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Internacional

Economias subsaarianas são à prova de crise?

Altas taxas de crescimento, maior estabilidade económica e política – muitos países subsaarianos eram tidos como novos emergentes. Agora um banco alemão pergunta: e se houver uma crise? Como será em Angola, por exemplo?

Há dois anos, o banco alemão Commerzbank apresentou um estudo segundo o qual as economias de muitos países subsaarianos estariam a fazer grandes progressos. Agora foi publicada uma nova edição do relatório "Renascimento na África Subsaariana", na qual os autores analisam se estes países estão aptos a resistir a situações de crise.

O primeiro caso hipotético é uma nova crise financeira global, que leve os investidores internacionais a retirar o capital da África subsaariana. Um cenário rapidamente analisado, já que, dizem os autores, onde nada entra também nada sai. Ou seja, excetuando a África do Sul, os países em questão não dispõem praticamente de capital estrangeiro privado que possa sair numa situação de crise.

O capital estrangeiro provém sobretudo de doadores institucionais, como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. E estes tendem a aumentar os seus investimentos em tempo de crise, de modo que a África subsaariana não seria afetada.

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Países ainda apostam sobretudo na exportação de matérias-primas não processadas

O segundo cenário de crise seria a quebra persistente dos preços das matérias-primas, como aconteceu nos anos 80 e 90 do século passado. Segundo Rainer Schäfer, coordenador do estudo do Commerzbank, esta seria uma verdadeira situação de perigo. Mas o especialista considera a probabilidade remota, uma vez que a procura global é forte.

"Não me parece que a China reduza a sua procura", diz. "Além de que esse país precisa de investir os seus enormes excedentes de conta corrente. A China acumulou um enorme volume de títulos de tesouro norte-americanos. O objetivo é diversificar, investindo de forma a beneficiar a economia nacional."

Como fugir à maldição dos recursos?

No entanto, apesar do crescimento médio de seis por cento projetado para este ano em África, há riscos, porque os países subsaarianos exportam sobretudo matérias-primas não processadas. Porém, sem a introdução de indústrias de transformação, por exemplo na agricultura, será difícil criar emprego, um dos maiores problemas das nações em questão.

Na Nigéria, este setor representa 34 por cento do Produto Interno Bruto e a sua importância cresce. 60 por cento da população nigeriana trabalha na agricultura, negligenciada desde os anos 70 por causa do boom do petróleo. Florian Witt, um dos autores da investigação, diz que o mesmo se aplica a Angola e Moçambique, países com populações grandes e muitas matérias-primas.

"As riquezas naturais são, ao mesmo tempo, bênção e maldição", comenta Witt. "É tudo uma questão de gestão inteligente, o que alguns países conseguem fazer melhor do que outros."

Ouvir o áudio 03:33

Economias subsaarianas são à prova de crise?

O analista diz que Angola é um dos países que percebeu a necessidade de aplicar as receitas de petróleo para se tornar mais independente da exportação do crude. Acresce a melhoria da política do banco central em Angola, tal como na Nigéria, com medidas que previnem a inflação galopante ou a apreciação excessiva da moeda nacional.

O terceiro e último cenário de crise possível é a estagnação económica por um período de tempo prolongado. Mas o coordenador do estudo, Rainer Schäfer, acredita que também aqui não há grande perigo para a África subsaariana.

"Em 2009, a crise financeira global causou muita destruição na economia real. Mas a recuperação da África subsaariana foi notável", lembra Schäfer. Neste cenário é uma vantagem a região depender sobretudo de matérias-primas, diz, porque a procura, por exemplo da China, permaneceria elevada.

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