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Angola

Dirigente da oposição angolana ouvido no processo contra ativistas

Filomeno Vieira Lopes, do partido extra-parlamentar Bloco Democrático, foi notificado para comparecer esta quinta-feira (06.08) nas instalações do Serviço de Investigação Criminal. Dirigente fala em "motivos políticos".

O ex-secretário-geral do Bloco Democrático (BD) será ouvido no processo que corre contra os 15 ativistas que se encontram detidos há cerca de dois meses por alegada tentativa de golpe de Estado.

No entanto, a notificação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) não esclarece em que condição o dirigente será ouvido. Facto que causou alguma estranheza à direcção do partido da oposição. "Recebemos a notícia com bastante apreensão porque a notificação não menciona em que condição o nosso membro da comissão política e conselheiro do partido está a ser notificado", explica o secretário-geral do BD, João Baruda.

O dirigente fala em motivos políticos. "Mais do que nunca, estamos perante factos que mostram que se trata de um processo de âmbito político", porque as reivindicações feitas pelos jovens que hoje estão presos foram feitas no sentido de denunciar "a má governação" em Angola, justifica.

"Política começa a ser caso de polícia"

Filomeno Vieira Lopes também não sabe o que estará por detrás da notificação das autoridades. Mas desconfia que o facto de o seu nome ter sido incluído na criação de um suposto "Governo de salvação nacional" seja um dos motivos.

Filomeno Vieira Lopes NEU

Depois da agressão em 2012, Filomeno Vieira Lopes foi operado na Alemanha

"O procurador-geral da República falou num dito Governo de salvação nacional, uma brincadeira que foi feita na internet e na qual consta o meu nome. Não sei se é por causa disso que me estão a chamar", contou o economista em entrevista à DW África. "Mas, pela lógica, terão de chamar outras pessoas" que também foram referidas, conclui o economista, que classifica a sua intimação como uma questão política.

O dirigente do BD aproveita também para perguntar à Procuradoria-Geral da República (PGR) onde pára a queixa-crime apresentada contra elementos ligados ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o partido no poder, e os serviços secretos que, em 2012, o teriam agredido quase até à mortepor se ter juntado a um grupo de manifestantes que exigiam eleições transparentes. "No mesmo dia em que fui agredido, houve alguém que apareceu na TPA [Televisão Pública de Angola] e fez uma declaração justificando aquele tipo de agressão", lembra.

"O que está a acontecer cada vez mais neste país, infelizmente, é que a política começa a ser um caso de polícia. Isto é que é grave", alerta.

Intimidação aumenta

Além do dirigente do BD, que é também membro do Grupo de Apoio aos Presos Políticos Angolanos (GAPPA), as autoridades notificaram ainda a ativista Laurinda Gouveia, membro do chamado Movimento Revolucionário.

Com a intimação destas individualidades críticas do regime, sobem de tom os apelos de repúdio à postura das autoridades e multiplicam-se os pedidos públicos para a libertação dos ativistas detidos.

Ouvir o áudio 03:43

Dirigente da oposição angolana ouvido no processo contra ativistas

Dois desses ativistas terão tentado suicidar-se, segundo confirmou ao portal Rede Angola Adolfo Campos, do Movimento Revolucionário. O isolamento a que estão submetidos desde que foram presos é um dos motivos que terá levado os jovens a tentar o suicídio, além da falta de condições básicas de higiene na cadeia.

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