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Internacional

Dezenas de refugiados africanos mortos em naufrágio em Lampedusa

Pelo menos 130 refugiados morreram hoje afogados, quando a sua embarcação naufragou ao largo da costa do sul da Itália, após um incêndio. Os imigrantes clandestinos eram maioritariamente da Somália e da Eritreia.

Exaustos e abalados, os membros das equipas de resgate da pequena ilha de Lampedusa descarregam os corpos das vítimas no porto, colocando-os em fila no chão. Um incêndio na embarcação sobrelotada que levava a bordo provavelmente 500 pessoas, obrigou os refugiados a saltarem para a água. Entre os mortos, há várias crianças e, pelo menos, duas mulheres grávidas.

Nesta tarde desta quinta-feira (03.10) foram salvas mais de 150 pessoas, a maioria oriunda da Eritreia. Os destroços do barco foram encontrados por dois navios pesqueiros que informaram a guarda costeira italiana.

A presidente da Câmara de Lampedusa, Giusi Nicolini, lamenta que as equipas de salvamento não tenham chegado a tempo. "Pergunto-me porque é que os barcos de patrulha não estavam mais perto da nossa ilha, onde poderiam ter respondido melhor a esta emergência. Algo correu mal. Não compreendo", diz triste Nicolini.

Uma ilha conhecida no mundo

A frustração de Nicolini é compreensível. Na década que passou, a sua pequena ilha com poucos milhares de habitantes tornou-se, em todo o mundo, tristemente conhecida pela chegada de emigrantes e mortes no mar.

Flüchtlinge ertrinken vor Lampedusa

Corpos das vítimas do naufrágio

Segundo as Nações Unidas, só no primeiro semestre deste ano, cerca de 8.000 refugiados deram à costa italiana. A maioria é oriunda de países em conflito, como o Egito, a Eritreia e a Síria.

Geralmente partem da Líbia em embarcações frágeis com traficantes sem escrúpulos. Na semana passada, 13 pessoas morreram afogadas ao largo da Sicília, quando tentavam alcançar a costa a nado, depois dos traficantes os terem forçado com armas a abandonar o barco, para evitar a guarda costeira italiana.

O diretor do Fórum Europeu e Internacional para a Pesquisa da Migração, Ferruccio Pastore, diz que o número de emigrantes que tenta esta passagem perigosa é resultado do conflito em países vizinhos, mas também da falta de cooperação para impedir os refugiados de embarcar.

Só Itália está preocupada em ajudar

Bootsflüchtlinge Lampedusa Immigranten Flüchtlinge Europa Syrien

Refugiados da Síria em busca de novas oportunidades na Europa

A Itália é o único país que tenta ajudar. "Ninguém está a fazer nada, com excepção das operações, muito importantes, de busca e resgate desenvolvidas pelas autoridades italianas", acrescenta Pastore.

Pastore realça também que a grande maioria das operações de salvamento, tal como foi o caso hoje, são levadas a cabo por pescadores. "A maioria dos barcos não são da marinha nem da guarda costeira, mas privados", conta.

Para o diretor, estas embarcações têm melhores hipóteses de encontrar os barcos com emigrantes, mas "não têm incentivos para os salvar porque ninguém lhes reembolsa os custos da operação e a perda de receitas", explica.

Segundo Ferruccio Pastore, os refugiados vão continuar a pagar aos traficantes e tentar a passagem de alto risco enquanto não lhes for dada a oportunidade de fazerem os seus requerimentos de asilo, não nos países para onde se dirigem, mas naqueles onde se encontram e de onde tentam escapar. O especialista diz que chegou a altura de alterar de forma radical a lei internacional vigente.

Ouvir o áudio 03:35

Dezenas de refugiados africanos mortos em naufrágio em Lampedusa

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