Falta de dinheiro deixa estudantes angolanos por conta própria na Rússia em desespero | Angola | DW | 18.12.2017
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Angola

Falta de dinheiro deixa estudantes angolanos por conta própria na Rússia em desespero

Estudantes angolanos por conta própria na Rússia dizem estarem abandonados à sua própria sorte. Os visados acusam a embaixada de Angola em Moscovo de "tratamento desigual" e clamam pela ajuda imediata das autoridades.

Russland, Kussokila Albashir, angolanischer Student (Kussokila Albashi)

Estudantes angolanos na Rússia. Kussokila Albashir (centro)

São mais de cem, os alunos angolanos não bolseiros a residirem na Rússia. Eles foram por conta própria e nunca tiveram bolsas de estudos e outros tipos de apoios.

Escolheram estudar na Rússia por esta oferecer um sistema de ensino "bom, barato e baixo custo de vida". Mas, as coisas não têm dado certo, nos últimos três anos, para a maioria deles, devido a falta de transferências bancárias, pois os seus familiares em Angola têm dificuldades para os enviar dinheiro.

O problema com os envios de dinheiro começou em 2015, devido à crise económica que afeta Angola.

Por causa disso, estão a passar por problemas graves nas universidades e alguns já foram expulsos. Há ainda, casos de "prostituição” por parte de algumas alunas para poderem terminar o curso e obstáculos com a alimentação, diz em entrevista à DW África, o representante da Organização dos Estudantes angolanos por conta própria na Rússia, Kussokila Albashir. 

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Falta de dinheiro deixa estudantes angolanos por conta própria na Rússia em desespero

"Temos irmãs nossas que estão a se prostituir, a fim de poderem concluir os seus estudos. Temos estudantes que estão a ser expulsos, porque não pagaram a Universidade, não renovaram os vistos, não têm seguro de saúde, que é obrigatório. Temos estudantes que faltavam mais ou menos um mês para fazer a suas defesas e voltar para Angola com o diploma, mas foram expulsos, porque não tinham como pagar”, afirma o estudante.

Albashir explica que tem sido muito difícil para os familiares em Angola enviar dinheiro, porque têm que se descolar aos países vizinhos, por não ser possível realizar a transacção a partir de Angola.

Pedido de "socorro" negado

Desde  2016, conforme  conta Albashir,  já efetuaram vários contatos com as autoridades angolanas, nomeadamente, a embaixada de Angola em Moscovo, o Ministério do Ensino Superior e o Banco Nacional de Angola, mas sem respostas. Este acusa a embaixada de tratamento desigual e questiona o seu papel: "como é que uma embaixada que tem um órgão que, por lei, tem que zelar por todos os cidadãos angolanos num determinado país e vem a resposta que "a gente trata dos estudantes bolseiros”. E qual é o órgão que trata dos estudantes não bolseiros?”.

Ana Armando, estudante do primeiro ano do curso de Eletrotecnia, acrescenta que a situação dos estudantes não bolseiros angolanos na Rússia é muito difícil. Avançou à DW África que, há duas semanas, publicaram nas redes sociais, uma carta aberta ao Presidente angolano, João Lourenço.

Russland, Kussokila Albashir, angolanischer Student (Kussokila Albashi)

Kussokila Albashir, representante dos estudantes angolanos por conta própria na Rússia

A jovem apela as autoridades angolanas a arranjarem meios para que os seus familiares os enviem dinheiro.

Armando desabafa que estão se sentido abandonados pelas autoridades do país de origem, assegurando que, "a situação tem sido complicada.... os nossos familiares têm encontrado muitas dificuldades para fazer o envio de dinheiro aqui na Rússia. Pedimos, por favor, que olhem por nós... acho que não nos podem deixar abandonados aqui, porque nós estamos a sentir abandonados”.

Embaixada  não comenta o caso

A DW África contatou, por várias vezes, a Embaixada de Angola em Moscovo para ouvir a sua versão, mas ninguém mostrou-se disponível a comentar o assunto, alegando que não tinham autorização para tal.

 Nos últimos tempos, tem sido recorrente casos de denúncias por partes de estudantes angolanos no estrangeiro, relacionados com a falta de transferências bancarias e o não pagamento dos montantes referentes às bolsas de estudos pelas autoridades angolanas.

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