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NOTÍCIAS

Declarações do Presidente nigeriano em Berlim causam polémica

Ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, Muhammadu Buhari disse que o lugar da sua mulher é na cozinha e em casa e não na política. Choveram críticas de imediato.

Na origem está a afirmação da primeira-dama nigeriana, Aisha Buhari, que disse recentemente que não apoiaria o marido à reeleição se ele não fizesse mudanças no Governo. 

Em visita de Estado à Alemanha, o Presidente Buhari comentou assim a declaração da esposa: “Não sei a que partido pertence a minha esposa. Ela pertence à minha cozinha, à minha sala e aos restantes compartimentos da minha casa”. Afirmação proferida ao lado daquela que é considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo, a chanceler alemã Angela Merkel. 

Mais tarde, em entrevista exclusiva à DW, o Presidente Muhammadu Buhari explicou o seu comentário: “Com certeza você tem uma casa… sabe onde é a cozinha, a sala. E eu penso que a mulher cuida de tudo isso, mesmo se ela trabalhar”. E acrescentou que o papel da sua esposa é tomar conta de si.

O comentário de Buhari desencadeou um longo rol de reações, principalmente nas redes sociais. Em entrevista à DW, Auwal Musa Rafsanjani, do Centro de Advocacia Legislativa da Sociedade Civil na Nigéria, criticou o depoimento do chefe de Estado. “Em tempos modernos, em que se fala na participação das mulheres na governação e na política, este tipo de declarações mostram que não há interesse no progresso das mulheres.”

Nigeria Aisha Buhari bei den Wahlen 2015 (Getty Images/AFP/P. U. Ekpei)

Primeia-dama da Nigéria durante a votação nas eleições de 2015

Além disso, uma vez que a mulher de Buhari "mobilizou apoio popular durante a campanha para as eleições", não fica bem ao Presidente afastá-la da política depois de ter sido eleito, nota  Auwal Musa Rafsanjani. Segundo o membro do Centro de Advocacia Legislativa da Sociedade Civil na Nigéria, “a esposa sente que o Presidente deve saber do que as pessoas falam, porque a contestação está a aumentar.” 

Mas há também quem apoie o chefe de Estado."Porque se se deixar que outras pessoas interferam na administração haverá problemas. Na anterior administração havia um número execssivo de donas de casa no Governo. Para Buhari isso é inaceitável. E para muitas pessoas de direita também. Foi por isso que o Presidente extinguiu o gabinete da primeira-dama, era desnecessário”, justificou Ahmed Baba Kaita, membro da Câmara dos Representantes da Nigéria.

À procura de investimento alemão

A visita do Presidente Muhammadu Buhari aconteceu numa altura em que a Nigéria atravessa uma grave crise económica, principalmente devido à queda do preço do petróleos nos mercados internacionais.

Por isso, em Berlim, o Buhari lançou o repto: “queremos investidores alemães”. No país africano, “há cerca de cem empresas alemãs” e “os investidores germânicos ganharam mnuito respeito no país devido à qualidade dos seus produtos, especialmente da maquinaria.” Por isso, “os nigerianos estão a tentar aprender o máximo possível e atrair investimento alemão, principalmente a nível de manufatura”, sublinhou o chefe de Estado.

Raparigas libertadas pelo Boko Haram

Nigeria 21 Chibok-Mädchen (Picture-Alliance/dpa/EPA/STR)

Raparigas libertadas pelo Boko Haram juntam-se aos seus familiares

Entretanto, o Presidente Muhammadu Buhari congratula-se com outros avanços. As 21 jovens nigerianas libertadas pelo grupo extremista nigeriano Boko Haram já estão junto das famílias.

O Governo já anunciou que poderá haver novas libertações em breve. Mas até agora não se sabe do paradeiro das outras raparigas de um grupo de mais de 200 estudantes que foram raptadas da aldeia de Chibok, no nordeste da Nigéria, em 2014.

Além disso, a administração de Buhari está ainda em conversações com rebeldes do delta do Níger para um cessar-fogo.

Ouvir o áudio 03:03

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