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Moçambique

Dhlakama e Nyusi satisfeitos com primeiro frente-a-frente

Tanto o Presidente moçambicano como o líder da RENAMO saíram sorridentes do encontro de sábado (07.02). Afonso Dhlakama disse mesmo que está para "breve" o fim do boicote ao Parlamento e às assembleias provinciais.

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Líder da RENAMO, Afonso Dhlakama (esq.), e Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, depois de primeiro encontro em Moçambique este sábado (07.02)

O Presidente Filipe Nyusi e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Afonso Dhlakama, reuniram-se a sós, à porta fechada, durante cerca de três horas.

Nos últimos meses, o maior partido da oposição tem ameaçado inviabilizar o funcionamento das instituições saídas das eleições gerais de outubro, que considera terem sido fraudulentas. A RENAMO tem exigido a criação de um "Governo de gestão" ou de uma região autónoma no centro e norte do país, onde o partido obteve a maioria de votos.

Mas o encontro de sábado (07.02) em Maputo pode ter aberto uma nova página no relacionamento entre o Governo moçambicano e a RENAMO. Pelo menos, a julgar pelos sorrisos de Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama, bem como pelas declarações de ambos no final do frente-a-frente.

Maputo, Mosambik Afonso Dhlakama

O líder da RENAMO disse que está para "breve" o fim do boicote do partido ao Parlamento e às assembleias provinciais

"O país não terá problemas. Da maneira como nos conhecemos, como conversámos, posso dizer que tudo correu bem", disse Dhlakama. "Saio desta sala muito satisfeito e sei que teremos soluções como moçambicanos, como irmãos. Como sempre fizemos desde que a democracia foi introduzida em 1992."

"Quando dois irmãos se encontram e falam é sempre bom. Foi bom termos falado", afirmou, por seu lado, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Até agora, sabe-se pouco sobre o que foi discutido na reunião. Em declarações aos jornalistas, Dhlakama disse apenas que falou com o novo Presidente moçambicano sobre o diálogo político entre o Governo e a RENAMO, que tem sido marcado por impasses, particularmente no que diz respeito ao desarmamento e reintegração social dos homens armados residuais do movimento.

O líder da RENAMO disse ainda que foram tratados assuntos relacionados com alegados acordos que ele teria assinado com o ex-Presidente Armando Guebuza e que ainda não estão a ser implementados, para além de novas matérias, que não especificou.

Fim do boicote para "breve"

Dhlakama anunciou ainda que os representantes da RENAMO no Parlamento e nas assembleias provinciais tomarão posse em breve.

"Os 89 deputados da Assembleia da República e mais de 200 membros das assembleias provinciais irão tomar posse, foram eleitos pela população de Moçambique para representar os interesses dessas populações", afirmou. "Eles não tomaram posse até hoje por uma questão que nos levou aqui a reunir, mas tomarão posse dentro em breve."

Ouvir o áudio 03:29

Dhlakama e Nyusi satisfeitos com primeiro frente-a-frente

Até agora, pelo menos três assembleias provinciais, Sofala, Zambézia e Tete, não puderam reunir-se e deliberar validamente por falta de quórum, na ausência dos membros da RENAMO que constituem a maioria.

Caso não tivesse sido alcançado um entendimento para se ultrapassar esta situação, as províncias afetadas poderiam ter que realizar pela primeira vez eleições intercalares ao nível daquele órgão.

"Bom sinal"

Gulamo Tajú considera que este primeiro encontro entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama foi positivo. Segundo o analista moçambicano, estão criadas as bases para que as partes possam entender-se.

"Um primeiro encontro, que se traduz logo numa manifestação de alegria das duas partes, é um bom sinal", diz. "O facto de se anunciar que os deputados vão tomar os seus lugares na Assembleia da República, tal como os membros das assembleias provinciais vão tomar os seus respetivos lugares, é sinal de um novo engajamento político por parte da RENAMO."

O Presidente Filipe Nyusi deverá reunir-se esta semana com Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), outro partido com assento parlamentar que contestou os resultados eleitorais.

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