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Internacional

Etiópia: Telefone mais simples, a escolha mais inteligente?

O World Mobile Congress, a maior feira de telemóveis do mundo, decorre em Barcelona, Espanha. Entre as novidades, o regresso do Nokia 3310. Telemóveis simples estão entre os preferidos em África: são robustos e baratos.

Melaketsehay Melese tem 33 anos e vive em Addis Abeba, capital da Etiópia. É conhecido entre amigos e colegas por ser um especialista em tecnologia. Como tem dois trabalhos, como designer gráfico e programador informático, está familiarizado com as mais recentes novidades do setor. Frequentemente é visto a utilizar o tablet para pesquisar na internet. Mas o espanto é quando mostra o seu telemóvel.

Ao contrário dos amigos e colegas, Melaketsehay Melese não optou por um smartphone elegante e leve. O telefone nem parece ser de uma marca conhecida. Tem apenas as funções básicas de um telefone: fazer chamadas e enviar mensagens. O telefone permite ainda utilizar dois cartões SIM.

Resistência

Para os profissionais em Addis Abeba como Melese, os telemóveis, de forma geral, são mais do que um meio de comunicação. São também um símbolo de posição social. Mas apesar da pressão, Melese está a rumar contra a maré com o seu telefone. Uma escolha para a qual tem razões simples."Pode funcionar muitos dias sem ser preciso carregar. A bateria é melhor. É resistente e pode sobreviver a quedas", explicou à DW.

Na Etiópia, a rede móvel é irregular e também há falhas de energia com frequência. Nestas situações, os aparelhos mais simples podem ser mais confiáveis. "Mesmo com estes dois obstáculos, o telefone permite comunicar", afirma Melese.

Mobile Telefon von King ok558 (Tesfalem Waldyes Erago)

Telemóveis mais simples são os mais procurados

Nas zonas rurais da Etiópia, onde os cortes de energia e os problemas de rede são mais comuns do que na cidade, não demorou muito para que os telemóveis, que têm mais funcionalidades para além de fazer telefonemas ou enviar mensagens escritas, se tornassem populares. Mesmo os agricultores, que não têm eletricidade nas suas aldeias, estão ansiosos por comprar telefones. Uma vez carregada a bateria numa cidade próxima, os telemóveis podem ser usados por duas a três semanas.

Estes aparelhos podem ser ainda uma fonte de luz elétrica depois de escurecer. Os rádios também funcionam bem e alguns aparelhos permitem mesmo aceder à internet.

Além de todos estes benefícios, são aparelhos baratos. De acordo com os vendedores, estes telefones podem custar entre 400 birr (o equivalente a 17 euros) e 600 birr (25 euros). Os modelos melhores podem custar apenas 1000 birr (40 euros).

Na Etiópia, 80% da população, estimada em cerca de 100 milhões, vive nas zonas rurais. Por isso, o custo dos aparelhos é um factor importante a ter em consideração no momento da compra.

Ali Hussein é proprietário de uma loja de telemóveis e acessórios, na cidade de Dessie, a cerca de 400 quilómetros a norte de Addis Abeba. Conta que há uma grande procura destes telemóveis por parte dos residentes das zonas rurais.

"As vendas são melhores. Porquê? Porque tem melhores serviços. Apesar da qualidade se ter tornado baixa, atualmente tem mais consumidores do que outros produtos. Os consumidores pedem-no", explica Hussein.

15% da população tem smartphone

Este tipo de telefone não é apenas popular na Etiópia, mas também na África subsaariana.

Segundo um estudo realizado pelo Centro Pew em sete países subsaarianos em abril de 2015, apenas 15% da população possui um smartphone, enquanto 65% das pessoas têm um telemóvel com funcionalidades mais básicas.

Nas zonas urbanas da Etiópia, muitos usam estes telefones como segundo aparelho. Comerciantes, condutores, trabalhadores de organizações não-governamentais e aqueles que realizam trabalho de campo preferem esses telemóveis como reserva.

Nigeria Social Media Smartphone (Imago/Westend61)

Smartphones menos populares, segundo estudo do Centro de Investigação Pew

Os fãs de smartphone têm sido conhecidos por gozar com estes aparelhos, referindo-se a eles como walkie-talkies. Aparelhos que eram volumosos e tinham duas vias de rádio - foram usados pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial.

Outros apelidaram estes telefones de Dangote, em associação aos sacos de cimento produzidos pela companhia do bilionário Aliko Dangote.

Melaketsehay Melese encolhe os ombros face aos comentários que ouve sobre a dimensão do seu telefone preferido.

"O volume não me envergonha. Se alguém se esquecer dele em algum lugar, vai lembrar-se de imediato, porque vai sentir que o bolso ou o saco está mais leve. Portanto, nunca o perdi", observa Melese.

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