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Moçambique

Dispensados mediadores internacionais em Moçambique

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, anunciou esta sexta-feira o fim da mediação internacional no diálogo para o restabelecimento da paz no país.

O Presidente Filipe Nyusi disse que, futuramente, dois grupos vão debruçar-se em separado sobre os assuntos militares e de descentralização na presença de especialistas. Nyusi explicou na sexta-feira, 3 de janeiro, que "o povo moçambicano está verdadeiramente agradecido e aprecia os esforços dos mediadores que concorreram para a aproximação de posições entre o Governo e a RENAMO.” Explicou depois que "esta fase do diálogo pode considerar-se hoje encerrada.”

Numa declaração à nação por ocasião do Dia dos Heróis Nacionais, Nyusi disse ter informado em cartas endereçadas aos mediadores internacionais que "brevemente deverá dar início uma outra etapa do diálogo para a qual gostaríamos de solicitar que se mantenham disponíveis, caso Moçambique assim considere necessário”.

Um novo modelo de diálogo

Mosambik Demonstration für Frieden in Maputo (picture alliance/dpa/A. Silva)

Os moçambicanos querem a paz definitiva

Instado pela DW África a reagir ao anúncio do Chefe de Estado, o porta-voz da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), António Muchanga esclareceu que o Governo e o maior partido da oposição acordaram num novo modelo para flexibilizar o trabalho.

Muchanga secundou a explicação do Presidente, salientando que, tendo em conta que os mediadores internacionais não são especialistas em matérias relacionadas com as questões militares e sobre descentralização, a abordagem do assunto com especialistas nestas matérias parece mais promissora: "Ao trabalhar-se dessa maneira chega-se a conclusão de que não há necessidade imperiosa dos mediadores estarem cá tendo em conta a situação logística.” Muchanga salientou no entanto a importância da mediação internacional, mesmo que se dê agora primazia aos dois novos grupos de negociações.

Ouvir o áudio 02:30

Dispensados mediadores internacionais em Moçambique

 Muchanga acrescentou que os grupos de negociação das questões militares e descentralização serão constituídos cada um por dois elementos da RENAMO, dois representantes do Governo e um especialista. A propósito, o líder da RENAMO, Afonso Dlakhama, adiantou também na sexta-feira, via teleconferência, que cada um dos grupos vai integrar ainda uma figura reconhecida no plano internacional. Dlakhama disse que estas equipas de trabalho estarão criadas até ao final da próxima semana.

Paz definitiva?

O líder da oposição e o Presidente Filipe Nyusi têm mantido uma interação cordial com vista à concretização destes grupos de trabalho. O Chefe de Estado moçambicano disse que terá o "enorme prazer de anunciar dentro de dias o passo subsequente resultante dos consensos alcançados”. À pergunta da DW África se o novo modelo de diálogo significa que a paz definitiva está mais próxima, Muchanga respondeu que a questão de fundo que sempre comprometeu o diálogo foi a falta de reconhecimento das reivindicações da RENAMO por parte do Governo: "Havendo esse reconhecimento e boa vontade acredito que podemos chegar à paz definitiva”.

O anúncio do formato de diálogo da paz acontece numa altura em que decorre uma trégua de 60 dias no conflito militar no país. António Muchanga considerou a trégua razoável "tendo em conta que não houve ataques às bases da RENAMO. Não houve também ataques das Forças da RENAMO às forças de defesa e segurança. Contudo, lamentamos que há sevícias contra as populações”, que Muchanga imputou às forças governamentais.

 

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