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Moçambique

Crise em Moçambique: Greve dos transportadores e aumento do preço do pão

Cidade de Maputo sem transportes semicoletivos de passageiros, em protesto ao aumento do preço dos combustíveis, enquanto pão está mais caro desde sábado. População está descontente e polícia diz que situação está calma.

Mosambik Tarif-Streik in Maputo (DW/L. Matias)

Luta para apanhar transporte público em Maputo (03.04)

Transportadores semicoletivos de passageiros paralisaram esta segunda-feira (03.04.) as suas atividades na cidade de Maputo, em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis. Ainda na capital moçambicana, o preço do pão sofreu um agravamento no último sábado, na sequência da retirada do subsidio do Governo a farinha de trigo.

A greve não contou com a adesão de todos os transportadores mas mesmo assim obrigou a que muitos estudantes e funcionários faltassem aos seus postos de trabalho enquanto outros tiveram de fazer o percurso a pé. Outros ainda recorreram às carrinhas de caixa aberta para chegar à cidade, dada a exiguidade dos transportes públicos disponíveis.

Paralisação convocada através de redes sociais

Os grevistas exigem a atualização imediata da tarifa do transporte, alegando que os atuais custos de manutenção são incomportáveis.

Mosambik Tarif-Streik in Maputo (DW/L. Matias)

Dilema dos transportes na cidade de Maputo. Paragem dos Caminhos de Ferro (03.04)

A paralisação foi convocada através das redes sociais, mas a Associação dos Transportadores Rodoviários, distanciou-se da convocação da greve, segundo disse Castigo Nhamane, o Presidente da Associação.

"Aquela mensagem não a reconhecemos. Nós a FEMATRO que representamos os transportadores urbanos de passageiros estamos a trabalhar com o Governo na procura de melhor solução".

Esta segunda-feira (03.04), o cenário nas paragens dos transportes era de desespero. Podiam-se ver longas filas de passageiros.

"Estou à espera de chapa há uma hora. Vou até Liberdade. Vou esperar mais um bocado para ver se consigo fazer umas ligações. Terei que pagar o dobro", disse à reportagem da DW Samuel Vasco Andrade. "Vou ao serviço. Estou aqui há uns de vinte minutos. Até aqui não está a aparecer nenhum carro. Sou obrigado a apanhar um carro que vai até Mozal para poder apanhar um outro na Matola Rio que vai até Boane. Vou fazer ligação para não atrasar a minha chegada no serviço", disse por seu lado Samuel Vasco Andrade.

Ouvir o áudio 03:30

Crise em Moçambique: Greve dos transportadores e aumento do preço do pão

Contudo, a Polícia desdramatiza a situação. Orlando Mudumane, porta-voz da corporação na cidade de Maputo considerou que "a situação está calma , os transportadores semicoletivos estão a circular normalmente. As pessoas conseguiram chegar aos seus locais de trabalho sem grandes transtornos".

A Polícia reforçou a segurança em algumas vias, paragens e locais de grande concentração. Não foram reportados incidentes.

 Recorde-se que o Governo moçambicano aumentou no dia 22 de março o preço dos combustíveis, mantendo os subsídios à agricultura e aos transportes públicos, mas a maioria dos operadores de "chapas" não está registada, pelo que não beneficia da medida.

Com os aumentos, a gasolina passou de 50,02 meticais (0,69 euros) para 56,06 meticais o litro (0,77 euros), enquanto o gasóleo subiu de 45,83 meticais (0,63 euros) para 51,89 meticais o litro (0,71 euros).

Pão mais caro desde sábado

Ainda na cidade de Maputo, o preço do pão subiu este fim de semana ( 01.04), na sequência do anúncio da retirada do subsídio do Governo ao preço da farinha de trigo destinado as panificadoras.

Cidadãos ouvidos pela DW África afirmam terem sido colhidos de surpresa.

"Chamo-me José Barnabé. Eu não comprei voltei, (o pão) porque está caro. Não sabia, se soubesse não vinha aqui".

Laura Joaquim mostrou-se muito surpresa e afirma "cheguei hoje, o pão está a oito meticais (0,12 euros) e não subiu de peso. A pobreza está a aumentar. Não é possível com cem meticais (1,40 euros), se tiveres uma família de cinco pessoas, já não compras pão".

Mosambik Tarif-Streik in Maputo (DW/L. Matias)

Carrinha de caixa aberta, vulgo "my love", servindo de transporte alternativo em Maputo (03.04)

O Governo Justificou a retirada do subsídio afirmando que há uma redução no preço do trigo no mercado internacional, que a moeda nacional, o metical regista uma relativa estabilidade em relação ao dólar.

Aponta como outros fatores a conjuntura económica atual e a concorrência desleal por parte de algumas panificadoras que esta a gerar uma ineficiência do mercado em prejuízo do Estado e dos consumidores.

Reação da população era previsível

Para o analista Fernando Lima era previsível a atual reação ao aumento dos preços dos combustíveis e do pão.

Lima explica que apesar do Governo continuar a subsidiar o combustível, a maioria dos transportadores não pode beneficiar da medida porque não tem a sua situação regularizada.

Fernando Lima (DW)

Fernando Lima

Acrescenta que a intenção do Governo é paulatinamente fazer com que os combustíveis sejam pagos pelos consumidores ao seu preço de custo e não subsidiado. Só que como referiu, no passado o Governo tentou numa primeira fase usar a mão dura em relação aos protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis e do pão, mas acabou por recuar impondo subsídios para tentar minimizar os efeitos da crise junto da população.

Questionado sobre os possíveis cenários futuros considerou que "o Governo tenta a todo o custo evitar as convulsões sociais e a partir dessa premissa estará muito atento para vêr até que ponto a população poderá acomodar este novo peso em termos de custo de vida porque estas duas situações, dos combustíveis e do custo do pão, vem a somar-se a também a uma depreciação massiva do metical, ou seja o metical perdeu no espaço de um ano mais de cem por cento do seu valor em relação às moedas cotadas internacionalmente”.

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