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Internacional

Cuidados pré-natal no Uganda não são só para mulheres

Mas sim para o casal. Clínicas ugandesas adotam medidas para encorajar homens a acompanharem futuras mães nos seus exames pré-natal.

Bella Kasigaire está grávida de quatro meses. Ela sobe para uma bicicleta táxi em direção a Kawolo, no districto ugandês de Buikwe. O seu marido nunca pôs um pé no hospital para participar nos exames pré-natais – em nenhuma das suas gestações.

"Os homens hoje são muito complicados", diz Kasigaire. "Ir ao hospital acaba por ser uma tarefa só da mulher", desabafa. "As enfermeiras sempre me perguntam onde está o meu marido e dizem: apenas vejo o condutor do táxi, acho que vamos chamá-lo para te ajudar. É arriscado levar outros homens para a clínica, mas o que se pode fazer?", diz.

Uganda Junge Mütter lernen über Ernährung (DW/S. Oneko)

Em muitos casos, ter filhos é uma responsabilidade exclusiva da mulher ugandesa

Scholastic Namuddu dá assistência à saúde materna através da organização não-governamental (ONG) "Reproductive Health Uganda". Segundo ela, muitos homens, especialmente nas áreas rurais, negligenciam as suas responsabilidades em acompanhar as futuras mães às clínicas de atendimento.

"Se um homem engravida uma mulher, deve ser responsabilidade dele cuidar da sua esposa", disse Namuddu à DW. "A mulher precisa de cuidados emocionais, económicos e físicos desde o primeiro dia". Desde que o bebé nasce, acrescentou, "a educação da criança é uma responsabilidade que deve ser partilhada".

Sheena Ayebare, outra mãe, diz que muitas mulheres vivem o mesmo dilema. "Chamamos alguns homens de doadores de esperma". "Quando se inteiram da gravidez, temem. Começam a chegar mais tarde. E uma pessoa pergunta-se: o que está acontecendo com ele?".

Muitos pais simplesmente dizem que não têm tempo para visitas às clínicas onde as mulheres têm acompanhamento pré-natal.

Justificações dos pais

Victor Kiwalabye, pai de duas crianças, diz que até leva sua esposa para o hospital mas não pode esperar todo o tempo que demoram os exames. "O problema é que, quando vou ao hospital, as filas são longas. Eu tenho pouco tempo. Preciso de trabalhar", disse. "Além disso, as pessoas no hospital também querem dinheiro", critica.

O Ministério da Saúde de Uganda, no entanto, mantém esperanças. A porta-voz Vivian Nakaliika diz que o Governo elaborou medidas para enfrentar os desafios da saúde reprodutiva dos ugandeses. "Temos ido à base, às comunidades. Trabalhamos com as equipes de saúde nas aldeias e nos conselhos locais para garantir que a mensagem se aproxime" das comunidades, afirmou Vivian Nakaliika.

A porta-voz reconhece que se nota um certo aumento no envolvimento dos homens no período pré-natal das mulheres. No entanto, segundo Vivian Nakaliika, há ainda muito por fazer.

 

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