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NOTÍCIAS

Dhlakama anuncia trégua de uma semana em Moçambique

O cessar-fogo durará até 4 de janeiro, com efeitos a partir de quarta-feira, revelou o líder da RENAMO. Dhlakama diz ter chegado a um entendimento, por telefone, com o Presidente moçambicano. Nyusi mostra-se esperançoso.

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Encontro entre Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi em Maputo, em fevereiro de 2015

"Anuncio a cessação das hostilidades militares a partir das 00:00 de quarta-feira. Em todo o território moçambicano, não haverá ataques entre as forças armadas da RENAMO e as Forças Armadas de Moçambique", afirmou Afonso Dhlakama em declarações por telefone aos jornalistas, reunidos na sede nacional do maior partido de oposição em Maputo.

A decisão decorre de uma conversa mantida por telefone, na segunda-feira (26.12), com o chefe de Estado, Filipe Nyusi, "porque os moçambicanos querem passar as festas em paz", justificou o líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido de oposição.

O anúncio surgiu depois de Nyusi ter dito que tinha conversado por telefone com Dhlakama. "E a chamada era simplesmente para desejar-se festas felizes, um ao outro e saber como as coisas estão, mas como sempre, esse tipo de contacto tem de se explorar ao máximo", declarou Nyusi, citado pela Rádio Moçambique.

Segundo o Presidente da República, a conversa foi aproveitada para uma abordagem sobre a paz e reiterar que as hostilidades têm de parar. "Ninguém deve morrer por causa de desencontros de ideias ou de posições, de diferenças entre as pessoas. O presidente da RENAMO prometeu-me que vai fazer uma conferência de imprensa resumindo o resultado da nossa conversa", acrescentou o chefe de Estado moçambicano.

Estradas livres

Até quarta-feira, prometeu Afonso Dhlakama, as forças da RENAMO ficarão agrupadas, esperando que, do lado do Governo, suceda o mesmo. "Já foram dadas as ordens às nossas unidades das forças em todas as províncias", declarou.

O líder da RENAMO assegurou que, durante a trégua, os moçambicanos poderão circular livremente nas estradas do centro de Moçambique mais afetadas pela crise militar, dando os exemplos dos troços sujeitos a escoltas militares obrigatórias, na Nacional 1, entre Save e Muxúnguè e entre Nhamapadza e Caia, e também entre Tete e Vanduzi e ligação ao Malaui e ainda vários distritos na província da Zambézia.

Mosambik Straßenszene Militärfahrzeuge

Coluna militar em Muxúnguè

"Podem andar à vontade", disse Dhlakama, reiterando que "as forças da RENAMO irão cumprir com as ordens" e que "ninguém irá atacar nas estradas ou as instituições da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)".

Afonso Dhlakama destacou que mantém o controlo sobre as suas forças e que qualquer ataque que surja durante a trégua não poderá ser atribuído à RENAMO.

Justificando esta decisão, quando há menos de uma semana disse em entrevista ao diário "O País" que não podia assegurar a ausência de ataques durante as festas de Natal, o líder da Renamo referiu que pretende terminar com o sofrimento da população e facilitar a retoma das negociações de paz. "Se tudo correr bem, sem incidentes, por que não prolongar mais este prazo?", observou o líder da oposição, admitindo a possibilidade de um cessar-fogo definitivo.

Negociações interrompidas

As negociações de paz pararam em meados de dezembro, sem que se tenha chegado a um acordo sobre o pacote de descentralização – uma das exigências da RENAMO para pôr fim à crise política e militar.

Os mediadores internacionais abandonaram Maputo, anunciando que só regressarão se forem convocados pelas partes.

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, incluindo na polícia e nos serviços de informação do Estado, e o desarmamento do braço armado da oposição e sua reintegração na vida civil.

 (notícia actualizada às 12:30 com declarações de Afonso Dhlakama)

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