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Moçambique

Falham negociações e ecoam apelos internacionais à paz em Moçambique

Após dois meses suspensas, as conversações entre o Governo e a RENAMO deveriam retomar esta segunda-feira (13.01) mas voltaram a falhar. A União Europeia e o Japão apelam a um diálogo político genuíno.

A União Europeia (UE), o principal parceiro de Moçambique, e o Japão acabam de juntar-se ao coro de vozes que apela a uma rápida solução pacífica para a tensão político-militar em Moçambique.

A Alta Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Catherine Ashton, manifestou, em comunicado, preocupação com o eclodir da violência causada pela movimentação na província sul de Inhambane de homens armados, supostamente da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), o maior partido da oposição.

Catherine Ashton observa que este desenvolvimento representa um alargamento da insegurança do centro de Moçambique a áreas do sul do país. Condena o uso da força como meio de atingir fins políticos e lamenta a perda de vidas e a deslocação de populações locais devido ao clima de insegurança.

EU Außenministertreffen in Brüssel am 21. August 2013

Catherine Ashton, Alta Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, está preocupada com a violência em Moçambique

A representante da UE insta ao fim imediato dos ataques a civis e a forças de segurança governamentais. Apela também a que a RENAMO e o Governo estabeleçam, sem demora, um processo de diálogo político genuíno e construtivo com vista a alcançarem resultados concretos no sentido da reconciliação pacífica.

Ashton alerta ainda para o facto de que a deterioração da situação político-militar ocorre nas vésperas do início do recenseamento para as eleições gerais e legislativas, previsto para dia 30 de janeiro.

O Japão, que acaba de anunciar este fim de semana uma ajuda de quase 500 milhões de euros a Moçambique, apelou igualmente à intensificação do diálogo para a solução pacifica da tensão político-militar no país. O primeiro-ministro nipónico, Shinko Abe, terminou a vista a Moçambique que decorreu entre os dias 11 e 13 de janeiro.

Oldemiro Baloi, mosambikanischer Außenminister

Oldemiro Baloi, chefe da diplomacia moçambicana, reconhece a preocupação da comunidade internacional sobre a tensão político-militar no país

Assim, torna-se visível "um grande empenho, no sentido de ver este problema resolvido, por parte de todos os nossos amigos. O próprio primeiro-ministro do Japão, no encontro que teve com o Presidente da República, inteirou-se sobre o que se estava a passar e apelou à intensificação de esforços sempre pela via do diálogo", confirmou à imprensa o ministro dos Negócios Estrangeiros moçambicano, Oldemiro Baloi.

Continua tudo em águas de bacalhau

Ainda esta segunda-feira (13.01) falhou mais uma ronda de negociações entre o Governo e a RENAMO, que se encontram suspensas há mais de dois meses.

Saimon Macuiane und RENAMO-Delegation

Saimon Macuiane, porta-voz da delegação negocial da RENAMO, garante que o partido quer dialogar com mediadores

O principal partido da oposição garante que continua disponível para dialogar: "a RENAMO estará presente nas negociações com o Governo a qualquer hora quando o senhor Presidente da República responder ao ofício solicitado a pedir a contribuição da RENAMO em torno do princípio de mediação e observação nacional e internacional bem como das propostas de indigitação de mediadores e observadores", afirmou Saimone Macuiane, porta-voz da delegação negocial daquele partido.

Do outro lado, os representantes do Executivo de Maputo reiteram que as duas partes devem discutir antes, em sede de conversações, os termos de referência dos observadores nacionais.

"Nós recebemos a carta da RENAMO, que praticamente diz a mesma coisa, e nós mantemos a nossa convicção de que todas as questões de facilitação do diálogo que a RENAMO tem em mente devem ser colocadas na mesa de diálogo", defende Gabriel Muthisse, chefe adjunto da delegação governamental.

Ouvir o áudio 03:22

Falham negociações e ecoam apelos internacionais à paz em Moçambique

Os últimos meses têm sido marcados pela intensificação de ações armadas em Moçambique.

Relatos sobre o mais recente incidente, ainda não confirmados por fontes oficiais, indicam que confrontos registados no fim de semana entre forças governamentais e homens armados da RENAMO na região de Pembe, em Homoíne, província de Inhambane, saldaram-se em dezenas de mortos e feridos.

Nas províncias de Sofala (centro) e Inhambane (sul), milhares de pessoas já abandonaram as suas zonas de origem, temendo confrontos, à procura de locais mais seguros.

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