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Moçambique

Cuamba: Município do norte de Moçambique vai a votos

Quarta-feira é dia de eleições intercalares no município de Cuamba. Enquanto o MDM receia a violência policial, a FRELIMO teme as ações da oposição. A RENAMO promete ficar atenta para evitar fraudes na mesa de votação.

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Cerca de 44 mil eleitores são chamados quarta-feira (17.12) às urnas

Os três principais partidos moçambicanos estão convictos de que vencerão as eleições intercalares desta quarta-feira (17.12) no município de Cuamba, na província nortenha do Niassa.

As eleições intercalares acontecem na sequência da morte do presidente do Município de Cuamba, Vicente da Costa Lourenço. Concorrem ao cargo Zacarias Filipe, candidato da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido no poder, Leovigildo Buanacasso, candidato da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), a maior força da oposição, e Tito Cremildo, candidato do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a segunda maior força da oposição.

Ouvir o áudio 04:54

Cuamba: Município do norte de Moçambique vai a votos

De acordo com o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Paulo Cuinica, está tudo a postos para um processo credível.

“Os membros das mesas de voto e o material de votação estão a ser distribuídos pelas mesas. Foram devidamente treinados. Temos as listas dos delegados que foram submetidas atempadamente pelos partidos políticos e foram credenciados”, adiantou à DW África.

Segundo Paulo Cuinica, “está tudo preparado por parte de todos os atores eleitorais.” Por isso, “prenuncia-se uma boa eleição, sem nenhum constrangimento”, sublinha.

Por outro lado, a CNE diz que não pode garantir o fornecimento constante de energia elétrica. “Isso está fora do nosso alcance e a própria empresa de eletricidade não consegue assegurar a energia todos os dias. Há cortes que acontecem, as pessoas alarmam-se no dia da votação, mas na verdade temos sempre um backup para que o corte de energia não prejudique o processo eleitoral”, explica Paulo Cuinica.

Receios de violência

Cerca de 44 mil eleitores são chamados a escolher um dos candidatos. Mas os receios de violência pairam no ar, pois há relatos de circulação de homens armados da RENAMO em Cuamba.

Mosambik Plakat der Partei Frelimo

FRELIMO acredita na vitória, mas receia a violência

O porta-voz da FRELIMO, Damião José, está certo de que o seu partido vencerá as eleições, mas receia a violência, acusando o MDM e a RENAMO de optarem por esta via.

“Nestes últimos dias, quer o MDM quer a RENAMO têm assumido uma postura de provocação tendente a criar um ambiente de violência no município de Cuamba, que a FRELIMO condena e repudia veementemente”, afirma Damião José.

As eleições autárquicas de 2013 e as eleições gerais de 15 de outubro passado foram também manchadas pela violência, principalmente por parte da polícia. E é essa polícia que está de prontidão para evitar a violência, garante o porta-voz da CNE. “Em termos de polícia está tudo garantido”, salienta Paulo Cuinica.

MDM não teme concorrência

Em termos técnicos, o MDM diz que cumpriu com as suas obrigações e está pronto a fiscalizar o escrutínio desta quarta-feira. Lutero Simango, chefe da bancada parlamentar deste partido, deixa claro que o MDM não tem grande confiança na polícia. “O nosso único apelo é que não apareçam os aparatos militares e policiais a circular pela vila”, pede.

Lutero Simango, Mitglied der MDM-Partei

Lutero Simango, chefe da bancada parlamentar do MDM

Para o MDM a vitória é certa. Mas o partido já não entra nesta corrida como a maior força da oposição como nas autárquicas passadas, em que a RENAMO não participou em jeito de boicote.

A possibilidade de uma diluição do voto no seio dos apoiantes da oposição não aflige o MDM, como revela Lutero Simango.

“Não estamos preocupados com este ou aquele. O mais importante é que todos possamos concorrer e que as regras e as leis sejam aplicadas a todos, em circunstâncias iguais e sem nenhuma discriminação.”

Regresso da RENAMO

Entretanto a RENAMO vê o seu regresso como um golpe para o MDM, como disse aos microfones da DW África António Muchanga, porta-voz da “Perdiz”.

António Muchanga

António Muchanga, porta-voz da RENAMO

“Penso que serão boas eleições tendo em conta que os protagonistas não serão só dois”, defende António Muchanga.

O MDM irá “tentar demonstrar o que vale porque da outra vez que concorreu a RENAMO não estava lá e o MDM valeu-se do eleitorado da RENAMO. Quem não tinham em quem votar, votou no MDM”, defende o responsável da RENAMO, para quem “estas eleições vão servir de teste”.

Tal como o MDM, a RENAMO também pretende ficar bem atenta ao processo de votação, com vista a não deixar acontecer irregularidades e ilícitos eleitorais, à semelhança dos anteriores processos eleitorais.

António Muchanga deixa um aviso: “Esperemos que decorra bem, tendo em conta que a lei eleitoral que temos agora é equilibrada. Mas malandros são malandros. Teremos lá os nossos homens para tentar travar, se for possível, alguma malandrice. Aqueles que não for possível travar, pelo menos deverão ser denunciados.”

A supervisionar a eleição estarão também a observadores nacionais do Observatório Eleitoral nas 65 mesas de votação, composto por várias organizações da sociedade civil.

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