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Moçambique

Edil de Quelimane desapontado com a FRELIMO

Manuel De Araújo, edil de Quelimane considera que FRELIMO devia seguir o exemplo da RENAMO e submeter a sua proposta de estabilização político-militar do país à mesa do diálogo, em vez de criticar a proposta da oposição.

Mosambik Quelimane (DW/J. Beck)

Quelimane

Continuam a decorrer, em Maputo, as conversações para restaurar a paz em Moçambique. Em cima da mesa, atualmente, está a proposta dos mediadores internacionais sobre a descentralização do poder, uma exigência do maior partido da oposição, a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), para o fim do conflito político-militar. E continua a faltar consenso. O país é palco de confrontos entre as forças governamentais e a RENAMO desde 2013.

Segundo o edil de Quelimane (Província da Zambézia), Manuel de Araújo, a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) está a cometer erros. Na sua opinião, em vez de criticar sempre a oposição, o partido no poder deveria seguir o exemplo da RENAMO, que já submeteu há muito tempo a sua proposta para o debate na mesa do diálogo político em curso.

"Já vimos a proposta da RENAMO, e revela que o único que esta interessado na paz em Moçambique é a RENAMO enquanto a FRELIMO está desinteressada. A RENAMO já submeteu a sua proposta à mesa de negociação e a FRELIMO devia fazer o mesmo”, destacou Araújo, político do  Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e autarca numa das províncias mais atingidas pelo conflito armado.

Manuel Araújo (DW/M. Mueia)

Manuel Araújo

Como acabar com a crise?

Alem de dirigentes políticos, também Combatentes da Luta de libertação Nacional, na Província da Zambézia, desconhecem as causas dos diferendos na mesa do diálogo para acabar com a crise político-militar.

Maria Helena, secretária da Associação dos Combatentes de Libertação Nacional (ACLIN) na província da Zambézia, manifesta-se preocupada e diz que não sabe porque é que há sempre desentendimento nas conversações entre o Governo e a RENAMO.

A antiga combatente lamenta o facto de muitos jovens terem perdido a vida desnecessariamente nos confrontos armados entre homens armados da RENAMO e as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, entre junho a setembro deste ano, altura de intensos confrontos.

"Eu não sei o que está a falhar, tudo cai sem consenso enquanto continuamos a perder muitos jovem que deveriam estar a trabalhar no combate à fome e à pobreza. Os jovens que estamos a perder deveriam cuidar das suas famílias ao invés de serem mobilizados para matar os seus irmãos” disse Maria Helena.

Maria Helena (DW/M. Mueia)

Maria Helena, da Associação dos Combatentes de Libertação Nacional (ACLIN) na província da Zambézia

Neste momento o ambiente vivido na Zambézia, é considerado calmo, na medida em que o som das armas não se ouve com tanta frequência como anteriormente.

Governo e RENAMO reuniram-se mas saíram em silêncio

As delegações do Governo e da RENAMO, principal partido de oposição nas negociações de paz em Moçambique, reuniram-se na segunda-feira (05.12.) em conjunto com os mediadores, mas não prestaram declarações aos jornalistas ao final do encontro.

As delegações que representam o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, reuniram-se pela primeira vez em plenário, neste ciclo da ronda de diálogo iniciado a 14 de novembro, para discutirem a proposta dos mediadores internacionais sobre a descentralização do país.

A proposta dos mediadores internacionais foi suscitada pela exigência da RENAMO de governar nas seis províncias do centro e norte do país, onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014 e acusa a FRELIMO de ter cometido fraude no escrutínio.

Depois de terem manifestado o desejo de as duas partes submeterem à Assembleia da República uma proposta de texto ao parlamento até ao fim de novembro, os mediadores dizem agora que esperam obter um consenso até ao final do ano.

Ouvir o áudio 01:55

Edil de Quelimane desapontado com a FRELIMO

O principal partido de oposição tem condicionado o fim da atual crise política e militar à entrega das seis províncias.

Confrontos continuam no centro e norte do país

As Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da RENAMO têm-se confrontado no centro e norte do país, no retorno da violência armada ao país, que também tem atingido alvos civis e que é igualmente marcada por assassínios políticos de membros da FRELIMO e da RENAMO.

Além da exigência da RENAMO de governar em seis províncias e da cessação imediata dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, incluindo na polícia e nos serviços de informação do Estado, e o desarmamento do braço armado da RENAMO e sua reintegração na vida civil.

Segundo o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, o documento a ser consensualizado pelas partes é um "pacote de princípios" relativos ao processo de descentralização. "Não é um documento que apresenta uma lei, é um documento que apresenta os princípios que devem nortear a lei", esclareceu no início deste ciclo negocial o mediador indicado pela União Europeia.

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