-Park (E. Valoi)

Elefante abatido por caçadores furtivos na Reserva Nacional do Niassa - Moçambique (2013)

A decisão pode ter impacto significativo em Angola e Moçambique, que nos últimos anos se tornaram destinos de referência na caça ao elefante.

Em Moçambique, entre 2011 e 2015, a caça furtiva custou à reserva do Niassa (norte) sete mil elefantes. A caça furtiva ameaça de extinção o elefante e o rinoceronte em Moçambique, de onde são traficados pontas de marfim e cornos de rinocerontes para a Ásia.

Em Angola, as autoridades queimaram cerca de 1,5 toneladas de marfim, bruto e trabalhado, em junho passado. A quantidade, apreendida em diferentes pontos do país enre 2016 e 2017, podia valer no "mercado negro" perto de um milhão de euros. 

Existem atualmente cerca de 450.000 elefantes no continente africano, calculando-se em mais de 35.000 os que são mortos anualmente.

Leia mais