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Guiné-Bissau

Diáspora guineense participa com entusiasmo no pleito eleitoral

A comunidade guineense na diáspora, nomeadamente em Portugal, participou nestas eleições com entusiasmo, apesar de algumas reclamações pela lentidão com que decorreu o ato de votação por limitação de urnas.

Os cidadãos guineenses ouvidos pela DW África depositam confiança nos futuros governantes da Guiné-Bissau, que terão a responsabilidade de criar condições para o regresso dos que foram obrigados a deixar o país devido à instabilidade política.

Os cerca de quatro mil cidadãos recenseados votaram em Portugal, respetivamente nas cidades do Porto, Coimbra, Lisboa e Algarve. Oficialmente previstas para iniciar às 8 horas da manhã, as mesas de voto abriram com ligeiro atraso, como a DW África constatou na Universidade Lusófona e na Amadora.

Präsidentschaftswahl in Guinea-Bissau 2014

Uma das mesas de votação em Portugal

Apesar de momentos de exaltação verbal por parte de alguns eleitores que contestavam as muitas horas de espera, os trabalhos decorreram com normalidade, tal como registamos na mesa nº 6, na Amadora-Linha de Sintra, presidida por Mariama Cassamá.

Guineenses da diáspora desejam mudanças

As longas filas frente aos locais de votação mostraram o real interesse dos guineenses na diáspora em participar nestas eleições de 13 de abril, cumprindo o seu dever cívico. Alguns dos eleitores abordados pela DW África confirmam isso, sobretudo porque desejam a mudança no país natal. "Queremos estabilidade e paz porque a vontade diz muito. Todos queremos mudanças. É uma grande tristeza a Guiné-Bissau estar a viver situações que não agradam a ninguém", disse um dos entrevistados.

Há 27 anos em Portugal, Toni Delgado, reformado, votou em consciência e olha para o futuro com esperança. "Chegou altura para virarmos a página triste que vivemos principalmente há dois anos e que destas eleições saiam pessoas capazes de dirigir o país".

Críticas ao processo de recenseamento no estrangeiro

Tanto na Câmara Muncipital da Amadora como na Universidade Lusófona, registaram-se algumas reclamações. Entre estas, houve casos de pessoas que se recensearam em Bissau quando lá estavam temporariamente e que agora não puderam votar por não constarem na lista dos eleitores do ciclo de Lisboa. Por outro lado, devido à demora no atendimento considerado um factor de desmobilização, houve quem entendesse que seriam necessárias mais de duas urnas para cada mesa de voto.

Ouvir o áudio 03:14

Diáspora guineense participa com entusiasmo no pleito eleitoral

Iafai Sani, cabeça de lista do PAIGC pelo círculo da Europa, lamentou a fraca adesão ao processo de recenseamento. "Temos um pouco mais de dez mil potenciais eleitores que poderiam ter sido recenseados e não foram. Neste momento, os recenseados são mais de 3.700 um número insigmnificante, sobretudo aqui em Portugal...mas enfim..."

Aladji Baldé, candidato pelo PND (Partido da Nova Democracia) criticou via telefone tentativas de desinformação à porta da mesa da Amadora relativamente aos objetivos destas eleições na diáspora, que se dizia apenas servem para eleger o deputado para o ciclo da Europa e não as presidenciais.

Esquecer o passado

Depois de votar, Fátima da Velha, que disse estar em Portugal também por razões políticas, deixou uma mensagem, disposta a esquecer o passado. Ouvi dizer que o senhor António Indjai votou esta manhã e que se apresentou vestido de branco e a falar da paz. Espero que essas palavras tenham saído do fundo do seu coração. Espero, quando regressar a Bissau, poder dar ao senhor Indjai as mãos e assim juntos podermos levar aquela terra para a frente".

Cabo Verde regista também participação elevada dos guineenses

Carlos Gomes Júnior

Carlos Gomes Júnior

A afluência às urnas dos 4.787 eleitores guineenses residentes em Cabo Verde para as eleições gerais na Guiné-Bissau foi também "muito elevada".

Em declarações à agência de notícias Lusa, Cândido Barbosa, cônsul da Guiné-Bissau em Cabo Verde, disse que as 13 mesas de voto abriram à hora marcada e grandes filas foram registadas ainda antes de abrirem as assembleias de voto.

Entretanto, o antigo primeiro-ministro guineense Carlos Gomes Júnior, residente em Cabo Verde há cerca de seis meses e eleitor número 16, votou no consulado na Cidade da Praia, mas escusou-se a falar aos jornalistas, alegando que prefere manter-se em silêncio.

Cabo Verde integra o Círculo 22 da Região 9 (África e Europa) que, nas legislativas, elege dois deputados.

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