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Angola

Desastres naturais atiram anualmente 26 milhões de pessoas para a pobreza

Cada dólar investido em transferências pós-desastre natural em países como Angola resulta em benefícios de quatro euros no bem-estar das populações, conclui um estudo divulgado pelo grupo Banco Mundial.

Dürre in Huila Angola (DW/A. Vieira)

Seca na província angolana da Huíla

Intitulado "Inquebrável: Construir a Resiliência dos Pobres Perante Desastres Naturais", o relatório do Banco Mundial e da Instituição Global para a Redução de Desastres e Recuperação (GFDRR), divulgado esta esta segunda-feira (14.11.) na conferência do clima da ONU, a decorrer em Marraquexe até sexta-feira (18.11.), avisa que o impacto humano e económico dos fenómenos climáticos extremos é muito mais devastador do que se pensava.

"Os choques climáticos severos ameaçam fazer reverter décadas de progressos contra a pobreza", disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado num comunicado da instituição.

"As tempestades, as inundações e as secas têm graves consequências humanas e económicas, com os pobres a pagarem muitas vezes o preço mais elevado. Construir resiliência aos desastres não só faz sentido em termos económicos, como é um imperativo moral", acrescentou.

Resilência socioeconómica muito baixa em Angola

Em todos os 117 países estudados, as transferências pós-desastre têm um rácio custo-benefício superior a 1,3, mas em 11 países esse rácio demonstra que cada dólar gasto nas transferências pós-desastre traduz-se em benefícios superiores a quatro dólares no bem-estar

Dürre in Angola Bevölkerung (DW/A.Vieira)

Distribuição de ajuda alimentar à população da província angolana do Cunene vítima da seca (05.02.2016)

Esses países são Angola, Bolívia, Botsuana, Brasil, República Centro-Africana, Colômbia, Honduras, Lesoto, Panamá, África do Sul e Zâmbia.

No caso de Angola, os autores do estudo explicam que o país tem uma resiliência socioeconómica muito baixa, de apenas 31%, devido às grandes desigualdades (os 20% da população com salários mais baixo representam apenas 5% do rendimento total), a um sistema social muito fraco e aos constrangimentos de liquidez.

Nesse contexto, a construção da resiliência socioeconómica pode resultar em enormes benefícios, escrevem os autores do relatório.

Construir um conjunto de instrumentos que permita fornecer apoio pós-desastre tem um potencial significativo, podendo mesmo chegar a fornecer ganhos no bem-estar no valor de 180 milhões de dólares ao ano.

Desastres naturais levam muitas pessoas para a pobreza

Os desastres naturais atiram para a pobreza 26 milhões de pessoas todos os anos e provocam perdas anuais de 520 mil milhões de dólares no consumo, revela o relatório publicado pelo Banco Mundial.

Katastrophenübung in Munamicua (GIZ)

Inundações em Sofala em 2010 (Moçambique)

Para o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado num comunicado da instituição "as tempestades, as inundações e as secas têm graves consequências humanas e económicas, com os pobres a pagarem muitas vezes o preço mais elevado. Construir resiliência aos desastres não só faz sentido em termos económicos, como é um imperativo moral".

Necessárias redes de segurança sociais

No documento do GFDRR, os autores apontam algumas medidas que permitem aumentar a resiliência dos países, nomeadamente a diversificação dos rendimentos, a inclusão financeira das famílias, os seguros de mercado e a proteção social adaptativa.

Dentro desta última estratégia, os investigadores escrevem que, para as famílias mais pobres poderem responder aos choques, são necessárias redes de segurança sociais facilmente escaláveis.

"Embora as redes de segurança social aumentem sempre a resiliência, um crescente número de evidências demonstra que esses instrumentos são ainda mais eficientes quando são suficientemente flexíveis para permitirem uma rápida transferência de recursos para as vítimas dos desastres", pode ler-se no relatório.

Grandes perdas anuais no consumo

O relatório divulgado durante a conferência do Clima da ONU (COP22), analisa os efeitos dos fenómenos climáticos extremos em duas medidas: as perdas patrimoniais e as perdas no bem-estar, o que permite avaliar melhor os danos para os pobres, já que "perdas de um dólar não significam o mesmo para uma pessoa rica do que para uma pessoa pobre".

Dürre in NAMIBIA (picture alliance/Anka Agency International)

Seca na Namíbia

Uma vez que os efeitos dos desastres naturais afetam desproporcionadamente os pobres, que têm uma capacidade limitada para lidar com eles, o relatório estima que o impacto no bem-estar nesses países seja equivalente a perdas no consumo de 520 mil milhões de dólares por ano. Esta estimativa ultrapassa todas as previsões anteriores em até 60%.

Os investigadores exemplificam que, se fosse possível evitar todos os desastres naturais em oito países estudados, o número de pessoas na pobreza extrema - que vivem com menos de um dólar por dia - cairia em 26 milhões.

Os pobres estão tipicamente mais expostos aos desastres naturais, perdendo mais na proporção da sua riqueza, e muitas vezes não têm apoios, seja da família, dos sistemas financeiros ou dos governos.

O relatório do BM usa um novo método para medir os danos dos desastres, contabilizando o peso desigual dos desastres naturais nos pobres.

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