1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Exploração de recursos gera mais frustração que resultados em Moçambique

As indústrias extrativas geraram otimismo, mas pouco trouxeram aos moçambicanos, cujo bem-estar tem sido afetado. E mais de metade da população continua a viver na pobreza, revela um estudo da Fundação Friedrich Ebert.

default

Mineiros procuram turmalinas (uma pedra preciosa) em Mogovolas, província de Nampula

Moçambique teve um crescimento de 7,5 % do Produto Interno Bruto (PIB), em 2012, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e deverá manter esse ritmo até 2017.

No entanto, apesar de mais de uma década de crescimento económico acentuado, o país continua sem conseguir transformar a estrutura da sua economia, conclui o estudo "Transformação Económica em Moçambique – Implicações para a Segurança Humana", elaborado pela investigadora Katharina Hofmann da Fundação alemã Friedrich Ebert (FES, na sigla em alemão), em Maputo.

A descoberta e exploração de recursos naturais, como o gás e o carvão mineral, atraem um crescente investimento estrangeiro ao país. Porém, para já, as expectativas dos moçambicanos são bem maiores que os benefícios que têm tido com a indústria extrativa, afirma Katharina Hofmann, sublinhando que o problema das economias extrativas é que frequentemente não geram emprego para a população local.

Ouvir o áudio 03:31

Exploração de recursos gera mais frustração que resultados em Moçambique

“O que significa que há multinacionais estrangeiras que entram no país, trazem trabalhadores qualificados e o problema é que as pessoas que vivem nessas áreas não beneficiam verdadeiramente dos recursos”, observa.

Se, por um lado, a entrada das grandes empresas internacionais põe a nu a falta de qualificação da mão-de-obra moçambicana, por outro, deve ser uma oportunidade para o Governo apostar na educação e formação de uma população jovem (a maioria tem menos de 35 anos), recomenda o estudo da FES.

Bem-estar da população afetado

A exploração dos novos recursos também tem afetado negativamente o bem-estar e a segurança da população moçambicana, tanto nas zonas rurais - por exemplo, com os problemas gerados pelo reassentamento de comunidades - como nas áreas urbanas.

Arbeit in Mosambik

Governo moçambicano devia apostar na formação da população, recomenda a Fundação Friedrich Ebert

“Está a verificar-se uma grande procura de apartamentos e os preços sobem, que é o que normalmente acontece quando se descobrem recursos e quando há investimento direto estrangeiro”, diz Katharina Hofmann, lembrando que os custos aumentam para as pessoas comuns que vivem nas cidades e nas áreas rurais. “É um desafio para as pessoas porque os preços sobem, mas os salários não”, salienta.

Como agravantes deste mal-estar na sociedade, a investigadora da FES aponta ainda a falta de comunicação da elite política para com a sociedade e a corrupção. “Há claramente falta de transparência em relação aos contratos [com as grandes empresas], e há grupos da sociedade civil a exigir que sejam públicos”, observa, defendendo ser importante que as empresas consultem não apenas os governos, mas também organizações da sociedade civil.

Hofmann defende ainda “que o investimento direto estrangeiro entre no Orçamento de Estado e não nos bolsos de algumas pessoas, num sistema de corrupção”. Dessa forma, acrescenta, o investimento estrangeiro poderia ser usado para programas de educação, formação e investimentos sociais.

Potencial de conflito elevado

Num país em crescimento económico e transformação social rápidos, mas com alterações políticas lentas, o potencial de conflito em Moçambique é elevado, alerta Katharina Hofmann. A investigadora da Fundação Friedrich Ebert lembra que um conflito não tem necessariamente de ser negativo, podendo até ser construtivo se servir para mudar políticas e aumentar a participação das pessoas na política e na economia.

Atendendo a exemplos de outros países, Hofmann diz que, tendencialmente, o sector extrativo gera dependência e negligencia a diversificação da economia. A investigadora aponta como caminho uma aposta maior na agricultura e no turismo. Além disso, pela sua natureza, a indústria extrativa tende ainda a prejudicar o meio ambiente, o que também afeta negativamente a segurança humana, acrescenta Katharina Hofmann.

Tendo em conta o crescimento económico, estimativas revelam que, dentro de cinco a dez anos, Moçambique deverá tornar-se um país de desenvolvimento médio, deixando a dependência de doadores internacionais, que atualmente contribuem com cerca de 35% do Orçamento de Estado.

Bildergalerie Mosambik Abbau Rohstoffe

Extração de areias pesadas em Moma, na província moçambicana de Nampula

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados

Downloads