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Moçambique

Em Moçambique há um projeto que está a apetrechar as salas de aula

O governo de Cabo Delgado, uma província no Norte de Moçambique, através da Direção de Agricultura, está desde 2012 a distribuir carteiras escolares produzidas a partir de madeira confiscada junto de operadores furtivos.

As organizações não governamentais da província de Cabo Delgado defendem há muito que as escolas sejam apetrechadas com carteiras escolares, cadeiras e quadros. De acordo com estas associações, não se justifica que, em Cabo Delgado, de onde são exportados grandes volumes de madeira, haja alunos que estudam sentados no chão.

Para combater este problema, o Governo local lançou uma iniciativa que pretende reaproveitar a madeira ilegal apreendida e, ao mesmo tempo, pôr fim à exploração ilícita dos recursos florestais.

Grundschule in Pemba

Escola primária de Pemba recebeu recentemente duas centenas de carteiras escolares

Prioridade do Estado

Mariano Jone, responsável pela Direção Provincial de Agricultura de Cabo Delgado, diz que a decisão de transformar a madeira confiscada em carteiras escolares visa apoiar a educação e minimizar o problema da insuficiência de secretárias.

“À madeira cerrada das espécies de primeira classe a prioridade que o Estado está a dar é o fabrico de carteiras”, garante.

O responsável pela pasta da Agricultura na província de Cabo Delgado acredita que esta ação vai ajudar a melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem nas instituições públicas.

“A necessidade de carteiras não interessa apenas ao Governo, mas também aos encarregados de educação e aos agentes económicos que estão interessados em ver a província crescer no âmbito do Índice de Desenvolvimento Humano”, indica.

Ouvir o áudio 03:13

Em Moçambique há um projeto que está a apetrechar as salas de aula

"Em alguns casos tem sido a própria madeira a cobrir as despesas de fabrico, outros casos são dádivas dos empresários que produzem carteiras com esta madeira”, explica Mariano Jone.

A escola primária de Natite beneficiou recentemente de um lote de 200 carteiras. A escola está localizada no bairro mais populoso de Pemba.

O diretor da escola, Crisanto Victor, assevera que a ação do Governo vai minimizar o sofrimento dos alunos que se viam obrigados a estudarem sentados no chão e, por outro lado, vai ajudar a melhorar o rendimento escolar.

Carteiras ainda insuficientes

“Esta oferta chegou no momento certo”, adianta.

Ainda assim, o diretor da escola primária de Natite entende que o número de carteiras escolares doadas não é suficiente.

Direktion für Landwirtschaft in Pemba

Direção de Agricultura da província de Cabo Delgado lançou o projeto em 2012

"Não direi que estamos sentados no chão desde a independência, mas a verdade é que a dado momento a procura pelo ensino é maior”, justifica.

Por outro lado, Crisanto Victor defende a necessidade de incutir aos professores e alunos a consciência de valorização e conservação das carteiras para que durem mais tempo. É esse o próximo passo.

Apesar da chegada de novas carteiras a alguns estabelecimentos de ensino de Cabo Delgado, ainda existem alunos sentados no chão das escolas, sobretudo porque a população continua a crescer e há cada vez mais crianças.

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