1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

São Tomé e Príncipe

Estudantes são-tomenses ajudam Portugal a acabar com desertificação humana

Vila de Rei, em Portugal, acolhe um grupo de estudantes da Ilha do Príncipe que está a concluir os estudos. Uma forma que a autarquia encontrou para resolver o problema de desertificação humana.

default

Estudantes de São Tomé e Príncipe Biblioteca Municipal da Vila de Rei, Portugal

Os jovens estudantes de São Tomé e Príncipe estão a concluir os seus estudos secundários e universitários em Vila Rei, distrito de Castelo Branco, em Portugal. Estão no país ao abrigo de um protocolo assinado com o Governo da Região Autónoma do Príncipe.

De acordo com o presidente da Câmara Muncipal da Vila de Rei, Ricardo Reis, este projeto está aberto aos outros países africanos lusófonos, nomeadamente a Cabo Verde, na base de acordos de geminação. A autarquia pretende, desta forma, povoar a região do interior de Portugal, que enfrenta uma grande carência de população jovem.

Leonilda Melo chegou de São Tomé e Príncipe há um ano. "Terminei o nono ano no Príncipe e vim fazer o décimo. As aulas estão a correr bem. Tive um ano para me adaptar", conta.

Dificuldades à parte, o desejo de Leonilda é estudar Línguas e Humanidades. Na Ilha do Príncipe, de onde é natural, não existem condições para prosseguir os estudos universitários.

Diolésio Mendes também está a terminar o ensino secundário e quer entrar para o mesmo curso: "É sempre uma mais valia para nós termos o curso. Temos de estudar, batalhar e pensar no futuro do nosso país."

Amilcar Fernandes faz parte do primeiro grupo, que foi para Vila de Rei em outubro de 2011. Escolheu a área de Ciência e Tecnologia. "No futuro pretendo ainda fazer um estudo ligado à informática e na área em que estou consigo muito bem fazer isso. É o que vou fazer", confessa.

Dorf Vila de Rei Portugal

Autarquia da Vila de Rei, Portugal

Bom desempenho académico

Ao todo são 16 jovens, hoje mais integrados, que também trouxeram um pouco da cultura são-tomense para partilhar com a população do município de Vila de Rei.

Frequentam o ensino secundário igualmente orientados para o curso profissional de Turismo, uma área muito útil para a Ilha do Príncipe, que carece de recursos humanos qualificados.

Celeste Costa, que faz o acompanhamento educativo, e Rita Almeida, assistente social, seguem estes estudantes com atenção: "Sim, sim, estão a corresponder e isso vê-se nos resultados que têm ao nível dos estudos", relata Rita Almeida.

De acordo com o protocolo assinado com o Governo Regional da ilha são-tomense, esses jovens vão prosseguir os estudos na Universidade Atlântica, em Oeiras, nos arredores de Lisboa.

"Esta cooperação tri-partida que fizemos com a Vila de Rei e Câmara Municipal de Oeiras e o Príncipe é uma experiência que deveríamos dissiminar por todo São Tomé e Príncipe", disse à DW África o presidente do Governo da Região Autónoma, Tozé Cassandra, defensor da criação de um Centro de Formação de alto nível no Príncipe:

Ricardo Reis Bürgermeister von Vila de Rei Portugal

Ricardo Reis, presidente da Câmara Municipal da Vila de Rei

Proveitos para São Tomé e Príncipe

Tozé Cassandra vê esta cooperação como uma oportunidade de contribuir para o desenvolvimento de São Tomé e Prícnipe: "Penso que esta tem de ser a nova forma de São Tomé e Prínipe formar os seus quadros. Não temos capacidade financeira para criar bolsas para os nossos estudantes, então temos que encontrar parcerias que dêm garantias. O estudante faz a sua formação e depois regressa ao país, porque este é um outro problema."

Na verdade, o regresso ao país é uma das condições importantes, referiu, para que o jovem formado leve de regresso conhecimento e experiências novas visando o desenvolvimento da ilha do Príncipe, classificada pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

Ricardo Reis, presidente da Câmara Muncipal de Vila de Rei, confirmou à DW África que este modelo de cooperação vai continuar e será extensível a outros países lusófonos, podendo Cabo Verde ser o próximo parceiro. "Posso dizer-vos que já tívemos contactos com alguns municípios de Cabo Verde", adiantou.

Quanto aos jovens da Ilha do Príncipe, Ricardo Reis dá nota positiva, sob o ponto de vista de integração e recepção por parte dos habitantes do seu município: "O projeto está a ser bom, visto que os vilharjenses sentiram os meninos do Príncipe como sendo também vilharjenses, e perceberam que eles também são necessários no nosso Concelho."

O presidente da Câmara lembra ainda as consequências da ausência de uma população jovem noutros lugares do seu país: "O interior de Portugal, não é só Vila de Rei, tem cada vez menos jovens e a nossa natalidade cada vez é menor. E para que o ensino secundário não saísse do Conselho estabelecemos um protocolo com a Ilha do Príncipe para que os jovens de lá viessem frequentar o ensino secundário na Vila de Rei."

Ouvir o áudio 03:32

Estudantes são-tomenses ajudam Portugal a acabar com desertificação humana

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados