Eleições em Nampula: Rádio Encontro alvo de intimidação | Moçambique | DW | 16.01.2018
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Moçambique

Eleições em Nampula: Rádio Encontro alvo de intimidação

Em Nampula, a Rádio Encontro diz estar a ser alvo de ameaças por parte de altas personalidades do partido no poder, a FRELIMO.

Segundo a estação da Igreja Católica no norte de Moçambique, as intimidações aconteceram depois da denúncia de irregularidades no processo eleitoral com vista às eleições intercalares no município de Nampula, que se realizam a 24 de janeiro.

Benvindo Tápua, diretor da Rádio Encontro, diz ter recebido inclusive ameaças de morte.

DW África: Quais são as denúncias feitas pela Rádio Encontro que estão a levar a intimidações?

Benvindo Tápua (BT): A primeira denúncia é o registo de cerca de 50 cidadãos em distritos fora do município de Nampula. Foram feitos os registos das pessoas e em seguida enviados para Nampula, para apoiar a campanha e votar. Temos provas dos próprios distritos. Acabei de chegar do distrito de Malema - há lá uma família cujo filho me contou que a mãe foi votar em Nampula para depois ter a garantia de progredir. E perguntei-lhe como é possível votar ali se ela não pertence ao município de Nampula? Ele respondeu-me que sempre foi assim. É essa a denúncia.

DW África: Refere-se à inscrição nos cadernos eleitorais?

BT: Essas inscrições não estão muito claras. Aqui no município de Nampula, alguns secretários estão envolvidos na inscrição de alguns cadernos de voto, de recenseamento. Todavia ainda não conseguimos entrar lá e pegar os documentos - não tivemos acesso às pessoas que realizaram este trabalho, também por existir um certo medo. Mas temos provas nos distritos,  porque falámos com algumas pessoas visadas, que nos confirmaram estarem na posse de cartões para poderem votar em Nampula. "Vou apoiar o meu partido e de certeza vou votar", dizem.

Ouvir o áudio 03:46

Eleições em Nampula: Rádio Encontro alvo de intimidação

DW África: E a Rádio Encontro já denunciou as intimidações a instituições como a FORCOM (Fórum Nacional das Rádios Comunitárias) ou à polícia?

BT: Enviámos alguns documentos à polícia, mas em resposta foi-nos solicitado para irmos lá e explicarmos o que realmente está a acontecer. Então, fui lá, mas não estava a pessoa que me devia atender e depois tive que ir para o distrito e só regressei hoje. A FORCOM já foi informada sobre as intimidações.

Pensa-se que [quem está por trás das intimidações] se trata de uma autoridade do país, uma figura de relevo aqui no país, que já ligou para outra rádio religiosa a dizer que a Rádio Encontro está a dificultar o seu trabalho. Mas nós não falamos mal de ninguém; neste caso, só falámos de atitudes anti-democráticas. Com relação a essas 50 pessoas, pelas informações já veiculadas pela televisão, em que o candidato da RENAMO [Resistência Nacional Moçambicana] denuncia a existência de cadernos de registo eleitoral "a mais", concluímos que essas pessoas "a mais", que não estão registadas, devem ser o resultado desses registos feitos nos distritos.

DW África: Quem são as altas individualidades que estão a ameaçar a Rádio Encontro?

BT: (Risos) Isso não podemos dizer...

DW África: Mas Moçambique é ainda um país livre e há liberdade de expressão...

BT: É verdade que é um país livre, mas como somos teimosos recebemos ameaças... até de morte já me fizeram - por causa da educação cívica, um assunto que já tratámos várias vezes...

DW África: Estas altas individualidades que estão a intimidar a Rádio Encontro pertencem ao partido no poder?

BT: Sim, pertencem.

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