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NOTÍCIAS

EUA e PALOP têm interesses mútuos na cimeira de Washington

Representantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa contam-se entre os participantes da cimeira EUA-África. Analistas consideram que EUA e países lusófonos partilham interesses semelhantes nesta cimeira.

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Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, encontra-se com o vice-Presidente angolano, Manuel Vicente

Antes de partir para a capital norte-americana, o chefe da diplomacia angolana, George Chikoti, esteve na cidade da Praia, em Cabo Verde, onde falou sobre as suas expectativas para a cimeira que tem como lema "Investir na próxima geração”.

“Sei que há um programa relacionado com a juventude que poderia ser bom se a formação fosse mais longa e com cursos eventualmente mais concretos”, considerou Chikoti, acrescentando que a cimeira pode ser “uma boa base de discussão para o futuro com todos aqueles que querem apoiar o continente africano, particularmente, os Estados Unidos da América”.

Apesar das questões sociais e de segurança, nomeadamente a violência na Nigéria causada pelo grupo Boko Haram ou a guerra civil no Sudão do Sul, a cimeira Estados Unidos – África tem também uma forte componente económica.

Um olhar diferente sobre Angola

José Eduardo dos Santos Angola Präsident

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, não está presente na cimeira, tendo enviado o vice-Presidente

Tal como S. Tomé e Príncipe, Angola não se faz representar pelo chefe de Estado em Washington. José Eduardo dos Santos enviou, em sua representação, uma comitiva chefiada pelo vice-Presidente Manuel Vicente. Independentemente disso, a cimeira é uma oportunidade de os dois países reforçarem relações, na opinião do economista e professor na Universidade Católica de Angola, Manuel Alves da Rocha.

"Evidentemente que os EUA olham para Angola de uma maneira diferente daquela de há 10 ou 15 anos atrás”, começa por explicar o analista. O motivo, segundo Alves da Rocha, é “a capacidade que Angola tem demonstrado não apenas de reorganizar a sua economia, mas também pela influência que vai exercendo na África Subsaariana - muito embora, do ponto de vista político, as oportunidades e as aberturas possam não ser as mesmas do que as que existem no domínio económico e financeiro”.

O gigante asiático: um rival de peso para os EUA

China Xi Jinping und Mosambik Armando Guebuza in Peking 13.05.2013

Presidente moçambicano, Armando Guebuza, e Presidente chinês, Xi Jinping, num encontro oficial em Pequim, em 2013

Com esta cimeira, os Estados Unidos pretendem fortalecer a presença em África, continente que tem relações mais consolidadas com a União Europeia, mas, sobretudo com a China. Para o professor Manuel Alves da Rocha, os Estados Unidos estão ainda muito longe do sucesso que o gigante asiático tem em África e, em particular, em Angola, uma vez que “o regime angolano se sente muito mais próximo do regime político chinês”.

"As facilidades que a China dá a Angola e aos países africanos são muito maiores e isentas, praticamente, das condicionalidades que o Ocidente impõe aos países africanos”, explica o analista, concluindo que, por isso, “a presença chinesa em África e em Angola aumenta”.

“A maior parte das empresas de construção civil que estão em Angola são chinesas. Já há muita imigração chinesa aqui. A comunidade chinesa está estimada em 300 mil pessoas e tudo isto abona, no sentido de haver maior facilidade de negócios e financiamento”, exemplifica Manuel Alves da Rocha.

Em Moçambique, contudo, o analista moçambicano Silvério Ronguane considera que as relações com os Estados Unidos são mais amplas e sólidas do que com a China, uma vez que “há uma ligação [com os EUA] muito mais profunda e que abrande muito mais áreas, que se estende da economia à política, passando pela cultura e a área social. Não assistimos a esta relação com a China porque, com a China, as relações são puramente económicas”.

Potencial ainda por explorar

Ouvir o áudio 04:51

EUA e PALOP têm interesses mútuos na cimeira de Washington

Apesar das ameaças à segurança internacional na costa oriental do continente africano, o analista Silvério Ronguane duvida que Moçambique faça esforços, na cimeira, no sentido de reforçar a cooperação em matéria de segurança com os Estados Unidos. “Estamos nesta rota do Oriente, uma rota efetiva de terrorismo internacional”, explica Ronguane, considerando que, “por isso, seria desejável que se reforçassem ainda mais os laços de cooperação”. No entanto, o analista diz-se “um pouco céptico, porque a herança marxista ainda pesa muito nas cabeças e na visão geoestratégica e geopolítica do Governo de hoje em Moçambique”.

Moçambique e Angola ocupam lugar de destaque no seio dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, organização que, de acordo com o economista e professor angolano, Manuel Alves da Rocha, tem um papel cada vez mais relevante em acontecimentos internacionais, como a cimeira nos Estados Unidos.

“É um espaço geográfico que encerra uma potência energética notável. Temos países produtores de petróleo, gás, carvão. Evidentemente que isto confere à CPLP um papel que ainda nem sequer foi explorado nas relações entre a Europa e África ou mesmo entre África e os EUA”, conclui.

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