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Angola

Crise financeira em debate no Parlamento angolano

A oposição angolana diz que a crise que assola o país não resulta da baixa do preço do petróleo, mas da má gestão do erário público. Mas o partido no poder, o MPLA, afirma que a sua governação é patriótica.

A diversificação económica em Angola, publicitada pelo Governo, não passa de uma operação de charme "para agradar a gregos e troianos". A acusação foi feita, esta quinta-feira (31.03), pelo deputado Benedito Daniel, do Partido de Renovação Social (PRS), durante o debate mensal no Parlamento angolano, desta vez sobre a crise financeira no país.

A economia angolana, dependente do petróleo, a principal fonte de receita do Estado,

"cambaleou" com a baixa do preço do crude

no mercado internacional. Empresários, políticos e organizações internacionais insistem na necessidade urgente de diversificar a economia. No final do ano passado, o Fundo Monetário Internacional sugeriu ao Executivo angolano que, além de cortar nas despesas públicas e desvalorizar a moeda nacional, o kwanza, Luanda deveria também apostar na melhoria do ambiente de negócios e no reforço do papel do setor privado.

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Crise financeira em debate no Parlamento angolano

Mas, segundo a oposição, isso não está a ser feito a bom ritmo. Para Benedito Daniel, do PRS, é preciso que a diversificação económica não seja apenas "marketing institucional", com "discursos retóricos virados para os média, cuja repercussão seja tão-somente para agradar a gregos e troianos."

"Má gestão"

A oposição sublinha ainda que a crise foi agravada pela "má gestão" do Executivo liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos. E, para isso, lembra a última nota pastoral da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que avisou, no início de março, que o

Estado angolano não pertence a um "clube de amigos".

A "falta de ética, má gestão do erário público e corrupção generalizada" agravaram a crise financeira em Angola, citou esta quinta-feira Silvestre Samy, deputado do maior partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). E ainda "a mentalidade de compadrio, o nepotismo, bem como a discriminação derivada da partidarização crescente da função pública, que sacrifica a competência e o mérito."

Lindo Bernardo Tito, da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), comenta que a centralização de poderes em Angola é prejudicial à economia e até anti-patriótica: "Este exercício de poder permitiu com que as várias áreas económicas fossem concentradas, evitando que servissem o país."

Em resposta, o partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), assegurou que o seu modelo de governação assenta no patriotismo. "Então, um Governo, um Estado que impediu o racismo, o domínio da minoria branca sul-africana face à maioria negra no continente não é um Governo patriótico?", questionou o deputado João Pinto.

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